Ciência

Brasil aplica a primeira vacina contra a covid-19 após aprovação da Anvisa

Uma enfermeira de São Paulo foi a primeira pessoa vacinada contra o novo coronavírus no Brasil, neste domingo (17), após a aprovação, pela Anvisa, do uso emergencial de dois imunizantes: a Coronavac, do laboratório chinês Sinovac em colaboração com o Instituto Butantan, e o da Astrazeneca/Universidade de Oxford, elaborada em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, porém, descreveu a vacinação como uma “jogada de marketing” do governador de São Paulo, João Doria, adversário do presidente Jair Bolsonaro, e indicou que o plano nacional de vacinação começará oficialmente na quarta-feira.

Mônica Calazans, uma enfermeira negra de 54 anos que trabalha em uma unidade de terapia intensiva, recebeu a primeira dose da CoronaVac, no Hospital das Clínicas, em São Paulo, o estado mais populoso do país, que registra quase um quarto das quase 210.000 mortes por coronavírus no país.

O ministro da Saúde afirmou que qualquer movimento “fora” dos planos do ministério “está em desacordo com a lei” porque “despreza a igualdade entre os estados e entre todos os brasileiros”. Ele especificou que as seis milhões de doses da Coronavac, que fazem parte da ordem de uso emergencial, começarão a ser distribuídos nesta segunda-feira entre as 27 unidades federativas.



Sua aplicação priorizará os trabalhadores da saúde, maiores de 75 anos e maiores de 60 anos moradores de residências para idosos, assim como a população indígena.

A outra vacina com uso emergencial aprovado neste domingo pela Anvisa é a britânica da AstraZeneca/Universidade de Oxford, desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), subordinado ao Ministério da Saúde).

O governo brasileiro esperava concluir neste final de semana a importação de dois milhões de doses deste imunizante da Índia (onde são fabricadas pelo Instituto Serum), mas o governo indiano, em meio ao início de sua própria campanha de vacinação, ainda não deu luz verde.

– Críticas ao governo –

A aprovação das primeiras vacinas no Brasil ocorre em meio a um repique da doença, com balanços diários de mais de mil mortes no país e uma dramática situação em Manaus, capital do Amazonas, com relatos de óbitos devido à falta de oxigênio em hospitais lotados.

Apesar de ter uma extensa rede de serviços públicos de saúde e um histórico de campanhas de vacinação bem-sucedidas, o Brasil tem sido criticado pelo atraso no início da imunização e pela politização da pandemia.

A disputa é o capítulo mais recente do confronto entre Bolsonaro e Doria, que se prepara para ser um de seus principais rivais nas eleições presidenciais de 2022.

O presidente chegou a questionar a eficácia da Coronavac e tem se mostrado sistematicamente contra as restrições promovidas por Doria e outros governadores para conter o contágio, alegando a necessidade de evitar um colapso econômico.

Contrariando os especialistas, Bolsonaro circula em público sem máscara, promove aglomerações e defende um suposto “tratamento precoce” contra o vírus, com medicamentos cuja eficácia não têm comprovação científica.

O presidente, que não mudou de posição após contrair o vírus no ano passado, atribui a governadores e prefeitos a responsabilidade pela crise econômica e sanitária, alegando que o governo federal distribuiu recursos para combater a pandemia.

Essa atitude, somada à trágica situação em Manaus, provocou intensos panelaços nas principais cidades do país nesta sexta-feira.

Veja também
+ Como podcasts podem ajudar na educação financeira do brasileiro
+ Mistério: mulher descobre que não é a mãe biológica de seus próprios filhos
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Chef playmate cria receita afrodisíaca para o Dia do Orgasmo
+ Mercedes-Benz Sprinter ganha versão motorhome
+ Anorexia, um transtorno alimentar que pode levar à morte
+ Agência dos EUA alerta: nunca lave carne de frango crua
+ Yasmin Brunet quebra o silêncio
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Veja quanto custa comer nos restaurantes dos jurados do MasterChef
+ Leilão de carros e motos tem desde Kombi a Nissan Frontier 0km