Finanças

Buffett e a aposta asiática

Empresa do bilionário muda estratégia e investe US$ 6,7 bilhões em cinco empresas japonesas. E quer muito mais.

Crédito: Steve Pope

"Estou muito satisfeito por participar do futuro do Japão” Warren Buffett Investidor e Bilionário. (Crédito: Steve Pope)

Poucas pessoas podem se dar ao luxo de comemorar 90 anos em atividade e trabalhando. Entre elas está o bilionário americano Warren Buffett, presidente da empresa de investimentos Berkshire Hathaway e sexto homem mais rico do mundo. Conhecido por comprar ações há quase oito décadas, Buffett tornou-se bilionário com uma abordagem extremamente conservadora em termos de investimentos, que transformou a Berkshire em um colosso de US$ 521 bilhões. Ao longo de sua longa trajetória no mercado, ele sempre fugiu de tecnologia, evitou startups, preferiu empresas maduras e nunca colocou quantias significativas fora dos Estados Unidos. Até o dia 30 de agosto, claro, data em que completou 90 anos. Em pleno domingo, a Berkshire Hathaway anunciou que comprou participações nas cinco principais tradings do Japão. As participações representam cerca de 5% do capital de cada trading, e têm um valor combinado de US$ 6,7 bilhões com base no fechamento de segunda-feira (31).

As cinco tradings – Itochu, Marubeni, Mitsubishi, Mitsui e Sumitomo – são conhecidas como “sogo shosha” no Japão. Desempenham um papel vital na economia nipônica e atuam em vários setores, como energia, tecnologia e indústria. “Estou muito satisfeito por a Berkshire Hathaway estar participando do futuro do Japão e das cinco empresas que escolhemos para investimento”, disse Buffett em comunicado. Ele observou que o movimento é um passo para a internacionalização, pois as companhias atuam em vários países, Brasil inclusive. “Espero que no futuro haja oportunidades de benefício mútuo.” A Berkshire também informou que pretende manter os investimentos no longo prazo, acrescentando que pode aumentar o tamanho de suas participações para até 9,9%. As apostas estão entre as incursões mais notáveis da Berkshire na Ásia. Ela também tem participação na BYD (BYDDF), a maior fabricante de veículos elétricos da China.

Mudança mais recente em sua filosofia de investimentos, as compras na Ásia não foram a única exceção. Buffett sempre foi cauteloso com o setor de tecnologia, preferindo evitar investimentos que não conseguia entender. Mas, a partir de 2016, ele começou a acumular ações da Apple. Essa mudança de opinião valeu a pena, com a participação da Berkshire na Apple avaliada em US$ 91,5 bilhões no final do segundo trimestre, em comparação ao seu custo de US$ 35,3 bilhões.

As mudanças deverão continuar. O caixa da Berkshire está estimado em US$ 146 bilhões, dinheiro que está queimando nas mãos do bilionário devido aos juros americanos estarem perto de zero. O problema afetou as ações da empresa, que apresentaram desempenho inferior ao do índice S&P 500 na última década. Por isso, o bilionário está disposto a mudar algumas de suas práticas de longa data, como investimentos inéditos em commodities. No início de agosto, a Berkshire comprou participação na Barrick, empresa canadense de mineração de ouro que é uma das mais valiosas do mundo. Os preços do ouro atingiram seus máximos históricos.

Além da diversificação geográfica, das apostas na tecnologia e nas commodities, a Berkshire está rompendo com outra prática antiga, a proibição de recomprar as próprias ações. Por muito tempo, ele também preferiu investir em outras companhias ou comprar empresas diretamente em vez de recomprar ações. Todas as suas apostas recentes são um lembrete aos investidores de que, mesmo aos 90 anos, Buffett está sempre disposto a procurar outras maneiras de a Berkshire rentabilizar seu capital.

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