Sustentabilidade

Brasil defende diante de diplomatas europeus mineração em reservas indígenas

Brasil defende diante de diplomatas europeus mineração em reservas indígenas

Imagem aérea de 23 de agosto de 2019 mostra terrenos desmatados na Amazônia - AFP/Arquivos

O Brasil defendeu seus planos de desenvolver mineração em reservas indígenas em reunião com diplomatas da Europa, onde o presidente Jair Bolsonaro foi fortemente criticado por favorecer atividades extrativistas na Amazônia, informou o governo nesta sexta-feira (10).

O ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, se reuniu nesta semana com vários representantes europeus em Brasília para explicar a política de mineração do governo e sua “importância para a economia e o desenvolvimento do país”, segundo um comunicado publicado no site da pasta.

O ministro, que planeja apresentar em breve ao Congresso um projeto para legalizar a mineração nas reservas indígenas, enfatizou a importância do “desenvolvimento sustentável nas áreas indígenas, bem como a ênfase no setor de mineração” para o governo.

“Neste tema há muita desinformação, e é importante que a comunidade internacional ouça o que o Governo tem a dizer”, declarou o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Alexandre Vidigal, que participou da reunião.

A abertura econômica das reservas indígenas tem sido uma promessa da campanha de Bolsonaro que, segundo representantes dos povos nativos, explica o aumento da violência e da pressão de mineradores e madeireiros nessas áreas.

Albuquerque detalhou as “riquezas existentes em boa parte dos territórios indígenas” e, numa tentativa de aplacar as críticas ao governo, lembrou que a Constituição permite a exploração desses recursos após consulta às comunidades e autorização do Congresso.

O ministro assegurou que os “líderes” de muitas das 600 comunidades indígenas no Brasil “exigem ações” do governo e dos parlamentares “para permitir a exploração da riqueza existente em suas áreas, a fim de garantir seu desenvolvimento sustentável com a participação nos resultados”.

No entanto, líderes indígenas de destaque, como o chefe Raoni Metuktire, candidato ao Prêmio Nobel da Paz, fazem viagens constantes à Europa para defender seus territórios do desmatamento e dos planos do governo Bolsonaro.

O presidente brasileiro vê as campanhas internacionais para a preservação da Amazônia como uma ameaça à soberania nacional e as atribui às intenções de outros países de se apoderar dessas riquezas mais cedo ou mais tarde.

Entre os governos europeus mais críticos com Bolsonaro está o francês.

“Mostramos, nesta ocasião, que queremos, sim, fazer mineração no Brasil, porém, não a qualquer preço, mas de forma sustentável e com responsabilidade”, acrescentou Vidigal.

Do encontro participaram diplomatas de 13 países europeus, entre eles França e Alemanha.

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