Economia

Caçadores alemães buscam carne ‘ética’

Caçadores alemães buscam carne ‘ética’

Shanna Reis, jovem alemã, adepta da caça "ética" para o consumo de carne, em Aspisheim - AFP

Com dreads e piercings no nariz, Shanna Reis não tem o típico perfil dos caçadores que encurralam suas presas. Esta alemã de 28 anos deseja encarnar uma nova geração que se preocupa em controlar a carne que chega aos seus pratos.



Vegetariana há uma década, esta viticultora voltou a ser carnívora desde que obteve sua licença de caça há cinco anos. Ela consome apenas carne de presas selvagens e, se possível, caçadas por ela.

“É importante saber de onde vem a carne que como”, explica Shanna, com o rifle no ombro e acompanhada de um de seus três cachorros em meio às vinhas que cercam a cidade de Aspisheim, perto de Mainz (centro-oeste).

A licença de caça é cada vez mais popular na Alemanha, o principal país consumidor de carne de porco da União Europeia, onde um poderoso setor industrial mata mais de 55 milhões de porcos e 3,5 milhões de bois todos os anos.

A imagem ruim associada a esta produção em massa se agravou ainda mais durante a pandemia de covid-19, devido à onda de surtos de infecção que apareceram nos matadouros, principalmente entre os funcionários de Tönnies, líder do setor.



Esses episódios revelaram as escandalosas condições de trabalho dos subcontratados estrangeiros desta indústria que vende carne a um preço baixo.

– Mais licenças –

A ideia de consumir as presas que se caça está ganhando espaço na Alemanha, de acordo com a federação nacional da caça “Jagdverband”. No final de 2020, esta entidade contava com “cerca de 390.000” associados, o que corresponde a “um quarto a mais do que há 30 anos”, segundo sua porta-voz, Anna Martinsohn.

De qualquer modo, este número continua longe do de caçadores na França – cerca de um milhão em 2019, mas que caiu pela metade em 40 anos.

Na Alemanha, 19.000 candidatos tentaram obter licenças de caça no ano passado. O pedido de quatro a cada cinco candidatos foi aceito, ou seja, “duas vezes mais que há dez anos”, aponta Martinsohn.

Ativa nas redes sociais, Shanna Reis quer dar uma imagem menos cruel à caça.

“Também é necessário projetar biótopos, discutir com os agricultores e a economia florestal”, explica.

Os caçadores também devem levar em conta a regulamentação dos animais selvagens defendida por guardas florestais e agricultores. Estes defendem uma matança maior, já que os cervos comem os brotos das árvores jovens e os javalis pisoteiam os campos de milho.


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