Semana

Bolsonaro pede quase R$ 15 bilhões de crédito adicional ao Congresso

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Governo

Em tempos de reforma Previdenciária e corte de gastos por todos os lados, o presidente Jair Bolsonaro parece não estar muito preocupado em controlar as próprias despesas. Na segunda-feira 11, o governo apresentou Projetos de Lei (PL) com pedidos de autorização ao Congresso para a abertura de créditos adicionais. De acordo com a nota divulgada pelo Ministério da Economia, três PLs somam R$ 14,8 bilhões de reais. O de maior valor (R$ 5,7 bilhões) será destinado a estados e municípios, como parte dos recursos arrecadados com os leilões da cessão onerosa, realizado no início deste mês. Segundo o governo, outros R$ 5,3 bilhões serão utilizados para ampliar o orçamento dos Ministérios da Defesa e da Infraestrutura. No comunicado, o Ministério da Economia afirmou que o terceiro pacote do crédito, no valor de R$ 3,8 bilhões, será empregado em diversos setores, “com ampliação dos recursos que podem ser utilizados para a saúde e para a educação”. O governo afirmou, ainda, “que as propostas não afetam o cumprimento do Teto de Gastos nem a obtenção de resultado primário”.

 

Orçamento

Férias de 60 dias de funcionários públicos custam R$ 4 billhões por ano ao bolso do contribuinte

Sabe aquela moleza que alguns funcionários públicos têm de tirar 60 dias de férias por ano? Pois bem. Além de causar revolta – e inveja – no cidadão comum, a brincadeira custa R$ 4 bilhões por ano ao bolso do contribuinte. Os dados são do Ministério da Economia. No pacote de benefícios, estão itens como abono pecuário – quando as férias são vendidas – e o adicional de 1/3 do salário nas férias. De todas as carreiras públicas, os que recebem as maiores vantagens são os membros do Ministério Público e do Judiciário. O ministro Paulo Guedes gosta de dizer que a reforma administrativa vai acabar com a farra. Mas ele sabe que o buraco é mais embaixo. Ocorre que as regras que regem salários e benefícios de alguns servidores federais não estão na Constituição, e sim na Lei Orgânica da Magistratura Nacional, segundo a qual magistrados têm direito a “férias anuais, por 60 dias, coletivas ou individuais”. Entre os beneficiados, estão juízes, promotores, procuradores e desembargadores. E ninguém quer comprar briga com essa turma. Resta aos demais brasileiros continuarem revoltados. E pagando a conta.

 

Internacional

Brics buscam investimentos na iniciativa privada

Na segunda-feira 11, os países que integram o Brics – Brasil, Rússia, Índia, China
e África do Sul – assinaram memorando que tem como principal objetivo atrair investimentos privados para projetos de infraestrutura. Realizado no Rio de Janeiro, o encontro teve a presença de diretores do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos bancos de desenvolvimento das demais nações que formam o bloco. Representantes dos países estão confiantes em relação ao potencial em atrair investidores da iniciativa privada, já que a soma do Produto Interno Bruto (PIB) das cinco nações do grupo gira em torno de US$ 20 trilhões, com população de cerca de 3 bilhões de habitantes – quase 40% dos habitantes do mundo. Agora, as instituições bancárias criarão um grupo de trabalho para estudar meios concretos para aplicar verbas privadas em projetos de infraestrutura, como a construção de estradas no Brasil e a melhora do sistema ferroviário na Índia (foto), um dos mais caóticos do planeta. “A ideia é que sejam apresentadas iniciativas como soluções financeiras, modelagens para concessões e parcerias público-privadas (PPPs), bem como propostas de aperfeiçoamento dos marcos legais e regulatórios aplicáveis”, divulgou o BNDES.

 

Brasil

O Rio de Janeiro continua… quebrado!

As coisas no Rio de Janeiro estão cada vez piores: índices de violência nas alturas, saúde pública caótica, servidores públicos com salários atrasados e economia do estado em frangalhos. E tudo leva a crer que esse cenário não vai melhorar tão cedo. Na terça-feira 12, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a prorrogação do estado de calamidade pública financeira até 31 de dezembro do ano que vem. A proposta ficou bem abaixo do tempo solicitado pelo governador Wilson Witzel, que queria prolongar o decreto de calamidade por três anos, até o final de 2022. Os parlamentares, no entanto, acreditam que prorrogar ainda mais o estado de calamidade financeira seria o “equivalente a dar um cheque em branco para que o governo Witzel se endividasse ainda mais”. Hoje, a dívida do Rio de Janeiro apenas com a União é de cerca de R$ 180 bilhões, o que representa o triplo do que o estado arrecada por ano. No cenário de calamidade pública, o governador ganha o direito de descumprir os limites de endividamento e de gastos com pessoal, impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

Corporativo

Ações da Embraer despencam com pressão da União Europeia e balanço negativo

A semana foi de sustos para a Embraer. Na segunda-feira 11, vazou a notícia de que a União Europeia (UE) suspendeu a revisão do contrato de fusão da empresa brasileira com a Boeing. De acordo com a UE, esse tipo de decisão é tomada quando as companhias envolvidas no negócio “não fornecem oportunamente informações solicitadas”. Para piorar, a UE não estabeleceu novo prazo para retomar a revisão do contrato, chegando a afirmar que “parou o relógio em sua investigação aprofundada”. Com isso, as ações da Embraer fecharam o dia com queda de 1,5%. Mas o pior estava por vir, com a divulgação, na terça-feira 12, do balanço da empresa no terceiro trimestre deste ano. Os números mostraram um prejuízo líquido de R$ 314,4 milhões, seis vezes o rombo registrado no mesmo período de 2018 (R$ 52,3 milhões). Resultado: as ações sofreram um tombo de mais 3,4%. Diante desse quadro, os investidores ficam sem saber se a Embraer vai decolar ou se continuará com o nariz apontando para baixo.

 

Esportes

Herdeiro das Casas Bahia e dono da Havan querem entrar no futebol

Duas das marcas mais conhecidas do comércio nacional costuram acertos para entrar no negócio do futebol. Esta semana, o herdeiro das Casas Bahia, Saul Klein, acertou a compra de 51% das ações da Ferroviária, assumindo, assim, o controle do clube de Araraquara (SP). As partes marcaram a terça-feira 19 como data para assinatura do contrato. Em 2020, a Ferroviária disputará a Série A do Campeonato Paulista e a Série D do Campeonato Brasileiro. O valor do negócio não foi revelado, mas sabe-se que Klein vai mais do que dobrar a folha salarial do clube. No último campeonato Paulista, a Ferroviária gastou R$ 800 mil mensais. Sob o comando do herdeiro das Casas Bahia, o valor saltará para R$ 2 milhões. Quem também está de olho no bilionário negócio do futebol nacional – no ano passado, as receitas dos 20 times da Primeira Divisão somaram mais de R$ 5 bilhões – é o empresário Luciano Hang, dono da Havan. Ele anunciou o plano de investir R$ 15 milhões na construção de um estádio. Com capacidade para 15 mil pessoas, a arena deve seguir a linha dos projetos mais modernos e servirá como casa para o Brusque Futebol Clube, time catarinense que foi campeão da Série D neste ano. A ideia de Hang é concluir o estádio em seis meses.

 

Números

R$ 228 bilhões – Foi o montante de entrada líquida – aportes menos resgates – em fundos de investimento no Brasil, de janeiro a outubro deste ano. O valor indica alta de 174% em relação ao mesmo período de 2018.

R$ 4,7 bilhões – Foi o valor levantado pela Magazine Luiza em sua oferta de ações, realizada na terça-feira 12. Cada ação saiu a R$ 43 reais, praticamente o mesmo preço
do papel na Bolsa, o que indica confiança dos investidores na empresa.

US$ 36 bilhões – Foi quanto a IBM pagou pela compra da Red Hat. Na quarta-feira 13, o negócio foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).