Dinheiro em Ação

Brumadinho custa R$ 6,4 bi à Vale

Brumadinho custa R$ 6,4 bi à Vale

Papéis avulsos

A Vale amargou um prejuízo de R$ 6,4 bilhões no primeiro trimestre de 2019, revertendo o lucro de R$ 14,4 bilhões no quarto trimestre de 2018. A mineradora viu seus resultados desabarem pela tragédia ocorrida com o rompimento da barragem na cidade mineira de Brumadinho em janeiro, que resultou na morte de 240 pessoas. Outras 30 seguem desaparecidas. O impacto financeiro na geração de caixa medida pelo Ebitda foi de R$ 19 bilhões. O montante servirá para que a empresa pague os acordos firmados com as famílias atingidas pelo desastre e também para investir em melhoria na segurança das barragens. Por conta disso, pela primeira vez em sua história de 77 anos a empresa registrou um Ebitda negativo de R$ 2,8 bilhões. A catástrofe ambiental também resultou em menor volume de vendas, já que a companhia teve de interromper uma série de operações em barragens próximas a de Brumadinho. Com isso a receita liquida recuou 17,4% de janeiro a março frente ao trimestre imediatamente anterior. A dívida líquida, também sob o impacto da calamidade, aumentou 25% diante do bloqueio de recursos e a necessidade de captação.

 

Quem vem lá

BBM Logística no Bovespa Mais

A BBM Logística listou suas ações no segmento de acesso Bovespa Mais, voltado para empresas que ainda não reúnem condições para fazer uma oferta pública de ações. “A listagem está alinhada com o plano de crescimento da BBM, onde a empresa passa a estar preparada para uma eventual oferta de ações. Este ano pretendemos investir fortemente em novos ativos e operações, e com isto alcançar um faturamento de R$ 1 bilhão até 2022, objetivo que pode ser antecipado através de aquisições”, afirmou André Prado, CEO da BBM Logística, durante a cerimônia na B3.

 

Touro x Urso

Sem novidades sobre a reforma da previdência, os investidores mantiveram seus olhares voltados para o cenário internacional. Os novos capítulos da guerra comercial entre China e Estados Unidos fizeram as bolsas globais iniciarem a semana com fortes perdas. No Brasil, o Ibovespa caiu 2,69% no pregão de segunda-feira 13, aos 91,7 mil pontos. Foi a maior queda diária desde 27 de março, que levou a pontuação da bolsa aos patamares de janeiro.

 

Consumo

Via Varejo oscila com rumores sobre venda de ações

Rumores não confirmados de uma associação entre o empresário Michael Klein e a XP Investimentos movimentaram as ações da Via Varejo, dona das Casas Bahia e Ponto Frio. Na segunda-feira 13, as ações da companhia subiram 2,60% e recuaram 3,8% no pregão seguinte. Procuradas, Via Varejo e Pão de Açúcar não comentaram o assunto. A XP Investimentos informou que “está sempre analisando junto a seus clientes possibilidades quanto a seus negócios, não tendo nada até o momento com a Via Varejo”. Entre idas e vindas, as ações da varejista sobem 3,6% no ano.

 

Destaque no pregão

Números do BB agradam mercado

O lucro do Banco do Brasil subiu 40,3% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, avançando para R$ 4,2 bilhões. Em linha com o ritmo fraco de expansão da economia, a carteira de crédito cresceu apenas 0,8%, para R$ 684,2 bilhões. Um dos destaques foi a alta de 7,8% junto às pessoas físicas. Os empréstimos pessoais atingiram R$ 8,5 bilhões, alta de 85,9%, respondendo à estratégia de crescimento de crédito não consignado dentro da base de clientes do BB. No agronegócio, os financiamentos avançaram 1,5%. Já a concessão de crédito corporativo caiu 3,7% na comparação anual, principalmente pela queda de 13% nas grandes empresas. Também contribuiu positivamente para os números a queda de 26,3% nas despesas de provisão de crédito. Em 2019 as ações do banco sobem 4,5%.

Palavra do analista:
O resultado do Banco do Brasil foi melhor que o esperado e mostrou uma contínua recuperação na qualidade da carteira de crédito, com eficiente controle das despesas administrativas, segundo os analistas da Guide. Eles esperam que a tendência de queda nas provisões para devedores em atraso prossiga nos próximos trimestres.

 

Seguros

SulAmérica sai de capitalização e entra na Órama

A seguradora SulAmérica está alterando suas prioridades. Na segunda-feira 13, ela anunciou a venda para o grupo Icatu de sua carteira de capitalização e de sua participação minoritária na Caixa Capitalização. Também divulgou a compra de 25% da plataforma de investimentos Órama. As operações têm como objetivo “concentrar a atuação da SulAmérica em segmentos em que possui maior potencial de crescimento e vantagens competitivas”, diz o fato relevante. A venda da capitalização vai render R$ 100 milhões à SulAmérica, montante que pode aumentar em R$ 83 milhões caso determinadas condições previstas em contrato sejam cumpridas. O valor investido para a aquisição de participação na Órama foi também de R$ 100 milhões. No ano, as ações da SulAmérica têm valorização de 15,4%.

 

 

Mercado em números

ELETROBRAS
R$ 1,3 bilhão – O lucro da empresa de energia saltou 178% nos três primeiros meses do ano, frente ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo aumento no faturamento das geradoras e queda nas despesas com pessoal

JBS
R$ 1,1 bilhão – Foi o lucro do frigorífico de janeiro a março, que mais que dobrou frente aos R$ 506,5 milhões obtidos em igual período de 2018, beneficiado pela presença geográfica diversificada e pelo mix de produtos

COSAN
R$ 395 milhões – Foi o lucro da empresa de combustíveis e gás no primeiro trimestre de 2019, que aumentou 14,% na comparação com o mesmo período do ano passado. O aumento se deve ao bom desempenho das controladas Comgás e Moove

NOTRE DAME INTERMÉDICA
R$ 147,5 milhões – Impulsionado pelo crescimento dos planos de saúde, odontológicos e serviços hospitalares, a empresa viu seu lucro crescer 7,2% no primeiro trimestre de 2019, em comparação com o mesmo período de 2018

ALPARGATAS
R$ 43,5 milhões – O lucro da fabricante das Havaianas despencou 61,5% no primeiro trimestre de 2019, influenciada negativamente pela fraca economia da Argentina, onde a empresa tem participação relevante

 

Número da semana

62,6 milhões

É o número de brasileiras e brasileiros com o nome sujo na praça, segundo uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Apesar de o crescimento do número de negativados estar desacelerando, o dado de abril ainda é 2% superior ao do mesmo mês de 2018. O crescimento vem perdendo velocidade desde novembro do ano passado, quando o número de cidadãos com restrições ao crédito era 6% superior ao de novembro de 2017. O dado representa mais de 40% da população adulta brasileira, segundo a CNDL/SPC. A pesquisa constata que há restrições para mais da metade dos brasileiros com idade entre 30 e 39 anos. A maior parte das pendências (52%) está ligada a bancos. Em seguida aparecem os segmentos do comércio (17%), de comunicações (12%) e de água e luz (10%).

 

 

Entrevista da semana

“A bolsa pode subir 20% nos próximos doze meses”

Fabio Motta, da Western Asset

Apesar de a reforma da previdência ter monopolizado a atenção dos investidores nas últimas semanas, boa parte do mercado tem ignorado pontos importantes que também podem turbinar os preços das ações, diz Fábio Motta, gestor de renda variável da Western Asset. Ele se lembra de mudanças microeconômicas realizadas ainda no governo Temer, como a aprovação da lei dos distratos no setor imobiliário e das duplicatas eletrônicas no sistema financeiro. “São medidas que melhoram bastante o ambiente de negócios”, diz Motta. O gestor conversou com a DINHEIRO.

Qual sua visão para a bolsa no curto prazo?
Positiva. A bolsa pode subir 20% nos próximos doze meses. O cenário externo continua benigno. O crescimento das economias desenvolvidas não é acentuado a ponto de forçar os bancos centrais a elevar os juros, o que poderia roubar recursos dos emergentes. No cenário doméstico, o mercado tem dado muita atenção à reforma da previdência, mas tem se esquecido de medidas microeconômicas muito importantes.

Quais medidas?
A lei dos distratos e a das duplicatas eletrônicas, por exemplo. A primeira reduziu a insegurança jurídica para as incorporadoras, que sofreram demais com devoluções de imóveis. As duplicatas eletrônicas poderão reduzir os juros cobrados pelos bancos, aumentando a concessão de empréstimos e estimulando a atividade econômica.

A bolsa não precisa de notícias novas para voltar a subir?
Sim. Mas Legislativo e Executivo estão negociando melhor para fazer a agenda de reformas avançar. Porém, os preços dos ativos ainda não refletem essa mudança no cenário. Ainda assim, é preciso reconhecer que a maior parte do mercado tinha a expectativa de que a recuperação da atividade estaria melhor nessa altura do campeonato.