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Bolsonaro defende Joe Rogan em polêmica com Spotify e Neil Young

Crédito: Agência Brasil/Alan Santos/PR

Bolsonaro alegou "liberdade de expressão" para divulgar desinformação no Spotify (Crédito: Agência Brasil/Alan Santos/PR)

Em meio à polêmica entre o Spotify e o cantor Neil Young, o presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu entrar na discussão. Em postagem feita na noite desta quarta-feira (2) no Twitter, o chefe do executivo brasileiro manifestou sua solidariedade ao apresentador americano Joe Rogan, criticado por divulgar desinformação sobre a Covid-19 em podcast da plataforma de streaming.

“Não sei o que o Joe Rogan pensa sobre mim ou sobre o meu governo, mas não importa. Se liberdade de expressão significa alguma coisa, significa que as pessoas devem ser livres para dizer o que pensam, não importa se elas concordam ou discordam de nós. Fique firme. Abraços do Brasil”, escreveu, em inglês, Bolsonaro.



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Segundo a BBC inglesa, o Spotify teria pago U$ 100 milhões em 2020 pelos direitos exclusivos do “The Joe Rogan Experience”, que tem milhões de ouvintes e é crítico da vacinação contra a Covid-19. Rogan desencoraja a vacinação de pessoas mais jovens e, assim como Bolsonaro, promoveu o antiparasitário ivermectina para tratar o coronavírus, o que é comprovadamente ineficaz.

Rogan também diz que a vacina é uma terapia genética, argumento comumente usado em discursos negacionistas para atestar, falsamente, que os imunizantes alteram o DNA humano. A alegação foi feita em um episódio de 2021, em entrevista com o professor de biologia Bret Weistein, que chegou a defender publicamente a ivermectina.

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Outra polêmica causada pelo podcast de Rogan foi a entrevista com o virologista Robert Malone que, após ser banido do Twitter por violar políticas de desinformação sobre a Covid, declarou que pessoas vacinadas após contrair Covid-19 corriam mais risco de efeitos colaterais adversos. Depois disso, mais de 270 profissionais de saúde assinaram uma carta, ainda em 2020, pedindo combate à desinformação ao Spotify.

Reações
O episódio veio à tona quando o cantor canadense Neil Young ameaçou retirar suas músicas do Spotify em protesto pela desinformação espalhada no podcast de Rogan. Young, em carta, afirmou que o serviço de streaming “se tornou o lar de desinformação que coloca vidas em risco” e que tem “mentiras vendidas por dinheiro”, segundo o Wall Street Journal.


Em defesa, o Spotify alegou que removeu milhares de episódios ligados à Covid e que busca equilibrar segurança dos ouvintes com liberdade dos produtores de conteúdo. O acordo, no entanto, não foi possível, e Young começou a retirar suas músicas da plataforma – o podcast de Rogan segue disponível.

Young foi seguido por outros artistas, o que deixa o Spotify em uma posição ainda mais delicada depois de perder U$ 2,1 bilhões em valor de mercado em apenas três dias após a polêmica com o cantor. A cantora Joni Mitchell também anunciou a retirada de suas músicas da plataforma digital.

Segundo a Rolling Stone, David Crosby, Graham Nash e Stephen Stills, que não se entendem muito bem depois do fim do banda em 2015, concordaram em enfrentar o Spotify. Eles também querem remover as músicas do Crosby, Stills, Nash & Young da empresa.

“Apoiamos Neil e concordamos que há perigosa desinformação sendo divulgada pelo podcast de Joe Rogan no Spotify. Embora valorizemos pontos de vista diferentes, espalhar desinformação conscientemente durante essa pandemia tem consequências mortais. Não queremos que nossa música esteja na mesma plataforma”, declararam os músicos em nota.

O guitarrista Nils Lofgreen, da banda E Street Band, também aderiu à campanha de boicote ao Spotify. A escritora Brené Brown também se negou a produzir novos episódios a seu podcast.