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Carlos Vives, um orgulhoso ‘Elvis’ colombiano

Carlos Vives usa frequentemente a comparação que lhe fizeram alguma vez com Elvis Presley. Quando outros estavam prestando atenção no que se fazia fora do país, ele se concentrava na música de sua terra, de seu povo, transformando-se em um produto de massas.

Ele diz que o Caribe começa no Rio Mississippi e se estende até o Magdalena, em sua amada Colômbia, onde por mais de 30 anos o cantor e compositor construiu uma bem-sucedida carreira na qual está sempre presente a assinatura dos ritmos locais vallenato, cúmbia e porro.

Vives visitou Los Angeles na segunda-feira (13) para inaugurar uma exposição em sua homenagem que vai durar todo o outono (no Hemisfério Norte) no Museu do Grammy.

E como uma criança, sem nunca deixar de sorrir, passeou pelas três vitrines que mostravam discos, guitarras, bolsas, bilhetes e até calças jeans remendadas que escreveram partes de sua história.

“Nunca poderia imaginar algo assim. Estávamos imersos em gravar, escrever, em fazer coisas sem esperar nada em troca, mas acreditando no que fazíamos”, expressou o cantor em apresentação dessa exposição à imprensa.

O primeiro dos três grandes painéis mostra o figurino de “Escalona”, novela da emissora Caracol de 1991, que recriou a vida e obra do cantor e compositor de vallenato Rafael Escalona.

E a partir dali, faz um resumo da carreira artística do filho ilustre da costeira Santa Marta, que iniciou sua carreira musical levando o som autóctone com “guitarras elétricas, teclados, bateria”.

“A partir do folclore, resultou um novo som, buscando a modernidade a partir das raízes”, indicou o cantor, que claramente se mostrou mais emocionado com a do meio, em referência a “El rock de mi pueblo”, no qual mostra uma guitarra feita de panelas de cozinha, jeans com manchas e tecidos indígenas, uma jaqueta com escamas nas mangas, e um acordeão com imagens de divindades em meio a muita, muita cor.

“Como virar um Elvis local, inspirado na localidade com coisas que existiam na praia, coisas humildes, fazer coisas brilhantes para o show como nos unirmos com a diversidade”.

– “Sonho com canções” –

Essa mesma retrospectiva das vitrines foi abordada posteriormente em uma conversa com o editor da revista Rolling Stone, David Fricke, que obviamente teve muita música.

O público era pequeno, mas aplaudiu com vontade o vencedor de dois prêmios Grammy e de 11 prêmios Grammy Latino.

Nesse show intimista, mas com a voz forte de sempre, Vives ilustrou com sua música seu projeto musical.

Desde “Mujer conforme” ao clássico “La gota fría”, passando por “La cachucha bacana”, “Pa Mayté” e “El rock de mi pueblo”, no fim foi impossível ficar parado.

O vallenato tomou conta do prédio do Museu do Grammy.

A exposição começou três dias depois do lançamento de seu mais recente disco, “Vives”, seu 10º de estúdio, que inclui temas de muita pureza vallenata como “El sombrero de Alejo”, mas também canções com um forte conteúdo social como “Los niños olvidados” e “La mujer de la ventana”, composta a partir da fotografia publicada na imprensa de uma mulher que apanhou.

Ao mesmo tempo, o cantor de vallenato insistiu que na Colômbia “entrar em acordo é o que temos para que consigamos encontrar a paz”.

“Conquistar um país com mais equidade, mais representativo, onde todos nos encontraremos para que possamos curar as feridas”, acrescentou o cantor, que, não obstante, descartou um guerrilheiro como presidente: “isso não é homem, acredito que seja muito difícil”.

A Farc, o partido político surgido do acordo de paz entre o governo e a outrora guerrilha na Colômbia, anunciou no início de novembro que tentará chegar ao poder com Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, como candidato para as eleições de maio de 2018.

E enquanto a história colombiana se constrói, Carlos Vives continuará escrevendo.

“Tenho muitos planos e sonho com canções, é um lindo caminho”.