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BRF perde mais de R$ 200 milhões em derivativos após apostar em alta de suas ações

O cálculo é de que a BRF recuperaria o investimento caso suas ações voltassem a casa dos R$ 50, porém, hoje os papéis da empresa estão cotados em torno de R$ 20

Crédito: Divulgacão

Fábrica da BRF em Abu Dhabi (Crédito: Divulgacão)

Pressionados pela Operação Carne Fraca em 2017, a BRF realizou junto ao Banco Bradesco uma operação de “total return swap”, onde vendia ações compradas anos antes por R$ 53,60 pelo valor de R$ 42,02. A ideia era usar o mecanismo de derivativos de ações apostando na alta de seus papéis sem paralisar parte de seu caixa. O contrato firmado pelo ex-CEO, Pedro Faria, previa que a BRF pagaria 110% do CDI ao banco em troca da diferença positiva da variação do preço de suas ações.

O cálculo é de que a empresa recuperaria o investimento caso o papel voltasse a casa dos R$ 50. O problema é que hoje os papéis da empresa estão cotados em torno de R$ 20, devido a novas etapas da Operação Carne Fraca e embargos comerciais como o do mercado europeu.

Com isso, a BRF teve de pagar ao Bradesco 110% do CDI e também a variação negativa de suas ações. Em 16 de agosto de 2017, quando o instrumento derivativo foi assinado, as ações da BRF valiam R$ 41,49. Em 5 de fevereiro, data da liquidação final dos contratos – não havia possibilidade de renovação -, valiam R$ 25,24. A diferença supera R$ 200 milhões. É o dobro do que a BRF conseguiu com a venda da fábrica de hambúrguer de Várzea Grande (MT) para a Marfrig, em janeiro.