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Bombeiros lutam sem trégua contra incêndios na Indonésia

Bombeiros lutam sem trégua contra incêndios na Indonésia

Bombeiros indonésios trabalham para tentar extinguir incêndio em Pekanbaru, na província de Riau, 13 de setembro de 2019 - AFP

Milhares de bombeiros combatiam sem descanso neste sábado (14) os incêndios nas ilhas indonésias de Sumatra e Bornéu, onde os moradores estão encurralados há dias à mercê das chamas.

O fogo libera uma ampla nuvem de fumaça tóxica e os habitantes, desamparados, querem fugir, mas não sabem para onde. Os recursos dos bombeiros, protegidos apenas com máscaras e botas de borracha, são insuficientes diante das proporções dos incêndios.

“Deveria chegar roupa de proteção de verdade, mas temos pouco equipamento”, diz Darmadi, um soldado deslocado no distrito de Kampar, na ilha de Sumatra. “Mas tenho que responder ao chamado. Esse é o meu dever”, acrescenta.

A Indonésia mobilizou nove mil bombeiros e soldados com helicópteros para tentar apagar as chamas que assolam as florestas tropicais de Sumatra e Bornéu. Já tarde da noite, os bombeiros continuavam lutando contra as chamas, enquanto suas silhuetas se destacavam em meio ao fogo alaranjado da mata que arde.

Jornalistas da AFP informaram que nos arredores só há grandes extensões queimadas, restos de árvores carbonizadas e cidades inteiras mergulhadas em uma fumaça tóxica. “Trabalhamos sem parar”, explica Hendri Kusnardi, bombeiro de 25 anos, molhado de suor. “Nunca me senti tão cansado, mas não sou o único. Todo mundo está esgotado”, emenda.

Os incêndios ocorrem frequentemente em consequência do fogo iniciado ilegalmente para preparar a terra para a semeadura. Parte da floresta amazônica sul-americana também está em chamas e o aumento dos incêndios pode agravar o aquecimento global.

Embora os incêndios florestais ocorram anualmente na Indonésia, neste ano se intensificaram devido a uma estação particularmente longa e intensa.

Com 328.000 hectares queimados desde o começo do ano, estes incêndios são os piores desde os devastadores registrados em 2015. Os moradores de Pekanbaru, capital da província de Riau, no centro de Sumatra, esperam desesperadamente o começo da temporada de chuvas, que geralmente começa em outubro, para que apague de uma vez por todas os focos de incêndio e elimine a nuvem de fumaça que os sufoca, provocando problemas respiratórios.

Os moradores dividem-se entre a angústia e a raiva contra quem provoca estes incêndios. Grandes plantações de óleo de palma são as principais acusadas, mas também há agricultores com propriedades menores. “Digo aos que ateiam estes fogos: por favor, não sejam egoístas”, diz Sri Wahyuni, de 31 anos, mãe de três filhos, enquanto uma espessa fumaça paira no pátio de sua casa.

Algumas pessoas já fugiram da região. Mas a maioria da população não tem recursos para buscar refúgio em outro lugar. “Estou constantemente assustada, mas não temos aonde ir”, lamenta Muhammad Ilham Fajriansyah, mãe de dois filhos.