Edição nº 1138 16.09 Ver ediçõs anteriores

Brasil vai colher mais um Pibinho. Por quê?

Brasil vai colher mais um Pibinho. Por quê?

Olá, pessoal, tudo bem? Vou direto ao ponto. A agenda econômica do ministro Paulo Guedes é muito boa, mas a articulação política do governo Bolsonaro é muito ruim. Resultado: as reformas não avançam, a confiança de empresários e consumidores está caindo e o Brasil deve registrar mais um crescimento econômico pífio neste ano, em torno de 1%. Será o terceiro ano seguido, após a mais grave recessão da história.Desde a vitória de Jair Bolsonaro, as expectativas do mercado financeiro estavam positivas devido às ideias liberais do ministro Guedes. Imaginava-se que, com a força das urnas, o presidente Bolsonaro conseguiria angariar votos suficientes para tocar os seus projetos através da “nova política”.

Se na Economia (Guedes) e na Justiça (Sergio Moro) há nomes de prestígio, o mesmo não ocorreu no núcleo político. O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, está longe de ser ovacionado no Congresso. O primeiro secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, caiu após denúncias e foi substituído por um militar, o general Floriano Peixoto.

Além disso, o PSL, partido de Bolsonaro, não tem coesão ideológica nem política para tentar liderar a formação de um bloco governista. E o próprio presidente Bolsonaro, apesar de 28 anos de experiência como deputado federal, não consegue ou não está disposto a exercer essa função.

Diante do vácuo político, a liderança dos trabalhos na Câmara dos Deputados caiu integralmente no colo do presidente Rodrigo Maia, cujas pretensões eleitorais em 2022 deixam dúvidas sobre o quão empenhado ele estará em aprovar rapidamente a agenda econômica de Guedes.

O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, disse recentemente o que muitos já sussurravam nos bastidores. As forças políticas que estão de olho em 2022 não querem dar de mão beijada para o governo a aprovação de uma boa agenda reformista que certamente colocaria o País nos trilhos do crescimento e, consequentemente, alçaria Bolsonaro à reeleição.

A conclusão, portanto, é óbvia: se o presidente da República acredita mesmo que é preciso priorizar a agenda liberal de Guedes, caberá a ele gastar o seu capital político para aprová-la, incluindo a fundamental e polêmica Reforma da Previdência.

Até agora, no entanto, o governo vem acumulando sucessivas derrotas no Congresso. Empresários, investidores e analistas começam a duvidar da capacidade do Palácio do Planalto de aprovar as reformas das aposentadorias, dos tributos e das novas regras eleitorais. Sem elas, o futuro do Brasil não será promissor.

Não bastasse a total desarticulação política, o governo jogou no lixo cem dias do Ministério da Educação e, agora, com as contas públicas no vermelho, se vê obrigado a anunciar um contingenciamento nesta área que deveria ser a prioridade do País. Está colhendo neste momento uma greve nacional.

Para piorar, o cenário internacional dá sinais de que o céu de brigadeiro dos últimos dez anos pode estar com os dias contados. A guerra comercial entre Estados Unidos e China, cujo desfecho é incerto, está desacelerando o PIB global. Trata-se de uma notícia ruim para os grandes exportadores como o Brasil.

Além disso, a alta do dólar pode pressionar a inflação, eliminando as chances de o Banco Central do Brasil reduzir os juros. Cá entre nós, o BC já demorou demais para reconhecer que o Pibinho está piorando o dramático quadro do desemprego. Faltou sensibilidade à autoridade monetária.

Podemos ainda incluir nesta conta do Pibinho de 2019 a tragédia de Brumadinho, que reduziu a atividade da mineração, e a crise na Argentina, que prejudica setores industriais brasileiros como o automotivo.

Cada vez que as expectativas econômicas pioram, o governo é obrigado a reduzir a previsão de receitas e, automaticamente, a anunciar cortes de despesas. Como num círculo vicioso sem fim, a redução nos gastos esfria ainda mais a economia, piorando as expectativas.

Está na hora de o governo Bolsonaro obter uma vitória política acachapante no Congresso Nacional sob o risco de perder popularidade e, no limite, a governabilidade. Tal cenário poderia levar o Brasil de volta à recessão. É verdade que não há mais tempo de salvar 2019, mas a boa agenda econômica, se implementada rapidamente, será capaz de entregar resultados positivos ao longo dos próximos três anos.


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