Economia

Brasil acompanhará cúpula do G20 como coadjuvante, afirmam especialistas

Processo de transição no governo federal e queda do prestígio internacional afastam o País das principais discussões

Os olhos do mundo estarão voltados para Buenos Aires nesta sexta-feira (30) e sábado (1) durante a cúpula das 20 maiores economias mundiais. O debate na capital portenha deverá ultrapassar os acordos financeiros, incluindo também tensões diplomáticas e o debate da crise migratória.

Ao largo das discussões entre a guerra comercial entre Estados Unidos e a China ou os atritos diplomáticos entre Turquia e Arábia Saudita, o Brasil deverá desempenhar o papel de mero expectador, afirmam especialistas.

Foto oficial na cúpula de 2008, ainda durante o reflexo da crise mundial

A praticamente um mês de passar a faixa presidencial para Jair Bolsonaro (PSL) e sem prestígio internacional, a presença de Michel Temer entre as lideranças do globo é vista pelos analistas mais como algo figurativo do que com chances de gerar algum reflexo no País.

“Estar presente é sempre bom, mas hoje o Brasil não é um protagonista, mas sim um coadjuvante. Ele estará assistindo para aproveitar indiretamente a decisão de terceiros”, afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB).

A mesma opinião é compartilhada pelo economista Carlos Braga, professor da Fundação Dom Cabral (FDC). Para ele, a participação da comitiva brasileira se limitará em acompanhar os principais debates que centralizarão o encontro do G20.

“Para o Brasil, ainda mais em mudança de governo, será uma expectativa de quem assiste da platéia. No passado o País teve um papel mais importante [nas discussões do G20].”

De olho no EUA x China

Mesmo sem ter voz ativa nas discussões, o Brasil é um dos maiores interessados nos resultados da cúpula, afirmam os analistas. O encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu par chinês, Xi Jinping, é tido como a última oportunidade de frear a guerra comercial entre as duas potências.

O presidente Donald Trump cumprimenta seu colega chinês, Xi Jingping – AFP/Arquivos

No fim de setembro, o governo norte-americano iniciou a taxação de 10% em cima de diversos produtos chineses, somando US$ 200 bilhões. À época, Trump já havia avisado que o índice seria elevado para 25% nos primeiros dias de 2019. Em retaliação, a China também elevou barreiras para a importação de milhares de produtos dos EUA e prometeu subir o tom caso as ameaças norte-americanas se concretizem.

Braga, da FDC, crê em um diálogo entre as duas potências, sem uma resolução imediata para todos os problemas, mas também dispensa a visão apocalíptica pregada por alguns analistas do meio.

“Não acredito em uma catástrofe, mas em um acordo de meio termo. De toda a forma, a tensão entre Estados Unidos e a China vai continuar”, diz.

Impacto mundial

Para o Brasil, em um primeiro momento, a briga entre EUA e China trouxe benefícios. O país asiático aumentou a cota de importação de produtos nacionais, principalmente a soja, favorecendo a balança comercial em 2018. Porém, de acordo com o presidente da AEB, a partir dos próximos meses, a prática refletirá negativamente no País e em todo o mundo.

“Vai impactar nas commodities, na redução do preço e quantidade. Isso atinge diretamente o Brasil, que não terá como se proteger”, diz.

Exportação da soja brasileira foi beneficiada pela briga entre os dois países

Segundo ele, a exportação brasileira se divide em 65% de commodities e 35% em produtos manufaturados. O aumento da escalada da guerra comercial diminuirá a venda do primeiro grupo, enfraquecendo a economia mundial e refletindo também na queda dos manufaturados.

“Com a desaceleração das commodities, os maiores parceiros dos manufaturados brasileiros, que também tem economia baseada em commodities, não terão dinheiro para comprar”, afirma.

 

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