Ciência

Buraco negro supermassivo de tempos remotos do Universo é detectado

Buraco negro supermassivo de tempos remotos do Universo é detectado

Documento fornecido em 29 de setembro de 2020 pelo Observatório Europeu Austral (ESO) mostrando a representação de um buraco negro supermassivo no centro de galáxias presas em filamentos cósmicos - European Southern Observatory/AFP

Um grupo de astrônomos detectou um conjunto de galáxias com um buraco negro supermassivo no centro que data de tempos remotos do Universo, uma descoberta que permitirá saber mais sobre a formação desses enigmáticos monstros cósmicos – aponta estudo divulgado nesta quinta-feira (1o).

Capturada pelo Observatório Europeu Austral (ESO) no Chile, a cena se dá quando o Universo não tinha nem 1 bilhão de anos, ou seja, 10% de sua idade atual (13,8 bilhões de anos): seis galáxias se encontram no meio de filamentos cósmicos semelhantes a uma teia de aranha, atrás da qual aparece um buraco negro com uma massa um bilhão de vezes a do Sol.

Esses primeiros buracos negros, que teriam nascido com o colapso das primeiras estrelas, são “um dos objetos astronômicos mais difíceis de entender”, disse Marco Mignoli, do Instituto de Astrofísica de Bolonha (Itália), principal autor do estudo publicado na revista “Astronomy & Astrophysics”.

“Antes, acreditávamos que eles eram pequenos e que cresciam ao longo do tempo, ao longo dos 13 bilhões de anos. Mas o fato de termos encontrado (deste enorme tamanho) tão cedo na história do Universo mostra que eles evoluíram muito mais rapidamente”, explicou à AFP a astrofísica Françoise Combes, do laboratório LERMA do Observatório Paris-PSL.

Como é possível um crescimento tão rápido? O estudo sugere que a imensa rede de filamentos e as galáxias que se aglomeram nela contêm gás suficiente para fornecer o “combustível” necessário. Assim, o buraco negro devoraria o gás dos filamentos da galáxia principal, em que está alojado, transformando-se em um gigante cósmico de forma acelerada.

“No início do Universo, havia muito mais gás e uma densidade maior do que agora”, explicou Combes. É nessas regiões “superdensas”, os filamentos, onde tudo acontecia mais rapidamente, que tais objetos podem ter-se formado.

Com a expansão do Universo, o gás se espalhou, e os filamentos se diluíram.

A Via Láctea está em uma região muito menos densa, que esta pesquisadora compara “ao campo”, já que seu buraco negro central tem massa “apenas” quatro milhões de vezes maior que a do Sol, no que diz respeito às “grandes aglomerações” que constituem os agrupamentos de galáxias.

A observação dessas galáxias, entre as mais difíceis de detectar, foi possível graças ao Very Large Telescope of Chile (VLT) e a seu instrumento MUSE.

“Acreditamos ter visto apenas a ponta do iceberg e que essas galáxias encontradas ao redor do buraco negro são apenas as mais brilhantes”, de acordo com Barbara Balmaverde, coautora do estudo.

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