Estilo

Brasilidade na Westwing

Três anos depois de romper com a matriz alemã, operação cresce embalada pelo gingado das colaborações nacionais e pela expansão da rede de lojas no país.

Crédito: Divulgação

Para crescer no Brasil, a Westwing passou por um abrasileiramento. Depois de se descolar da matriz alemã, há três anos, com o apoio da gestora de fundos de investimento de risco Axxon Group, a operação se expande com gingado tropical desde que ganhou autonomia. Além do IPO que movimentou R$ 1,1 bilhão na B3 no início deste ano, o direcionamento independente permitiu à empresa se aproximar do público local, um ponto-chave para o seu crescimento no País. “Com a desvalorização da moeda, não vínhamos sendo priorizados”, disse o CEO da companhia, Andres Mutschler. “Agora, pudemos aumentar os investimentos e temos mais liberdade para definir as coleções. Estamos com uma cara mais colorida, bem-humorada e com um negócio mais inovador.” Por aqui, além de triplicar a rede do varejo físico em 2022, a plataforma também vem buscando se diferenciar em serviços, com o lançamento da consultoria de design de interiores e, mais recentemente, pelo fortalecimento na categoria de lifestyle com a aquisição da plataforma de viagens Zarpo (cujo valor não foi revelado).

A Westwing quer fortalecer seu ecossistema de inspiração, modelo de consumo pelo qual se firmou no mercado global. Na prática, a plataforma está ultrapassando os ambientes domésticos para ganhar terreno em outros espaços da vida do consumidor. Se a transação com a Zarpo for aprovada, o que só deve acontecer no início de 2022, a empresa terá impulso para dar o seu salto mais importante no segmento de lifestyle, que já vinha crescendo 4 pontos porcentuais ano a ano desde 2019 e representou 17% das vendas no terceiro trimestre deste ano. “Temos sinergias de negócios e de público, que é majoritariamente feminino das classes A e B”, afirmou Mutschler. Assim, as campanhas estão cada vez mais variadas, saindo dos móveis e utensílios domésticos para oferecer também coleções de roupas, cosméticos, produtos gourmet e, agora, experiências de viagens. Novos serviços, como o Westwing Design, que oferece consultoria profissional para decoração, complementam a estratégia para aumentar os carrinhos de compras e fidelizar o consumidor.

AUTONOMIA E… Independente da matriz, a operação brasileira lançou coleções mais coloridas para se aproximar do consumidor local. (Crédito:Divulgação)

Pela proposta semelhante a um moodboard virtual, os usuários visitam as plataformas em média quatro vezes por semana. Para sustentar seu caráter aspiracional, a Westwing colabora com artistas renomados e marcas premium, como nas campanhas mais recentes com o escritório Doma Arquitetura, da arquiteta Patricia Pomerantzeff, e a loja virtual da CasaCor São Paulo. O resultado no último trimestre foi de crescimento de 5% da receita líquida (R$ 86 milhões) na comparação com o mesmo período de 2020 e 155% superior ao terceiro trimestre de 2019. “Conseguimos manter a base do ano anterior, já bem elevada, mesmo com a retração de 22% na categoria de casa e decoração nesses três meses”, disse. O executivo atribui a queda à retomada das atividades presenciais, que provocou a migração da renda disponível para serviços fora de casa, como de consumo em restaurantes e de viagens, e a desaceleração da demanda para equipar a casa.

OTIMISMO A ambição de liderar o setor de casa e decoração no País exigiu que a companhia se adaptasse ao padrão brasileiro, conhecido pelas expectativas elevadas sobre serviços e sortimento. Para endereçar a primeira questão, lançou o Westwing Now, focado na venda de produtos funcionais em estoque. Com um ano e meio de operação, a plataforma foi responsável por 26% das vendas de julho a setembro e viabilizou entregas para o dia seguinte nas capitais paulista e fluminense, enquanto nas outras regiões o prazo é de até quatro dias úteis. Já o portfólio aumentou para mais de 1 milhão de itens, apoiado por uma cadeia com mais de 3 mil fornecedores.

…CAIXA O CEO Andres Mutschler liderou o processo de abertura de capital na B3 no início deste ano, quando a Westwing levantou R$ 1,1 bi. (Crédito:Divulgação)

Em 2022, a expansão da rede de lojas será prioritária para estourar a bolha da marca. Depois de quase dois anos com endereço apenas em São Paulo, no último mês a Westwing inaugurou duas lojas no Rio de Janeiro e, ainda em dezembro, deve abrir uma unidade em Campinas (SP) e uma em Brasília. Até o fim de 2022, a projeção é chegar a 15 lojas. “Entender o comportamento de consumo por região nos permitirá adaptar o portfólio aos consumidores locais”, afirmou Mutschler. Mesmo com o horizonte desafiador na economia, a estratégia de diversificação ajuda a operação nacional a seguir pelo lado bom do ritmo brasileiro: com otimismo e jogo de cintura.