Agronegócio

Brasil tem maior quebra da história na safra de soja, diz Pátria AgroNegócios

Brasil tem maior quebra da história na safra de soja, diz Pátria AgroNegócios

Produtor mostra grãos de soja em sua plantação afetada pela seca no Rio Grande do Sul



Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) – O Brasil, principal produtor e exportador global de soja, deve assistir na safra 2021/22 a maior quebra da história na colheita da oleaginosa, estimada em 122 milhões de toneladas após efeitos da seca sobre Estados do Sul e Mato Grosso do Sul, disse nesta segunda-feira a consultoria Pátria AgroNegócios.

A nova previsão considera um corte de 14,2 milhões de toneladas sobre a projeção de janeiro e está 23,64 milhões de toneladas abaixo do potencial produtivo esperado pela consultoria em dezembro, quando foi feito o primeiro levantamento de campo nas áreas da cultura.

“A variação no ano a ano está em apenas 10,8%, porém o mercado não olha isso, o mercado olha qual era a oferta projetada inicialmente e qual é a produção que se estima agora”, disse o diretor da Pátria, Matheus Pereira, em vídeo a clientes.




“Aqui no Brasil estamos presenciando a maior quebra produtiva de safra, em valores absolutos, da história. A gente nunca teve tanta quebra de soja aqui no nosso país”, completou.

As previsões iniciais para esta temporada eram otimistas porque houve um aumento de 7% na área, para 41 milhões de hectares, segundo a Pátria. Além disso, o plantio foi iniciado no período ideal.

“Começamos com projeções estatísticas de produtividade e com base no aumento de área, indicando 138 milhões de toneladas. Depois, fizemos nosso levantamento de campo e aumentamos a estimativa para 145 milhões em dezembro, que foi a máxima, antes dos cortes pelo La Niña”, acrescentou Pereira à Reuters.


Atualmente, o Rio Grande do Sul é onde estão concentradas as principais perdas, com quebra de 52,3% ante o potencial estimado pela Pátria no começo da temporada, para 10,3 milhões de toneladas.

No Paraná, a quebra está projetada em 43,4%, para 12,06 milhões de toneladas, mostraram os dados.

Pereira também disse que como a soja ainda está em fase de colheita e a produtividade de todos os Estados não foi mensurada totalmente, há possibilidade de novas quedas nas projeções de produção.

“Tanto para o Brasil, quanto para a Argentina ainda temos ajustes finos para serem feitos. Então, os 122 milhões esperados para a safra brasileira têm um viés de baixa.”

AMÉRICA DO SUL

Em relação à Argentina e Paraguai, igualmente afetados pelo fenômeno climático La Niña, o diretor ressaltou que somando as perdas destes países às do Brasil, estaria configurada a maior quebra de safra de soja para a América do Sul.

De acordo com a Pátria, ao todo, os três países deixarão de colher 40,9 milhões de toneladas do grão em 2021/22, ante o potencial inicial para a safra.

“O cenário em solo argentino é de catástrofe generalizada… O grande padrão das lavouras que visitamos na Argentina ou era ruim ou era péssimo”, afirmou o especialista.

Neste contexto, Pereira disse que “quebras recordes exigem patamares recordes de preço” e cortes de demanda, citando que este seria o desenho do mercado para a temporada atual.

(Por Nayara Figueiredo, com reportagem adicional de Roberto Samora)

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