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Campeões da qualidade

Em dúvda sobre onde aplicar seus recursos? relaxe. Com exclusividade para A DINHEIRO, um levantamento do Centro de Estudos em Finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Instituto Fractal, avaliou quais são os Melhores Bancos e plataformas para você Investir.

Crédito: Istock

Um ambiente mais competitivo em produtos de investimentos tem levado os grandes bancos a diminuírem o tíquete de entrada em aplicações financeiras e reduzirem ou até isentarem taxas para atrair clientes. Essa é uma das constatações da edição de 2020 do MBI, em que o Itaú-Unibanco superou o Santander Brasil (campeão em 2019) e levou o prêmio Geral e nas categorias Varejo, Varejo Seletivo, Alta Renda, Money Market e Renda Fixa. Entre as plataformas, a XP Investimentos foi considerada a melhor na categoria Varejo, e a BTG Pactual Digital ficou no topo em Varejo Seletivo. Outro destaque do ranking deste ano é a liderança da Caixa Econômica Federal em Ações e Multimercados, superando respectivamente Banco do Brasil e Itaú nesses segmentos.

“Esse levantamento avaliou 700 fundos de investimentos, em desempenho e diversidade, assim como a variação do tíquete médio, das taxas de administração, a evolução do número de reclamações no Banco Central, o custo dos pacotes de serviços financeiros, além de uma pesquisa do Instituto Fractal junto aos clientes”, afirma William Eid Junior, professor titular de finanças da FGV e um dos responsáveis pelo estudo, junto com os professores Ricardo Rochman e Claudia Yoshinaga. E coube ao professor e doutor Celso Cláudio de Hildebrand e Grisi o trabalho de consultar 2,5 mil investidores em diferentes regiões do País. “A amostra considera respondentes de alta renda, mais de R$ 12 mil por mês, e com tíquete mínimo de R$ 50 mil em aplicações financeiras”, afirma Grisi.

Na visão de William Eid, em 2019, os bancos e as plataformas de investimentos melhoraram o acesso às aplicações financeiras ao diminuir o tíquete inicial (aporte de entrada) e ao reduzir taxas de administração. “A competição se dá mais em produtos de renda fixa. Não houve muita mudança em ações e multimercados”, diz. Quanto aos desafios das instituições para 2020, o professor apontou que o mercado financeiro brasileiro precisa expandir a oferta de aplicações internacionais, simplificar a comunicação com os clientes e facilitar a burocracia para se investir. “O suitability é muito mal feito; o mercado é quase todo concentrado no risco Brasil; e falta oferecer produtos internacionais, ainda voltados para um público muito pequeno”, afirma Eid.

ESTRATÉGIA VENCEDORA Em primeiro lugar na classificação geral, o Itaú mostrou que o bom resultado está relacionado a um intenso trabalho de “democratização” dos investimentos. A instituição garantiu nota 10 em três critérios: tíquete médio, melhoria no número de reclamações e na satisfação dos clientes consultados. Com tantas notas máximas, o banco garantiu a primeira posição nas três esferas de atuação: Varejo, Varejo Seletivo e Alta Renda. “Abrimos espaço de captação por produtos mais sofisticados e acessíveis, numa estratégia de democratização, de aumentar a oferta de produtos para todos os clientes”, diz Rubens Henriques, CEO da Itaú Asset Management (IAM). Dessa forma, produtos que antes estavam restritos aos clientes de private banking, público de altíssima renda, foram sendo ofertados para investidores do varejo seletivo (Personnalité) e para o varejo (Itaú Uniclass) com tíquetes de entrada cada vez menores e com taxas de administração competitivas.

Henriques recordou que, na área de fundos de gestão ativa, o trabalho foi aumentar a diversificação de carteiras, enquanto nos fundos passivos, o objetivo foi de facilitar o acesso. “No Alpha, uma oferta bem completa de produtos de gestão ativa, de trazer a sofisticação. No Beta, na gestão passiva, a proposta foi ajudar nessa democratização de investimentos, com preços competitivos”, afirma o CEO do IAM.

Mérito: Na premiação do MBI, William Eid Jr, professor da FGV (à direita na foto), reconheceu o mérito do CEO da Itaú Asset em conquistar a primeira posição em diversas categorias avaliadas pelo Centro de Estudos em Finanças. (Crédito:Sidinei Lopes )

Na agenda de 2020, ele cita novas carteiras como um Fundo de Debêntures Incentivadas de Infraestrutura, voltado para clientes de alta renda e do private, e um ETF de Small Caps (o SMAC 11) acessível ao varejo, o décimo segundo ETF da Itaú Asset. Listado na última segunda-feira 3 na bolsa de valores (B3), o SMAC 11, código da carteira IT Now Small Fundo de Índice, possui taxa de administração de 0,50% ao ano, abaixo do percentual de 0,69% ao ano cobrado pelo concorrente SMALL 11, da BlackRock. O produto da Itaú Asset replica o desempenho do índice Small Caps (SMLL) da B3 composto por 78 empresas de diversos setores, o que, segundo a gestora, permite diversificação e minimiza impactos negativos da volatilidade das ações. Na segunda-feira, o SMAC fechou na estreia em alta de 0,32%, cotado a R$ 72,80 com 255 negócios realizados, bem próximo da movimentação do mais antigo ETF do País, o PIBB, que teve 286 negócios no mesmo pregão.

“Temos uma estratégia de democratização, de aumentar a oferta de produtos para todos os tipos de clientes” Rubens Henriques, CEO da Itaú Asset Management

Questionado sobre exemplos de produtos sofisticados acessíveis ao varejo, Henriques citou o recente lançamento do fundo Carteira Itaú de Investimentos, disponível pelo tíquete inicial de R$ 1 no Uniclass e Personnalité. “A carteira recomendada foi um grande sucesso no private, e agora, está disponível para todo tipo de investidor. Da virada do ano para cá, mais de R$ 500 milhões em captação”, diz. Esse produto, um fundo multimercado voltado para clientes de perfil arrojado a agressivo possui taxa de administração de 1,5% ao ano. A carteira recomendada é composta por cotas de fundos de outras instituições e até ativos internacionais, como ações da Europa, Japão, títulos da dívida dos Estados Unidos, entre outros papéis.

Atenção ao cliente: Pesquisa do Instituto Fractal mostrou que Itaú é reconhecido pelos clientes pelo bom atendimento na área de investimentos. (Crédito:Divulgação)

Com o tíquete de R$ 1, o Itaú também oferece acesso aos fundos Renda Fixa Simples (taxa de administração de 1,2% ao ano), Privilege DI (0,3% ao ano), Itaú Long Bias Multimercado (2% ao ano) e ao novo fundo de ações Itaú Dunamis Advanced FIA (2% ao ano). Com um pouco mais, R$ 50, está disponível o Master Renda Fixa (1% ao ano), e por R$ 100 de entrada: Seleção Multifundos Genesis Fundo de Ações (2%), Seleção Multifundos Plus Ações FICFI (2%) e Olimpo Fundo de Ações (1,5%).

Entre as carteiras lançadas recentemente pelo Itaú com aporte de R$ 100 no varejo, Stefano Catinella, responsável pela área de distribuição da Itaú Asset Manegement, destacou as novidades: Smart Ações Brasil 50 FICFIA (1%), Smart Ações Low Vol FIC (taxa de 1% ao ano), e Itaú Gold Multimercado (0,8%). “O Smart Brasil busca superar o Ibovespa aplicando nas 50 melhores empresas locais nos quesitos dividendos, fluxo de caixa, vendas e valores patrimonial; o Smart Low Vol adota uma estratégia defensiva que reúne as ações com menor volatilidade; e o Gold busca entregar a variação do preço do ouro na bolsa de Chicago (EUA), livre de exposição cambial”, afirma.

Quanto ao cenário para investimentos, Catinella observa que 2020 deve ser um ano mais desafiador para renda variável. “Temos que estar alertas. É muito difícil prever os impactos do coronavírus na economia chinesa, e na economia global. No ambiente doméstico, os dados de curto prazo da atividade não estão colaborando. Vamos ver como funciona a gestão nesses momentos”, diz Catinella.

“Temos que estar alertas. é muito difícil prever quais serão os impactos do surto de coronavírus na economia global” Stefano Catinella, responsável pela distribuição na Itaú asset. (Crédito:Bruno Namorato)

VICE-LIDERANÇA Na segunda posição na classificação geral do MBI, o Santander Brasil adotou o lema da “transparência” em sua atuação na área de investimentos. “Estabelecemos uma conversa aberta e de respeito ao perfil de cada cliente — e acima de tudo — levar transparência sobre o risco e o retorno das aplicações financeiras”, diz Luciane Effting, superintendente executiva de investimentos do Banco Santander.

André Cobianchi, superintendente executivo comercial da Santander Asset Management, também conta que 2019 foi um ano de grande mudança estrutural nos juros da renda fixa. “Isso fez que o investidor parasse e refletisse sobre como fazer seus investimentos”, afirma. Para atender a demanda por informações, Cobianchi diz que o Santander reforçou a equipe de gestão e que mensalmente, a equipe técnica discute o cenário e a carteira modelo. “São mais de 300 profissionais para falar diretamente com os investidores”, diz.

Entre os fundos citados pela FGV com 4 ou 5 estrelas, André destacou a segurança da carteiras Yield Vip, Advanced e Soberano DI. “São fundos de risco de crédito bastante baixo. Além do Soberano — com títulos públicos — fizemos uma boa seleção de emissores com CDBs e LFs de boa qualidade, que proporcionaram até ganhos adicionais com o fechamento dos spreads, já que tínhamos uma visão otimista para o ano de 2019”, afirma. Quanto aos desempenhos mais robustos em rentabilidade, ele mencionou o fundo Santander Juros Reais. “Essa carteira com NTN-Bs teve uma performance espetacular e capturou os prêmios [da curva de juros] na plenitude”, diz. Pelos dados da FGV e Anbima, a carteira em questão rendeu 22,23% no ano passado.

Para 2020, o Santander prevê fortalecer as categorias de fundos imobiliários e de fundos de infraestrutura. “Vamos também reforçar a oferta de renda variável, ações e multimercados”, afirma Cobianchi. Luciane Effting completa que o desafio é fazer que toda essa oferta de produtos chegue aos investidores. “Num cenário de juros baixos, destacamos a importância da diversificação”, diz ela.

MEDALHA DE BRONZE Na terceira posição da classificação geral, a Bradesco Asset Management (Bram) recebeu notas 9 da FGV nos critérios sobre taxas de administração (Varejo Seletivo – Bradesco Prime) e em variação do tíquete médio (Geral, Varejo, Money Market e Renda Fixa). “Promovemos a democratização do acesso para todas as famílias de produtos. Teve fundo que tinha aporte de R$ 100 mil que caiu para R$ 1 mil, assim como temos carteiras DI com tíquete inicial de R$ 25”, diz Sergio Quirino Ferreira Magalhães, superintendente executivo da Bram. Sobre a redução das taxas de administração, Magalhães disse que a gestora foi ativa em realizar as alterações que precisava fazer. “Na renda fixa de baixa volatilidade, quanto menor os juros, maior o impacto das taxas de administração, e vice-versa. Fizemos a mudança para ganhar competitividade desses produtos”, afirma.

Quanto ao desempenho dos fundos de renda fixa e Money Market (classificados com cinco estrelas pelo levantamento da FGV) Marcelo Gaspari Cirne de Toledo, também superintendente da Bram, afirma que a redução dos juros ao longo de 2019 permitiu aos gestores capturar ganhos com papéis prefixados e indexados à inflação. “Já no crédito privado, adotamos uma posição mais cautelosa, com títulos de prazo mais curto e com menor risco de crédito”, diz.

TRANSPARÊNCIA: Na vice-liderança na pontuação geral e nas categorias varejo e varejo seletivo, o Santander adotou a transparência nas conversas abertas com investidores e respeitando o perfil de risco de cada um. Para 2020, a asset promete reforçar a oferta de renda variável, via fundos de ações e carteiras multimercados. Na foto ao lado: André Cobianchi, Luciane Effing e Mario Felisberto, na cerimônia de entrega do Prêmio MB. (Crédito:Marcos Alves)

Para 2020, Toledo prevê que a taxa básica (Selic) atualmente em 4,25% ao ano, provavelmente permanecerá sem variação até dezembro. “O grande ponto de atenção é a recuperação da atividade econômica doméstica, já no exterior, temos um cenário global mais complicado”, afirma.

Entre as novidades da Bram para o atual exercício está o lançamento de fundos quantitativos e o crescimento do número de fundos passivos listados em bolsa de valores. “Nossa família de ETFs deve crescer em 2020, já temos um de renda variável indexado ao Ibovespa, e dois de renda fixa dos índices IMA-B e IMA-B5. E na vanguarda, com um produto mais tecnológico e quantitativo, temos duas carteiras sendo desenhadas para vir ao público em breve”, diz Magalhães.

RF E MONEY MARKET Leonardo Baumert, gestor de renda fixa da Itaú Asset, lembrou que 2019 foi um ano “muito positivo” para renda fixa, mesmo com a baixa da Selic. “Foi importante estar bem posicionado na queda dos juros. Já 2020 será um ano bem mais desafiador para os gestores. Não dá imaginar ganhos na mesma magnitude do ano passado”, afirma.

Comparação em tela: Na avaliação de Gustavo Pires, diretor de fundos de investimentos da premiada XP, se o preço de uma taxa de administração estiver muito errado, o fundo perde competividade. (Crédito:Roberto Castro )

Dos oito fundos do Itaú classificados como cinco estrelas pela FGV, três eram do money market, três de renda fixa, um multimercado e outro de ações. Na categoria Money Market, a segurança em pós-fixados foi confirmada nos fundos Privilege DI (5,73%) no varejo seletivo, e no Private Referenciado DI (5,88%) na alta renda. Já na categoria Renda Fixa, o Itaú Simples, de baixa volatilidade e liquidez diária se destacou com ganhos de 4,64% no varejo; ao passo que o Itaú Excellence, também de baixa volatilidade, mostrou rentabilidade de 5,61% no ano no varejo seletivo, enquanto no mesmo período, o Itaú Ima-B Ativo, um fundo de renda fixa com alta volatilidade, teve retorno de 24,47% no segmento de alta renda.

Embora não se possa prever um desempenho melhor do que no ano passado, Baumert aponta que fundos de renda fixa de gestão ativa ainda podem proporcionar ganhos adicionais em 2020. “Ao longo do caminho podem surgir oportunidades”, diz. Quanto aos riscos de mercado, Baumert cita diferentes variáveis: uma eventual frustração com a agenda das reformas; falta de dinamismo do crescimento local; impactos do surto de coronavírus na economia global; surpresas na eleição norte-americana ou nos juros do Federal Reserve; desdobramentos do Brexit ou da guerra comercial entre China e EUA.

AÇÕES E MULTIMERCADOS Nas categorias de maior risco, a gestora da Caixa Econômica Federal despontou na liderança, superando a BB DTVM em ações, e o Itaú em multimercados. “A Caixa Asset está fazendo um esforço para melhorar a relação com os clientes”, diz William Eid, da FGV. De acordo com o estudo, a Caixa recebeu nota 10 no desempenho dos fundos de ações, e duas notas 9 em variação do tíquete médio e de taxas de administração em multimercados. Na classificação geral, a asset garantiu pontuação máxima (10) nos custos dos pacotes de serviços financeiros, nota que não foi alcançada por nenhuma outra instituição nesse critério do levantamento.

Entre os fundos classificados como cinco estrelas pela FGV, os destaques em rentabilidades ficaram para o fundo de ações Caixa Construção Civil, que alcançou 67,42% de valorização, e Small Caps Ativo, que obteve retorno de 54,75% no ano passado, ante um benchmark de 31,58% do Ibovespa. Já nas carteiras multimercados de alta volatilidade, o Caixa Alocação Macro LP registrou ganhos de 18,08%, mais de três vezes o referencial (DI), que ficou em 5,96% no ano passado.

Competição aberta: A Caixa Econômica Federal garantiu nota 10 por seu custo de pacote de serviços financeiros, pontuação máxima nesse critério que não foi obtida por nenhuma outra instituição pública ou privada no País.

BB ESTILO Na vice-liderança na categoria Ações, logo depois da Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil destacou o fortalecimento das áreas de análises em contato com os gestores das carteiras. “Já estamos colhendo frutos desse trabalho. O desempenho das carteiras recomendadas tem sido muito bom”, diz Marcelo Marques Pacheco, diretor de gestão de ativos da BB DTVM. Ele conta que o desenvolvimento dos fundos de ações da gestora em 2019 foi excelente. “Esse entrosamento entre as áreas tem sido de grande valia no dia a dia. Em termos de performance, isso contribui para gerar um retorno acima dos respectivos benchmarks (indicadores de referência)”, afirma o diretor da BB DTVM.

O Banco do Brasil garantiu ainda duas notas 10 em diversidade de fundos e em tíquete médio para o varejo. “Melhoramos o acesso ao investidor ao disponibilizar tíquete menor do BB Estilo para o Varejo, e com isso, aumentamos o portfólio com produtos muito bons para todos os aplicadores”, afirma. “Quanto à diversidade, sempre trabalhamos para oferecer um número expressivo de fundos. Há demanda por diversificação tanto em renda fixa como na renda variável”, diz.

Entre as novidades para 2020, o diretor informou que a gestora do Banco do Brasil planeja lançar um fundo de investimentos multimercado em ouro e outras commodities. “Muito provavelmente, uma cesta de commodities negociadas no exterior”, diz. A nova carteira deve chegar aos clientes ainda no primeiro semestre desse ano. Os concorrentes em multimercados, como Itaú e Caixa Econômica já listam carteiras de ouro em suas prateleiras.

XP NO VAREJO Além dos grandes bancos, o estudo da FGV e a pesquisa do Instituto Fractal acompanharam a atuação das plataformas de investimentos. Pelo resultado, a XP Investimentos foi classificada como a melhor plataforma para o varejo. No detalhe, a XP recebeu nota 10 por: desempenho dos fundos; diversidade de carteiras e taxas de administração no varejo. “Temos uma plataforma bastante ampla, no início eram cerca de 300 carteiras, hoje, tem mais de 500 de 130 gestores, a grande maioria, fundos de terceiros”, diz Gustavo Pires, diretor de fundos de investimentos da XP.

Pires explicou que entre os fundos de Alpha (gestão ativa), as taxas de administração vistas na plataforma são competitivas com o mercado, e entre os fundos de Beta (gestão passiva), os custos são bem menores, entre 0% e 0,50% ao ano. “Um dos critérios para listagem na plataforma é a taxa de administração, que precisa ser compatível com o mandato do fundo. E nos dias atuais, com a comparação em tela, se tiver um price (preço) muito errado, o fundo perde competitividade”, afirma.

Entre os produtos da própria XP, Pires mencionou que a casa possui taxas de administração bastante competitivas com seus parceiros de distribuição. Nos exemplos de fundos classificados com quatro ou cinco estrelas pela FGV, a carteira XP Referenciado DI Crédito Privado possui custo de 0,3% ao ano, a XP Inflação IPCA (0,5%), a XP Investor Crédito Privado Longo Prazo (0,75%), enquanto o multimercado XP Crédito Estruturado 360 registra taxa de administração de 1,75%. “Esse último, de crédito estruturado, o resgate tem prazo de um ano. O retorno ficou acima de 155% do DI em doze meses”, diz.

Questionado sobre essa questão da liquidez, Pires citou uma solução desenvolvida pela XP. “No Resgate Express, o investidor pode fazer uma antecipação do resgate, com o custo do DI no período. Se comparado com um crédito de emergência, é muito mais barato e o dinheiro vai direto para a conta corrente”, afirma.

BTG NA ALTA RENDA A plataforma BTG Pactual Digital foi considera a melhor para o varejo seletivo, ou seja, voltada para pessoas físicas de alta renda. Com nota 10 em custos de administração na classificação geral, a plataforma inovou ao trazer para o mercado, a taxa zero no fundo BTG Pactual Tesouro Selic. “Fomos pioneiros em lançar um fundo com taxa zero, mais barato que a mesma aplicação em LFTs no Tesouro Direto, que possui uma taxa de custódia de 0,25% ao ano pela bolsa de valores (B3). Uma iniciativa tão acertada, que logo nos copiaram”, diz Marcelo Flora, sócio responsável pelo BTG Pactual Digital. Com esse modelo, o fundo BTG Pactual Tesouro Selic consegue aderência de 100% da taxa DI. “O aporte em pós-fixados é apenas uma parte do portfólio dos investidores, e serve como uma reserva financeira para emergências. A taxa zero atrai investidores que vão compor suas carteiras com outros produtos”, afirma.

“Fomos pioneiros em lançar um fundo com taxa zero, mais barato que a mesma aplicação em lfts no tesouro direto” Marcelo flora, responsável pelo BTG Pactual digital.

Ele citou como produtos adicionais, a oferta de crédito privado, como certificados de depósito bancário (CDBs) com prazos longos e rentabilidade mais alta. “Assumimos o papel da gestão de liquidez para os clientes, e com o benefício de um retorno melhor em renda fixa”, diz. Flora contou ainda que a estratégia de atração de clientes se expandiu para fundos passivos de Ibovespa, de Dólar e de Ouro, com taxas de 0,10% ao ano. “Na gestão passiva, a estrutura de custos é mais baixa”, diz.

Quanto aos avanços em simplificação, Flora conta que 40% das contas digitais são abertas e começam a operar em menos de duas horas. “Outra vantagem para o investidor é que a gente já é banco, conseguimos oferecer até crédito no home broker”, afirma. Sobre os desafios para 2020, o executivo afirma que a plataforma pretende se manter na vanguarda. “Não se pode perder o foco e a atenção ao investidor”, diz. Questionado sobre novidades, Flora revelou que em breve, seus clientes de perfil conservador vão ter acesso a produtos bancários de risco de crédito muito baixo. “Estamos conversando com os grandes bancos, a listagem em nossa plataforma”, afirma.

METODOLOGIA Na análise dos fundos, o Centro de Estudos em Finanças da FGV considera a tradicional metodologia do Índice de Sharpe, criado pelo americano William Sharpe, Prêmio Nobel de Economia de 1993, com adaptações ao mercado brasileiro. Esse método permite analisar as carteiras comparando a rentabilidade e o risco aos investidores. Nas categorias Geral, Varejo, Varejo Seletivo e Alta Renda, o desempenho dos fundos e a diversidade respondem por 40% da nota final, a variação da taxa de administração pesa 7,5%, assim como a variação do tíquete médio (7,5%), a evolução do número de reclamações (7,5%), o custo dos pacotes de serviços financeiros (7,5%), enquanto a satisfação dos clientes colhidos pela pesquisa do Instituto Fractal tem representatividade de 30% da nota final. Já nas categorias Ações, Multimercados, Renda Fixa e Money Market, o desempenho e a diversidade dos fundos representam 80% da nota, enquanto a verificação das taxas de administração tem peso de 10% e tíquete médio, 10%. “Os critérios são bem conhecidos de todos os participantes”, diz William Eid. Na prática, a publicação anual do MBI serve como um ranking capaz de aferir a evolução qualitativa do mercado de investimentos ao longo do tempo.

DIVERSIDADE NO BB: O Banco do Brasil disponibilizou fundos que antes estavam restritos aos clientes BB Estilo (alta renda) para todos os clientes de sua rede bancária.