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Brasil deve pagar mais caro por 5G caso Huawei seja banida

Crédito: Reprodução/Huawei

Caso ocorra o banimento, o CEO da companhia, Sun Baocheng, afirma que a evolução da tecnologia no país demoraria até quatro anos para ser iniciada (Crédito: Reprodução/Huawei)

Devido a um alinhamento estratégico entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, a Huawei corre o risco de ser banida do fornecimento de equipamentos para as redes de 5G no Brasil. É o que afirmou Sun Baocheng, CEO Huawei no País, em entrevista concedida para a Folha de S. Paulo.

A fornecedora está presente em praticamente todas as redes de internet operadas no Brasil. Caso seja banida, Baocheng afirma que a evolução da tecnologia demoraria até quatro anos para ser iniciada porque as teles teriam de trocar todos os equipamentos, que não conversam com o 5G dos concorrentes. Isso tornaria a evolução da telefonia mais cara para os brasileiros.

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O CEO lembra que haverá um leilão da Anatel no ano que vem. “A Huawei não participa diretamente. Além disso, hoje uma operadora já pode usar as redes existentes para fazer upgrade de 4G para 5G com [atualização de] software. No ano que vem, vai fazer leilão para frequências novas e os operadores vão participar. O banimento da Huawei terá pontos negativos”.

Entre esses pontos estão: “O primeiro é que vai demorar a transformação digital do Brasil. O segundo é que vai aumentar os custos dos operadores e o terceiro é que os custos dos operadores vão ser transferidos para os consumidores. Os brasileiros vão pagar um preço mais alto pelos serviços [de 5G]”, afirma.

O executivo diz que a companhia sempre respeitou as leis brasileiras. “Sempre respeitamos a lei e os regulamentos no país, incluindo aqueles sobre proteção de dados e da privacidade. Estamos sempre mantendo contato e conversas com as agências vinculadas ao governo. Desde a privatização, o mercado sempre foi livre, justo, sem discriminação. Acredito que o governo vai fazer a opção correta”.

Sobre o embate entre os Estados Unidos e a China, o CEO diz: “Parece que é uma disputa geográfica ou ideológica mas, na verdade, é um ataque contra as empresas de alta tecnologia, inclusive contra as chinesas. Os EUA são um país muito prático. No passado, tentaram ganhar da Alstom, atacaram a brasileira Engesa, e agora estão tentando com a Huawei. No futuro, qual será a próxima empresa? Alguns políticos americanos sempre estão atacando a Huawei sem provas. Não há evidências contra a Huawei sobre segurança cibernética e proteção de dados”.

A Huawei está no Brasil há 22 anos. “Começou com o 2G, depois veio o 3G, o 4G, agora o 5G. Temos também transmissão em IP [protocolo de internet] e redes de acesso. Também prestamos serviços para outras indústrias, como energia, instituições financeiras e o setor público”.

A participação da Huawei no setor de telecomunicações é de praticamente metade do mercado. “No setor de telecomunicações, tem algo entre 40% e 50% de participação. Para outras indústrias, também é o prestador principal. Para os pequenos provedores de internet [ISP], temos mais de 40% de mercado”.

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