Ciência

Brasil acumula mortes por covid, que assola a Índia e recua na Europa

O coronavírus causou mais de 400.000 mortes no Brasil, que vetou a importação da vacina russa Sputnik V, provocando uma ameaça de processo por difamação, enquanto a pandemia avança sem controle na Índia e recua na Europa, que lentamente suspende o confinamento, apesar das advertências da OMS.

Em um mundo que soma 3,15 milhões de mortos, o Brasil registrou até esta quinta-feira (29) 401.186 falecidos, em meio à lentidão na vacinação e às deficiências de gestão atribuídas por muitos especialistas ao governo de Jair Bolsonaro.

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“Tivemos um impacto importante das novas variantes”, como a P1, explicou à AFP a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).



Mais contagiosa e suspeita de ser mais severa, a variante surgiu no Amazonas, espalhou-se pelo país, afetou duramente o vizinho Uruguai e levou muitos países a fecharem suas fronteiras com o Brasil.

Apesar da lentidão da imunização, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vetou a importação da vacina russa Sputnik V, cujos criadores anunciaram uma ação judicial por difamação.

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, justificou a decisão em que “As informações sobre a presença de adenovírus replicante [uma versão viva do vírus] constam nos documentos entregues à Anvisa pelo desenvolvedor da vacina Sputnik V”.

 

“A Anvisa fez declarações incorretas e enganosas sem ter testado a vacina Sputnik V”, destacaram os criadores do fármaco, que anunciaram uma ação “por difamação contra a Anvisa por difundir informação falsa e incorreta”.

– Colapso na Índia –

 

O Brasil é o segundo país com mais mortes no mundo pela covid em números absolutos, depois dos Estados Unidos. O país é seguido pelo México, em terceiro lugar, e pela Índia, com 204.832 óbitos.

O gigante asiático, de 1,3 bilhão de habitantes, bate recordes de infecções, com quase 380.000 novos casos e 3.645 mortos nas últimas 24 horas.

O sistema de saúde indiano está colapsado pela multiplicação de doentes. Faltam leitos nos hospitais, reservas de oxigênio e medicamentos essenciais.

Mas a ajuda internacional prometida começa a aparecer. Esperava-se para esta quinta a chegada do primeiro avião militar americano com material sanitário, parte de um pacote total de mais de 100 milhões de dólares.

– Flexibilização europeia –

 

A Europa, que vem flexibilizando as restrições, recebeu uma advertência da Organização Mundial da Saúde (OMS): “a situação da Índia pode ocorrer em qualquer lugar”.

A atual crise sanitária no país asiático pode se dever à chamada “variante indiana do coronavírus”, mas também a alguns comportamentos como o descumprimento das restrições sanitárias, segundo a OMS.

De fato, a França anunciou nesta quinta o primeiro caso confirmado da variante indiana na região de Nova-Aquitânia em um paciente que havia retornado daquele país.

A maioria dos países da Europa, que na quarta superou os 50 milhões de casos e o milhão de falecidos desde o início da pandemia, está afrouxando as restrições diante de uma queda dos contágios nas últimas duas semanas.

A França anunciou uma abertura escalonada em maio e junho das áreas externas de restaurantes e cafés, lojas e espaços culturais, incluindo museus e cinemas.

Enquanto isso, o toque de recolher que vigora atualmente a partir das 19h, irá sendo gradativamente adiado até ser suprimido em 30 de junho.

A Alemanha, que também informou sobre contágios da variante indiana, avança a passos firmes na vacinação, com mais de um milhão de pessoas inoculadas em um dia, cifra que até agora apenas China, Índia e Estados Unidos alcançaram.

A Holanda já reabriu seus terraços e suspendeu o toque de recolher, cuja introdução em janeiro provocou os piores distúrbios no país em décadas.

A Irlanda permitirá em meados de maio a reabertura de comércios considerados não essenciais, assim como museus e salões de cabeleireiro, como parte de seu plano de desconfinamento ante a melhora nos dados da pandemia.

– “Sob as garras” do vírus –

Na América Latina, que contabilizava mais de 912.000 falecidos, a Organização Pan-americana da Saúde (Opas) alertou para a situação crítica de alguns países e pediu mais vacinas.

A região está “sob as garras” do vírus e o “acesso rápido e igualitário às vacinas” é essencial para superar a pandemia, alertou sua diretora, Carissa Etienne, que pediu “aos países com doses adicionais” que considerem “doar uma parte significativa às Américas”, onde “são necessárias desesperadamente”.

Neste contexto, a Conmebol anunciou que entregará as vacinas anticovid doadas pela China a suas 10 federações nacionais para ser distribuídas entre seus associados.

– Mais vacinas –

O laboratório americano Moderna anunciou sua intenção de produzir 3 bilhões de doses até 2022 de sua vacina baseada na tecnologia de RNA mensageiro e espera fornecer entre 800 mil e 1 bilhão de doses este ano.

Os fabricantes estão trabalhando em novas versões de suas vacinas, adaptadas às variantes. Na quarta-feira, Ugur Sahin, diretor do laboratório alemão BioNTech, associado à farmacêutica americana Pfizer, mostrou-se “confiante” na eficácia de seu produto contra a variante indiana.

A BioNTech está prestes a apresentar um pedido à União Europeia para a aprovação de sua vacina para adolescentes de 12 a 15 anos, o que tornaria possível seu uso em junho.

Enquanto isso, o Instituto Pasteur (IP) de Montevidéu anunciou a criação de uma rede sul-americana de instituições científicas dedicada à pesquisas e inovação epidemiológica, que será financiada pela França.

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