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Brasil dá largada na Copa América mais errática da história

Brasil dá largada na Copa América mais errática da história

Brasil comemora título da Copa América de 2019

Por Daniela Desantis

(Reuters) – A Copa América começará finalmente no domingo em Brasília depois de superar obstáculos inumeráveis e provocar descontentamento em jogadores, técnicos e patrocinadores devido à mudança de sede de última hora.

O torneio de seleções mais importante da América do Sul terá início com o jogo entre a seleção anfitriã e a Venezuela no Estádio Mané Garrincha de Brasília sem público nas arquibancadas –e muitos considerarão quase um milagre ver a bola rolar.

A competição seria disputada pela primeira vez em duas sedes, Argentina e Colômbia, com um formato inovador de dois grupos de seis equipes que incluiriam os convidados Austrália e Catar, mas a pandemia de coronavírus mudou todos os planos.

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) se viu obrigada a adiar o torneio em um ano, impossibilitando os convidados de comparecer. E quando faltava menos de um mês para o pontapé inicial, a Colômbia perdeu o posto de sede devido ao temor de que os grandes protestos contra o governo impedissem sua realização.

A Argentina foi descartada 10 dias depois em meio a uma onda forte de contágios, e a Conmebol surpreendeu a todos ao tomar a decisão de realizar o campeonato no Brasil, uma das nações mais afetadas pelo coronavírus em todo o mundo.

Com quase meio milhão de mortes e milhares morrendo a cada semana no Brasil, as críticas não demoraram.

A seleção argentina decidiu treinar em Buenos Aires e viajar antes de cada partida para diminuir os riscos. O técnico Lionel Scaloni disse que disputar o torneio no Brasil é “preocupante e alarmante”, mas seu colega do Peru, Ricardo Gareca, considerou a designação “injusta”.

Os jogadores da seleção brasileira questionaram em um comunicado a decisão de mudar de sede tão subitamente.

“Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil”, afirmaram. “Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à seleção brasileira.”

O atacante uruguaio Luis Suárez engrossou o coro dos descontentes. “Estamos em uma situação difícil em nível mundial, chama a atenção que vá haver jogo… às vezes se deveria dar prioridade à saúde do ser humano, e não a um torneio de futebol”, declarou ele dias atrás.

A Conmebol se negou a postergar o torneio mais uma vez devido a seus compromissos econômicos e pelo que qualificou como dificuldades de calendário, mas as críticas a fizeram perder também o apoio de patrocinadores importantes, como a Mastercard e as empresas de bebidas Ambev e Diageo, que retiraram sus marcas do evento.

(Por Daniela Desantis em Assunção; reportagem adicional de Andrew Downie)

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