Dinheiro em Ação

BRF refinancia dívidas

Crédito: Divulgação

Papéis avulsos

A BRF informou ter fechado o refinanciamento de uma linha de crédito de R$ 1,6 bilhão com o Bradesco, alongando o prazo dos atuais 2,7 anos para 6,5 anos. Ao mesmo tempo, a companhia também realizou o pré-pagamento de uma parte de suas linhas de financiamento rural para o Banco Santander Brasil, compromisso que venceria no início de 2020, cujo principal soma R$ 700 milhões. Na avaliação da equipe da Guide Investimentos, o impacto da medida é positivo para os papéis da empresa. “A medida vai em linha com a estratégia de gestão de passivos, reduzindo o custo do seu endividamento e mantendo uma posição mais confortável de liquidez de curto prazo”, diz a gestora, em relatório. “Estamos mais otimistas com a BRF, com o avanço do plano de reestruturação operacional da empresa e a continuidade no foco de desalavancagem financeira, melhorando sua estrutura de capital. A BRF deve continuar a se beneficiar e quadro mais positivo do setor no mercado externo”, destacam os analistas.

 

Alimentos

Negócio da China

A Minerva Foods informou ter concluído entendimentos com dois representantes chineses para conquistar oportunidades de expansão dos negócios com carne bovina no gigante asiático. O objetivo, segundo a companhia é constituir uma joint venture (parceria) com os futuros sócios Xuefang Chem e Wembo Fe junto com a Minerva, ou com a subsidiária internacional da companhia, a Athena Foods. A movimentação busca fortalecer os canais de distribuição no mercado chinês, que responde por 15% do consumo mundial de proteína bovina.

 

Touro x Urso

Os dados do relatório de emprego norte-americano confirmaram um cenário de retração nos Estados Unidos. Para o estrategista do banco digital Modalmais, Felipe Sichel, o segundo semestre está difícil para a economia americana. “O que o Federal Reserve pode fazer no momento é seguir cortando a taxa de juros”, diz. O enfraquecimento do mercado de trabalho nos EUA aumenta o temor de desaceleração global.

 

Pagamentos

Carrefour Brasil leva 49% da Ewally

O Grupo Carrefour Brasil anunciou na última semana, a compra de 49% do capital da fintech Ewally, empresa da área de serviços financeiros digitais. O acordo ainda prevê uma opção de compra do controle após um período de três anos. Em comunicado ao mercado, a companhia listada na bolsa brasileira informou que a parceria permitirá desenvolver uma série de soluções financeiras para os clientes.

 

Destaque no pregão

NotreDame amplia rede com São Lucas Saúde

O Grupo NotreDame Intermédica (GNDI) irá pagar à vista a aquisição de 100% do capital da São Lucas Saúde, pelo montante de R$ 312 milhões. Como reflexo, o papel da empresa figurou entre as maiores altas do Ibovespa, num pregão em que o índice da bolsa brasileira fechou com perdas de 2,90%, aos 101.031,44 pontos. Ao mercado, a companhia informou que a rede da São Lucas, com três centros clínicos e um hospital, possui uma carteira de 87 mil beneficiários de planos de saúde na região de Americana, no interior de São Paulo. A transação ainda precisa ser aprovada pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Palavra do analista:
“Avaliamos o movimento de expansão da companhia para o interior paulista é extremamente positiva, sendo que hoje a atuação é focada na grande São Paulo. Gostamos do case de NotreDame que deve continuar a buscar ativos para aquisição após a oferta secundária de ações e mantemos nossa recomendação de compra para as ações”, escrevem os analistas da Guide Investimentos, que ponderaram que o São Lucas Saúde representa apenas 2,5% da receita líquida da NotreDame em 2019.

 

Internet das coisas

Weg compra 51% da V2COM

A Weg anunciou na última semana um acordo para a aquisição do controle (51%) da V2COM, uma empresa da área de tecnologia especializada em IoT (Internet of Things, ou internet das coisas, em inglês) e soluções de telemedição para sistemas interligados de energia elétrica. Segundo boletim da XP Investimentos, o valor da transação não foi divulgado. A V2COM é conhecida por ser focada justamente no segmento de energia, com um vasto leque de projetos em telemetria, e com soluções de IoT para outras companhias dos setores de água, gás e energia.

 

 

Mercado em números

VIVARA
R$ 25,40 – É o teto da faixa indicativa de preço do papel da Vivara, segundo o prospecto da companhia, cuja oferta pública de ações (IPO) está em andamento. Pelos rumores do mercado sobre o processo de bookbuilding (livro de ofertas), houve forte demanda pelos lotes, o que indica que a máxima indicativa do valor será atingida. O preço mínimo era de R$ 21,17 por ação.

EZTEC
R$ 2 BILHÕES – É o máximo da expectativa do valor geral de vendas da companhia para este ano, considerando somente a participação da empresa em diferentes empreendimentos. A faixa para essa expectativa (guidance) começa em R$ 1,5 bilhão. De acordo com analistas que cobrem o setor, isso demonstra um quadro mais positivo para o final do ano.

EMPRESAS DOMÉSTICAS
20% – É o aumento do ganho das empresas domésticas calculado pela equipe de análise do BTG Pactual. Para o próximo ano, o banco aponta um crescimento de 18%. Quanto se trata de receita líquida, a expectativa é de um aumento de 9,5% em 2019 e de 9% para 2020 para o mesmo grupo de companhias.

BANCOS
19% – É a expectativa de aumento dos ganhos dos bancos para este ano, de acordo com o BTG Pactual. Segundo a análise, as instituições financeiras respondem por 39,4% dos ganhos consolidados da amostra de companhias avaliadas.

 

Número da semana

R$ 60 bilhões

Será o valor de mercado da XP Investimentos em 2020, segundo cálculos dos analistas do BTG Pactual, Eduardo Rosman e Thomas Peredo. De acordo com os profissionais, a conta segue a mesma base de formulação de quando o Itaú Unibanco comprou 49,9% da XP por R$ 6 bilhões, em maio de 2017. Naquela ocasião, a XP foi avaliada em R$ 12 bilhões ou 30 vezes o lucro anual na época. Com base nos resultados da gestora no primeiro semestre de 2019, o lucro líquido da instituição caminha para R$ 1 bilhão neste ano, e dado o forte crescimento, para R$ 2 bilhões em 2020. Se o múltiplo de 30 for considerado, a XP atingirá o valor de mercado de R$ 60 bilhões em 2020. “Uma participação de 50% seria avaliada em R$ 30 bilhões, ou 10% do valor de mercado do Itaú. Alguém dúvida que o Itaú fez um ótimo negócio?”, dizem os analistas no relatório para investidores estrangeiros. O lucro líquido cresceu 60% no primeiro semestre de 2019. A receita bruta foi de R$ 2,25 bilhões, alta de 51% ante igual período do ano passado.

 

 

Entenda o risco

Ganho do poupador irá perder para inflação?

Retorno da caderneta ficará menor até dezembro

Se a expectativa do mercado for confirmada e a taxa básica de juros (Selic) cair para 4,75% ao ano até dezembro, o rendimento da tradicional caderneta de poupança — indexada a 70% da Selic — deverá cair para 3,32% ao ano. “Hoje, a poupança é uma aplicação pós-fixada, o risco é perder para a inflação, que ficará em torno de 3,4%”, aponta o professor e coordenador de cursos da Faculdade Fipecafi, Valdir Domeneguetti. O depósito é coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF. “Se tiver sorte na loteria e quiser deixar tudo na poupança terá que dividir o prêmio entre vários bancos para ficar mais seguro”, diz.

Criada junto com a Caixa Econômica Federal pelo governo imperial do Brasil em 1861, a poupança é a aplicação financeira mais popular do País, graças a sua simplicidade e rendimento líquido mensal, sem impostos. Do Plano Real em 1994 até 3 de maio de 2012, os aportes pagavam juros de 6% ao ano e a taxa referencial (TR). Aliás, se alguém ainda tiver recursos com data anterior a essa mudança de indexação, os ganhos líquidos de 0,50% ao mês (ou 6,17% ao ano) são garantidos.

Atualmente, com a taxa básica de juros em 5,5% ao ano, a caderneta rende 3,85% em 12 meses. “Mesmo com essas regras novas, a poupança ainda é muito competitiva em relação aos fundos DI que possuem taxas de administração elevadas”, compara o administrador de investimentos independente, Fabio Colombo. Ele lembrou que a aplicação popular precisa de 30 dias a partir da data do depósito para gerar ganhos, enquanto os fundos DI têm rendimento diário.