Ciência

Butantan atrasa resultados da Coronavac e planeja pressionar Anvisa

Crédito: Divulgação/Instituto Butantan

A Coronavac pode ser a primeira vacina liberada pela Anvisa no Brasil (Crédito: Divulgação/Instituto Butantan)

O Instituto Butantan resolveu atrasar em até dez dias a divulgação dos resultados da eficácia da Coronavac, a vacina chinesa feita pela Sinovac em parceria com o instituto que será distribuída em São Paulo. Os dados são relativos à análise final do estudo e serão vitais para a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Na prática, o Instituto e o governo de São Paulo montaram toda uma engenharia para acelerar a aprovação da vacina pela Anvisa. Oficialmente o discurso dá conta que o número de voluntários infectados no estudo aumentou de 74 para 170 contaminados, o que dará mais robustez ao estudo. A parcial da fase final de testes seria apresentada amanhã (15), mas como houve esse aumento, o envio será feito até o dia 22 de dezembro.

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Segundo o jornal Folha de SP, ao atrasar a divulgação dos dados, o Instituto ganha tempo para agir em consonância com a Sinovac na China. Por lá, a farmacêutica planeja fazer o pedido de liberação ao governo comunista pouco antes do natal e, caso obtenha o registro que pode sair em até três dias, a Anvisa fica obrigada a liberar o imunizante no Brasil em um intervalo de 72 horas.

Isso tudo só será possível por uma lei aprovada em fevereiro, que concede aos governadores carta branca para o uso emergencial de compostos médicos aprovados em agências de regulação na Europa, Japão, China e Estados Unidos. Caso uma dessas agências libere qualquer tipo de remédio ou produto que combata a pandemia da covid-19, os estados podem utilizá-los por aqui sem aval da Anvisa, ou aguardarem a liberação da agência brasileira dentro de 72 horas – algo incomum para um órgão que costuma levar dias nos processos de análises.

Foram mais de 13 mil voluntários testados pelo Instituto Butantan em 16 centros de pesquisa de todas as regiões. Desses voluntários, inicialmente 74 foram infectados pela covid-19 e o número já era superior aos 61 casos mínimos para definir a eficácia de uma vacina. Havia, no entanto, temor de que a Anvisa exigisse mais dados e a liberação da vacina chinesa acabasse adiada por mais dias.

Como houve um aumento inesperado nos casos entre voluntários para 170 e o mínimo de 151 infectados para considerar o estudo completo foi atingido, optou-se por segurar a liberação dos resultados. Na prática, isso poderá resultar no aumento dos valores de eficácia da vacina e fortalecer a distribuição do imunizante na rede pública. Vale lembrar que nas duas fases anteriores a Coronavac apresentou resposta imune em até 97% dos casos, número que deve diminuir nesta terceira fase.

Além disso, acelerar a distribuição da vacina é um trunfo importante para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), atualmente em guerra com o governo federal pela forma como a política de combate à pandemia é definida em Brasília. A Coronavac, que já conta com um plano de distribuição, pode garantir ao estado paulista o posto de vanguarda na luta contra a covid-19 e projetar ainda mais o tucano no cenário nacional.


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