Dinheiro em Ação

Brumadinho gera mais um prejuízo milionário à Vale

Brumadinho gera mais um prejuízo milionário à Vale

Papéis avulsos

A Vale informou um prejuízo de US$ 133 milhões no segundo trimestre de 2019, revertendo o lucro de US$ 76 milhões em igual período do ano passado. Os resultados da mineradora continuando sendo prejudicados pelo desastre em Brumadinho. Ainda assim, as perdas de abril a junho diminuíram consideravelmente frente ao prejuízo de US$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre do ano. “O segundo trimestre foi um período de transição para o negócio, com o rompimento da barragem em Brumadinho ainda impactando volumes, custos e despesas”, declarou Eduardo Bartolomeo, diretor-presidente da Vale. O que impediu um resultado pior foi o forte crescimento de 53,2% no preço do minério de ferro, que teve como uma das principais causas justamente a queda na produção da Vale por conta da catástrofe. Por conta desse aumento, a receita líquida da mineradora avançou 6,6%, para US$ 9,1 bilhões.

 

Consumo

Renner decepciona analistas

A varejista Lojas Renner não correspondeu às expectativas do mercado ao anunciar uma queda de 14,4% no lucro líquido do segundo trimestre, que caiu para R$ 235 milhões. Foi a primeira queda após dez trimestres consecutivos de alta no lucro da companhia. O aumento das despesas e a variação cambial foram as principais causas para o recuo. As ações da Renner fecharam em baixa de 2,2% no pregão seguinte à divulgação do balanço, mas no ano ainda acumulam uma alta de 24,3%.

 

Touro x Urso

O recesso do Congresso, o principal guia do mercado financeiro nos últimos meses, têm mantido a bolsa em banho-maria. Sem noticias sobre o andamento das reformas, em que estão depositadas todas as fichas para a retomada da economia, os investidores não se animam para renovar as apostas. Com isso, o Ibovespa segue preso em um intervalo estreito, oscilando próximo dos 102 mil pontos.

 

Imobiliário

BTG Pactual aposta na retomada do consumo

O BTG Pactual comprou, por R$ 696 milhões, a participação da BR Malls em sete shoppings, localizados no Rio de Janeiro, Macaé, Londrina, Osasco, Contagem e Palmas. Concomitantemente, a BR Malls aumentou sua participação em um shopping em Caxias do Sul por R$ 84,4 milhões. As ações da BR Malls sobem 17,8% no ano, e as do BTG, 159,2%.

 

Destaque no pregão

Itaú Unibanco lucra R$ 7 bilhões em três meses

Impulsionado pela retomada do crédito à Pessoa Física, o lucro líquido do Itaú Unibanco, presidido por Candido Bracher, cresceu 10,2% no segundo trimestre de 2019, na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 7 bilhões. A carteira PF do banco teve um avanço de 14,2% de abril a junho, para R$ 221,5 bilhões, com destaque para as operações com cartões de crédito, crédito pessoal e veículos. Já a carteira PJ, de R$ 177 bilhões, subiu 4,3%. Nesse caso, puxaram o segmento as empresas de pequeno e médio porte. O crescimento da carteira de crédito consolidada do Itaú, de 5,9%, ficou abaixo das projeções do banco, que espera uma evolução entre 8% a 11% no ano. A inadimplência ficou praticamente estável, em 2,9%. As ações do Itaú caíram 3,32% no pregão seguinte à divulgação do balanço. No acumulado do ano elas sobem 6,1%, bem abaixo da alta de 17,1% do Ibovespa.

Palavra do analista:
“O resultado não trouxe nenhuma grande surpresa, mas mostrou tendências positivas”, diz Eduardo Rosman, do BTG Pactual. “Onde mais importa (crédito às PMEs e à PF) o crescimento acelerou”. O fechamento de 200 agências e o programa de demissão voluntária devem aprimorar a eficiência do banco, prevê Rosman.

 

Mineração

CSN se apoia na venda de minério para crescer

A Companhia Siderurgia Nacional (CSN) agradou o mercado com um crescimento de 59% do lucro líquido no segundo trimestre, que subiu para R$ 1,8 bilhão. O aumento de 33% nas vendas de minério de ferro para o mercado externo, parcialmente compensado pela queda de 17% no interno, foi o destaque da empresa presidida por Benjamin Steinbruch. As ações da CSN sobem 94,6% no ano.

 

 

Mercado em números

TIM
R$ 423 milhões – Foi o lucro líquido da operadora de telefonia no segundo trimestre, que cresceu 26% na comparação anual, beneficiado pelo avanço de 11,8% na base de clientes de planos pós-pagos

HYPERA
R$ 336,9 milhões – É o quanto a companhia farmacêutica lucrou de abril a junho, uma alta de 21,3% ante igual período do ano passado, graças ao aumento de 5,8% da receita líquida, como reflexo do crescimento nas vendas de medicamentos

SMILES
R$ 155,7 milhões – Foi o lucro líquido da empresa de programa de milhagens, que aumentou 36,4%, aproveitando o espaço deixado com a quebra da Avianca

ENEL SP
R$ 131,1 milhões – Foi o lucro líquido da distribuidora de energia no segundo trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 155,6 milhões no mesmo período do ano anterior com um crescimento de quase 190% do ebitda e forte redução das despesas

SONAE SIERRA
R$ 34,5 milhões – É o lucro líquido da administradora de shoppings, que caiu 17,1% influenciado negativamente pela queda nas vendas dos hipermercados e nas receitas de serviços

 

Número da semana

0,8%

Foi a queda do Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista em junho em relação a maio, informou a Fiesp na terça-feira 30, considerando-se a série com ajustes sazonais. Sem ajustes, o tombo foi muito maior: 7,3%. As grandes influências para o resultado do INA em junho foram as quedas de 2,7% nas vendas reais e de 0,1% nas horas trabalhadas na produção. Já os salários médios reais subiram 0,6% e o Nível de Utilização da Capacidade Instalada avançou 0,4%. A pesquisa Sensor de nível de atividade referente a julho caiu 1,5 ponto percentual, para 47,5 pontos. Pelo terceiro mês consecutivo o indicador permanece abaixo de 50 pontos, registrando desaceleração do nível de atividade econômica e expectativa de demissões. A maior queda foi nas vendas, que caíram 10,3 pontos em julho para 43,2 pontos.

 

 

Entrevista da semana

“Vamos retirar entraves das transações financeiras e trazer eficiência e segurança ao sistema”

Alan Chusid, sócio da startup Spin Pay

O empresário Alan Chusid aposta no potencial da digitalização do mercado. Um dos criadores do banco Neon, ele deixou a instituição financeira em junho de 2018 para se dedicar a um novo projeto: uma empresa que facilita os pagamentos, a Spin Pay. Usando tecnologia blockchain e criptografia, os usuários poderão comprar sem recorrer a dinheiro ou cartões. A partir de setembro, por meio de parcerias com lojistas e instituições financeiras cadastrados no Spin Pay, o consumidor poderá comprar pela internet e o valor da compra será descontado diretamente da conta, de maneira digital.

Que vantagem a Spin Pay traz ao mercado?
Vamos viabilizar a transferência de valores entre consumidor e lojista sem cartão ou boleto, retirando uma série de intermediários do caminho. Por isso teremos um sistema muito mais eficiente e seguro do que o modelo atual.

Como vai funcionar a operação?
Eu vou comprar uma camiseta em um site usando minha conta em um determinado banco. Em vez de digitar os dados do cartão ou emitir um boleto, posso escolher pagar pelo banco em que tenho conta. O sistema fará todo o trabalho, enviando um pedido de autorização do pagamento no aplicativo do banco.

Qual o público-alvo?
O foco são as plataformas de e-commerce e sua crescente base de usuários. Queremos atingir os nativos digitais, que estão acostumados com esse ambiente, mas em muitos casos ainda não conseguem fazer compras on-line.

Quantos parceiros já estão cadastrados?
Até agora são 20 prestadores de serviços e produtos e dez instituições financeiras, mas não posso ainda abrir os nomes.