Dinheiro em foco

Carlos Augusto Salamonde, Itaú Asset

Crédito: BRUNO NAMORATO

Quem é o que faz: Economista pela PUC-RJ com MBA em Gestão pela FGV. CEO da Itaú Asset Management. Ex-CEO de “asset servicing” do BNY Mellon para a América Latina. Ex-CEO da Asset do JP Morgan Brasil. (Crédito: BRUNO NAMORATO)

Por que o banco passou a oferecer novos fundos?
Percebemos que havia uma demanda crescente por produtos com o perfil de oferecer retorno absoluto. Vários gestores independentes que ofereciam esses fundos estavam crescendo bastante no mercado.

O que são fundos de retorno absoluto?
De maneira simplificada, os fundos de retorno absoluto seguem estratégias dos gestores que não estão obrigados a seguir um indicador, como o CDI no caso dos fundos de renda fixa, ou o Ibovespa no caso dos fundos de ações.

O Itaú não oferecia esses fundos?
Oferecia poucos produtos. O Itaú Hedge Plus, por exemplo, foi um dos fundos que mais rendeu durante a crise. Ele estava fechado para captação. No dia 5 de abril, reabrimos o fundo esperando captar R$ 1 bilhão. Captamos R$ 1,6 bilhão em um dia, 60% acima do previsto. Isso mostrou a força da demanda.

E quais são os novos produtos?
Temos, ao todo, 15 mesas de gestão dentro da Asset, que são geridas por equipes independentes. São 60 pessoas, que administram fundos com diversas estratégias, tanto macro quanto long short e trading. Essas mesas, que são ocupadas por funcionários da Asset, administram R$ 60,7 bilhões. Desse total, R$ 30,1 bilhões são em fundos macro, R$ 17,7 bilhões são em fundos de crédito e renda fixa diferenciada, e R$ 12,8 bilhões são em fundos de ações.

Vocês também empregam robôs?
Sim, temos dez robôs que auxiliam na gestão. Eles são controlados pelos gestores e vão além dos algoritmos. Não é algo puramente quantitativo, eles têm objetivos. Um é fundamentalista, outro é “contrarian”, que procura encontrar estratégias lucrativas na contramão do mercado. Há várias estratégias. Essa é uma área muito interessante e inovadora.

O que mudou na estratégia da Asset?
Notamos essa mudança no apetite dos investidores pelos fundos de retorno absoluto e percebemos que estávamos fracos nesse aspecto, não tínhamos a mesma velocidade da concorrência. Por isso alteramos nossa estrutura e nossa estratégia.

Em geral, as assets dos grandes bancos são tradicionais. Nós somos uma asset híbrida. Temos uma parte tradicional. Ela oferece os fundos ligados a indexadores, que são relevantes para o negócio. E temos uma parte dedicada ao retorno absoluto. Com a força do Itaú e com essa estratégia, já somos a líder de mercado em fundos de retorno absoluto.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA
A Netflix do dinheiro

Thiago Nigro, do canal de finanças pessoais Primo Rico, lançou o Finclass. A meta é criar um portal de conteúdos e finanças por assinatura, nos modelos do Netflix. Para os programas estão confirmados nomes como o do americano Howard Marks, fundador da Oaktree Capital Management e Florian Bartunek, gestor da Constellation. Cada um deles dará de 10 a 20 aulas sobre sua especialidade, de 10 minutos cada, em média.

BANCOS
Safra compra Crédit Agricole

O Banco Safra anunciou na sexta-feira (23) a compra das operações de gestão de recursos e private bank do banco francês Crédit Agricole, que buscava um comprador para esses negócios desde setembro de 2020. Segundo o Safra, os clientes do banco francês serão incorporados imediatamente às suas plataformas e os funcionários serão aproveitados. “Essa aquisição mostra a nossa vocação para o segmento”, disse o presidente do Safra, Sílvio de Carvalho.

CRÉDITO
Securitização do Dank Bank

A fintech catarinense Dank Bank está oferecendo contas-correntes e serviços de crédito para pessoas jurídicas por meio da securitização de recebíveis. Fundado no ano passado, o banco securitizou R$ 20 milhões em recebíveis em 2020 e espera securitizar R$ 10 milhões por mês neste ano. Segundo o CFO do banco, Fabiano Souza, o aumento da oferta de crédito e de alternativas de securitização permitiu oferecer taxas mais baixas para as empresas.

EM ALTA 0,60% 

foi a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) em abril. O índice, divulgado na terça-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra uma desaceleração em relação aos 0,93% de março. No ano, porém, o IPCA-15 acumula crescimento de 2,82%. Em 12 meses, a alta é de 6,17 %, acima dos 5,52% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2020, a taxa foi de 0,01% negativo. Com alta de 5,49% em abril, a gasolina permanece como o produto com o principal impacto no índice.

EM BAIXA 3,8 pontos 

foi a queda do Índice de Confiança da Construção (ICST) em abril. O índice recuou para 85,0 pontos, menor nível desde os 83,7 pontos de julho de 2020. O resultado reflete a piora da percepção dos empresários sobre o momento atual e a redução de suas expectativas em relação aos próximos meses. O Índice de Situação Atual (ISA-CST) recuou 3,5 pontos, para 84,3 pontos, a quarta queda consecutiva. Essa queda deveu-se à piora do indicador de situação atual dos negócios, que caiu para 84,4 pontos, o menor nível desde os 81,8 pontos de agosto de 2020.