Finanças

Bom humor externo impulsiona Ibovespa, mas dúvida com atividade interna segue

Indicadores de atividade melhores que o esperado da economia chinesa influenciam positivamente o exterior, o que também contagia o Ibovespa nesta sexta-feira, 17, já que a agenda doméstica está esvaziada. O principal índice iniciou o pregão em alta e se aproxima dos 118 mil pontos. Às 11h02, subia 0,87%, aos 117.716,00 pontos. No entanto, analistas avaliam que há riscos que podem limitar a alta, à medida que pairam dúvidas sobre a dinâmica da economia interna.

Mesmo com os fortes ganhos nos mercados acionários em Nova York, o Ibovespa tem passado por instabilidade nos últimos dias. Na quinta, enquanto lá fora os índices renovaram recordes, a Bolsa brasileira encerrou com valorização de apenas 0,25%, aos 116.704,21 pontos. Isso porque recentes indicadores econômicos internos têm reforçado que a retomada prossegue mais lenta que a esperada, elevando incertezas sobre o ritmo do juro básico no Brasil.

Apesar da alta neste início do dia, a analista Sandra Peres, da Terra Investimento, não descarta uma sexta-feira parecida com a véspera. Ela lembra que mesmo após o avanço do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de novembro, divulgado na quinta, o mercado não se animou tanto. “Os últimos dados de atividade produção industrial, serviços e varejo vieram ruins. Então, há uma incerteza do que acontecerá com a taxa de juros. O mercado fica mais dividido”, avalia.

Porém, os dados externos trazem alívio. Mesmo com o crescimento do PIB chinês de 6,1% em 2019, menor nível em 29 anos, a produção industrial, vendas no varejo e investimentos em ativos fixos de dezembro no país asiático superaram as expectativas. Isso anima as bolsas europeias, que avançam acima de 1% e os índices futuros de Nova York, que têm ganhos moderados, em torno de 0,30%.

Com resultados acima do previsto da economia da China, as commodities reagiram com valorização, puxando as principais ações da B3. Vale ON, por exemplo, liderava a lista das maiores variações, com alta superior a 2%.

Em relação ao exterior, Sandra cita que apesar dos resultados acima do previsto de dados da economia chinesa, há incertezas quanto aos efeitos do acordo comercial entre Estados Unidos e China sobre as importações brasileiras.

O texto da fase 1 do acordo comercial sino-americano prevê aumento de compras chinesas de produtos agropecuários norte-americanos, tais como oleaginosas, carnes, cereais, algodão, frutos do mar e outras commodities agrícolas dos EUA. A avaliação é de que o pacto deve afetar as exportações brasileiras de soja, já que o produto é um item importante da pauta importadora chinesa nos EUA.

“Não sabemos o quanto isso pode afetar a parte interna, de commodities. Pode ser que continue nessa volatilidade, e ainda não vem nada de investidor estrangeiro, o dólar tem oscilado bastante…”, descreve Sandra.

Na política, o investidor acompanha o noticiário envolvendo o secretário especial da Cultura, Roberto Alvim. Ele disse ter “convencido” o presidente Jair Bolsonaro de que a citação de uma frase similar à do propagandista do nazismo, Joseph Goebbels, em um discurso nas redes sociais, foi uma “coincidência retórica”. Já o Palácio do Planalto afirmou, em nota, que não vai se manifestar sobre a fala do secretário.

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