Brasil vai colher mais um Pibinho. Por quê?

Brasil vai colher mais um Pibinho. Por quê?

Olá, pessoal, tudo bem? Vou direto ao ponto. A agenda econômica do ministro Paulo Guedes é muito boa, mas a articulação política do governo Bolsonaro é muito ruim. Resultado: as reformas não avançam, a confiança de empresários e consumidores está caindo e o Brasil deve registrar mais um crescimento econômico pífio neste ano, em torno de 1%. Será o terceiro ano seguido, após a mais grave recessão da história.Desde a vitória de Jair Bolsonaro, as expectativas do mercado financeiro estavam positivas devido às ideias liberais do ministro Guedes. Imaginava-se que, com a força das urnas, o presidente Bolsonaro conseguiria angariar votos suficientes para tocar os seus projetos através da “nova política”.

Se na Economia (Guedes) e na Justiça (Sergio Moro) há nomes de prestígio, o mesmo não ocorreu no núcleo político. O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, está longe de ser ovacionado no Congresso. O primeiro secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, caiu após denúncias e foi substituído por um militar, o general Floriano Peixoto.

Além disso, o PSL, partido de Bolsonaro, não tem coesão ideológica nem política para tentar liderar a formação de um bloco governista. E o próprio presidente Bolsonaro, apesar de 28 anos de experiência como deputado federal, não consegue ou não está disposto a exercer essa função.

Diante do vácuo político, a liderança dos trabalhos na Câmara dos Deputados caiu integralmente no colo do presidente Rodrigo Maia, cujas pretensões eleitorais em 2022 deixam dúvidas sobre o quão empenhado ele estará em aprovar rapidamente a agenda econômica de Guedes.

O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, disse recentemente o que muitos já sussurravam nos bastidores. As forças políticas que estão de olho em 2022 não querem dar de mão beijada para o governo a aprovação de uma boa agenda reformista que certamente colocaria o País nos trilhos do crescimento e, consequentemente, alçaria Bolsonaro à reeleição.

A conclusão, portanto, é óbvia: se o presidente da República acredita mesmo que é preciso priorizar a agenda liberal de Guedes, caberá a ele gastar o seu capital político para aprová-la, incluindo a fundamental e polêmica Reforma da Previdência.

Até agora, no entanto, o governo vem acumulando sucessivas derrotas no Congresso. Empresários, investidores e analistas começam a duvidar da capacidade do Palácio do Planalto de aprovar as reformas das aposentadorias, dos tributos e das novas regras eleitorais. Sem elas, o futuro do Brasil não será promissor.

Não bastasse a total desarticulação política, o governo jogou no lixo cem dias do Ministério da Educação e, agora, com as contas públicas no vermelho, se vê obrigado a anunciar um contingenciamento nesta área que deveria ser a prioridade do País. Está colhendo neste momento uma greve nacional.

Para piorar, o cenário internacional dá sinais de que o céu de brigadeiro dos últimos dez anos pode estar com os dias contados. A guerra comercial entre Estados Unidos e China, cujo desfecho é incerto, está desacelerando o PIB global. Trata-se de uma notícia ruim para os grandes exportadores como o Brasil.

Além disso, a alta do dólar pode pressionar a inflação, eliminando as chances de o Banco Central do Brasil reduzir os juros. Cá entre nós, o BC já demorou demais para reconhecer que o Pibinho está piorando o dramático quadro do desemprego. Faltou sensibilidade à autoridade monetária.

Podemos ainda incluir nesta conta do Pibinho de 2019 a tragédia de Brumadinho, que reduziu a atividade da mineração, e a crise na Argentina, que prejudica setores industriais brasileiros como o automotivo.

Cada vez que as expectativas econômicas pioram, o governo é obrigado a reduzir a previsão de receitas e, automaticamente, a anunciar cortes de despesas. Como num círculo vicioso sem fim, a redução nos gastos esfria ainda mais a economia, piorando as expectativas.

Está na hora de o governo Bolsonaro obter uma vitória política acachapante no Congresso Nacional sob o risco de perder popularidade e, no limite, a governabilidade. Tal cenário poderia levar o Brasil de volta à recessão. É verdade que não há mais tempo de salvar 2019, mas a boa agenda econômica, se implementada rapidamente, será capaz de entregar resultados positivos ao longo dos próximos três anos.


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