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Cannabis: 6 tendências globais para o uso medicinal e industrial

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Marcelo De Vita Grecco é co-fundador e diretor de Desenvolvimento de Negócios da The Green Hub, consultoria e aceleradora de startups para o mercado de cannabis (Crédito: Divulgação)

Investidores, pacientes, profissionais de saúde, agricultores, cientistas… Há muita gente curiosa sobre as tendências globais no uso medicinal e industrial da cannabis. Alguns temas, no entanto, chamam mais atenção. Aqui, deixaremos de fora o uso adulto, antes chamado recreativo, por considerar o Brasil ainda distante dessa discussão. A perspectiva é a seguinte:

  1. Aceleração do crescimento e escala industrial

Nos mercados onde ocorreu a legalização do cultivo e comercialização de produtos derivados da cannabis houve clara atração de novos investidores, sejam em startups ou em grandes projetos. Esse movimento é inevitável. O potencial inexplorado do cânhamo abre grandes oportunidades multissetoriais em todo o mundo, com o uso medicinal do CDB quebrando barreiras junto aos não consumidores de cannabis.

Fundamental esclarecer que o cânhamo (também chamado hemp) é uma variante da planta de cannabis e possui menos de 0,3% de THC, ou seja, não gera efeito psicoativo. Para a exploração industrial, é possível extrair do cânhamo compostos terapêuticos e biomassa para ampla gama de aplicações. Semente, caule, folha… tudo é aproveitado e se transforma em cerca de 25 mil produtos de diversas indústrias, incluindo setor alimentício, beleza e bem-estar, têxtil, construção civil e tantas outras.

Há vasto campo de oportunidades para a indústria e o varejo em diversas partes do mundo. O Brasil, por enquanto, engatinha no assunto, sufocado pelo preconceito e desconhecimento. Liberar o cultivo do cânhamo seria o primeiro grande passo para atingir um PIB mais robusto em pouco tempo.

  1. Ampliação do conhecimento a partir da tecnologia e inovação

O estigma cederá espaço à informação. Nesse sentido, a tecnologia se torna um aliado fundamental, permitindo aos consumidores se conectarem, interagirem de novas maneiras e compartilharem conhecimentos. A mídia digital e a conectividade não apenas derrubarão os muros, que há muito separam os consumidores de cannabis em todo o mundo, como também acelerarão a aceitação e a normalização de atitudes em relação à cannabis nos mercados. As marcas capazes de se comunicar bem com esses consumidores recém-capacitados estarão bem posicionadas para o crescimento em mercados altamente competitivos. A inovação transformará o processamento, a venda e o consumo da cannabis nos mercados legais.

  1. Crescimento econômico e desenvolvimento sustentável

Várias indústrias, independentemente do porte e do mercado de atuação, estão atentas às possibilidades oferecidas pelo cânhamo. Na agricultura, o cultivo do cânhamo abre perspectivas de rápido retorno aos agricultores. Da planta tudo se aproveita. Além dos micronutrientes essenciais, a semente de cânhamo oferece as mais altas concentrações de proteínas derivadas de qualquer alimento à base de plantas. Seu óleo rico em nutrientes pode ser processado de forma barata e usado como terapia de baixo custo. O cânhamo produz uma das fibras vegetais mais fortes já conhecidas, adequada para cordas e outras fibras naturais.

O biochar do cânhamo é usado para filtragem de água e ar, e a usina é uma biorremediação altamente eficaz, utilizada para limpar algumas terras mais contaminadas do mundo, incluindo o local do desastre nuclear de Chernobyl. O meio ambiente ainda agradecerá muito ao cânhamo pela sua colaboração em tornar o mundo melhor.

  1. Crescente apoio à legalização

Essa é uma tendência cultural de longo prazo. O apoio esmagador à legalização da cannabis entre os adultos mais jovens fará da expansão dos mercados legais uma tendência geracional durável. A maioria dos mercados que reformaram suas leis sobre cannabis o fizeram por meio de votação ou processo legislativo. Geórgia, México e África do Sul legalizaram o uso por meio dos tribunais. No Brasil ainda será preciso vencer a barreira do preconceito, mas já há uma bancada ruralista na Câmara dos Deputados bastante atenta e disposta a debater o assunto. O cultivo do cânhamo no Brasil contribuiria muito para o crescimento de várias indústrias, com geração de empregos e redução dos custos da matéria-prima a medicamentos.

  1. Eficácia da cannabis medicinal como propulsor da aceitação e adoção pela sociedade

O aumento da conscientização sobre o valor terapêutico da cannabis irá acelerar a ampla aceitação e uso medicinal da cannabis. A eficácia comprovada no tratamento de condições debilitantes, como epilepsia aguda em crianças, reúne apoio para expandir o acesso médico em todo o mundo. A abertura do diálogo nos países que estão debatendo a legalização da cannabis considera a legalização médica e não o uso adulto (antes chamado recreativo). A afirmação do valor terapêutico da cannabis por instituições respeitadas, incluindo Organização Mundial da Saúde (OMS) e as Academias Nacionais de Ciências dos Estados Unidos, desafia visões negativas sobre a planta e incentiva governos, prestadores de serviços de saúde, acadêmicos e consumidores a considerarem seu potencial. O acesso do paciente será cada vez maior à medida que a comunidade aceitar a cannabis como parte de seu kit de ferramentas terapêuticas.

  1. Adesão do público acima de 60 anos

A ampliação do conhecimento e acesso à informação também farão com que gerações mais maduras, a chamada Terceira Idade, aceite o uso da cannabis para refrear a debilidade física e mental. De acordo com pesquisa da New Frontier Data, 94% dos pacientes com cannabis medicinal relataram que o tratamento melhorou sua condição, com 66% relatando melhora significativa. Se apenas 10% da população mundial que sofre de condições para as quais a cannabis é comumente usada começar a usar a cannabis terapeuticamente, estamos falando de um mercado superior a 100 milhões de pacientes. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima 1,4 bilhão de idosos no mundo em 2030. Em 2050, nada menos do que 2,1 bilhões. Todas as regiões do mundo, exceto a África, terão quase um quarto ou mais de suas populações com 60 anos de idade ou mais.

O preconceito, oriundo da desinformação, pode atrasar (ou derrubar) ganhos significativos para a sociedade em termos de saúde e renda. Como visto acima, a legalização do cânhamo impulsionará o investimento em diversas aplicações, resultando em forte crescimento do setor, maior capacidade, eficiência, qualidade e escala. O Brasil não pode ficar de fora!

*Marcelo De Vita Grecco é co-fundador e diretor de Desenvolvimento de Negócios da The Green Hub, consultoria e aceleradora de startups para o mercado de cannabis

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