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Caótico fim de mandato de Trump põe sua marca em risco

Crédito: AFP

Partidários de Joe Biden comemoram sua vitória nas eleições presidenciais em frente ao Trump International Hotel and Tower em Chicago, Illinois, em 7 de novembro de 2020 (Crédito: AFP)

Um império econômico construído sobre seu nome, agora associado a uma carreira política. Quando Donald Trump deixar a Casa Branca na próxima quarta-feira, terá muito o que fazer agora para resgatar sua marca, que agora é sinônimo de extremos.

Antes de se tornar presidente, “a marca Trump era muito poderosa”, diz Melissa Aronczyk, acadêmica de comunicações na Universidade de Rutgers, em Nova Jersey.

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“Era uma marca comercial” de sucesso, um “símbolo de triunfo”, riqueza e êxito.



De hotéis de luxo a propriedades imobiliárias exclusivas e campos de golfe, o nome de Trump é onipresente nas entidades da Organização Trump, com sede na icônica Quinta Avenida, em Nova York.

Mas os quatro anos de Trump na Presidência, marcados por posições extremistas, e sobretudo nos últimos dias após a invasão ao Capitólio por seus apoiadores incondicionais, colocaram em risco os negócios da dinastia.

A marca Trump se tornou “tóxica” porque está associada com o caso e o racismo, resume Tim Calkins, professor de marketing na Kellogg School of Management da Northwestern University, que duvida da capacidade de reposicionamento da marca. Segundo o especialista, o dano já é significativo.

Desde os fatos violentos no Capitólio, em 6 de janeiro, que deixaram cinco mortos, as más notícias têm se acumulado.

Muitas empresas cortaram seus vínculos ou se afastaram de Donald Trump e sua holding familiar.

O Signature Bank já começou a fechar as contas do presidente, segundo uma porta-voz, enquanto o Deutsche Bank não quer mais fazer negócios com ele, segundo a imprensa americana.

Em Nova York, o prefeito democrata rescindiu os contratos que permitiam à Organização Trump gerenciar atrações no Central Park e um campo de golfe no Bronx.

O Campeonato de Golfe da PGA de 2022 não será realizado no clube Trump National em Bedminster, Nova Jersey. “Nossa marca estava em jogo”, disse na semana passada Seth Waugh, diretor-geral do organismo organizador.

– Dívida –

Estes reveses podem pôr em risco a Organização Trump quando a pandemia de covid-19 já afetou gravemente seus hotéis? É difícil saber, já que o universo Trump é opaco.

Como o grupo não é cotado na bolsa, as contas não são tornadas públicas. Segundo a revista Forbes, o império Trump gerou quase 2 bilhões de dólares em rendimentos entre 2017 e 2019, principalmente em campos de golfe, complexos turísticos exclusivos e clubes privados, regalias por licenças e compras. Também por bens imóveis comerciais em Nova York e San Francisco.

A AFP consultou a Organização Trump sobre o impacto econômico e os eventos violentos no Congresso, mas não obteve resposta.

A única certeza é que o grupo tem uma dívida de cerca de 400 milhões de dólares.

“É um percentual ínfimo do meu patrimônio líquido”, assegurou Trump em outubro passado, segundo o jornal The Washington Post.

A revista Forbes avaliou nesta sexta-feira sua fortuna em 2,5 bilhões de dólares, contra US$ 3,6 bilhões no fim de 2016, antes de sua chegada à Casa Branca.

– Ivanka –

Apesar de seus reveses, o presidente pode contar com seguidores incondicionais.

“Sempre haverá um grupo de pessoas que apoiará Donald Trump sem importar o que diga, sem importar o que faça”, diz Capri Cafaro, professor da American University.

Os eventos no Capitólio finalmente mostraram que seus partidários estavam prontos para segui-lo custe o que custar.

Historicamente, as marcas sempre terminam se recuperando de escândalos e controvérsias com o passar do tempo, destaca Melissa Aronczyk, citando o exemplo da Volkswagen e o caso das emissões de poluentes fraudadas.

Embora seja provável que o bilionário se torne alvo de ações judiciais no curto prazo, diz Aronczyk, “é possível que a marca se recupere”.

Seu futuro também depende do local que o bilionário ocupa nos meios de comunicação no futuro, sustenta.

“Trump não tem sido o presidente do establishment e não será um ex-presidente do establishment”, acrescentou Capri Cafaro.

Uma das opções para promover a marca Trump é também jogar a carta de Ivanka, a filha do presidente, sobretudo porque ela teve o cuidado de se manter afastada dos últimos escândalos.

Sua marca está “intacta”, observa inclusive Melissa Aronczyk.

Mas o renascimento financeiro da marca Trump poderia implicar a criação de um novo veículo, diz Michael D’Antonio, autor de biografias sobre o bilionário.

Assim, imagina-se Donald Trump como um “evangelista político” em seu próprio canal de televisão, ao qual seria disponível mediante assinatura a 4,99 ou 9,99 dólares por mês e que seria transmitido da Flórida.

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