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Bolsonaro antecipa campanha eleitoral, mente e consolida derrocada diplomática

Crédito: UN Photo/Cia Pak

Único chefe de estado não vacinado, Jair Messias Bolsonaro criticou a obrigatoriedade da vacina e ainda defendeu o tratamento precoce, cientificamente ineficaz contra a Covid-19 (Crédito: UN Photo/Cia Pak)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez o que sabe realizar com competência: mentir. Em discurso inaugural na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Bolsonaro apenas confirmou todas as ações vexaminosas apresentadas por sua trupe nos últimos dias.



Bolsonaro vendeu um país de sonhos que existe apenas em sua imaginação: um paraíso de infraestrutura para investimentos privados; resgate heroico do Brasil à mercê de um socialismo quixotesco; um governo confiável e sem corrupção; uma economia verde preocupada com a redução de carbono; população indígena vive confortavelmente em suas terras e que querem torná-las produtivas ao agronegócio; um Auxílio Emergencial no valor de 800 dólares!

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Quem apostava em um discurso moderado e conciliador perdeu. Bolsonaro dobrou a aposta para manter sua base eleitoral excitada e mentiu como sempre, enfatizando a liberdade médica de receitar medicamentos comprovadamente ineficazes contra a covid-19. Esqueceu de mencionar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o escândalo com a Prevent Senior, com a Precisa Medicamentos e que sua ex-mulher e seu filho mais novo estão convocados a prestar esclarecimentos aos parlamentares.

O modus bolsonarista de fazer diplomacia é ímpar na história: aproxima-se de chefes de estado próximos ideologicamente, mas não do país em questão. Casos de Benjamin Netanyahu (Israel), Mauricio Macri (Argentina) e Donald Trump (Estados Unidos). O presidente dos EUA, Joe Biden, está no mesmo hotel que a delegação brasileira, mas o encontro com Bolsonaro não deve passar de um aperto de mãos com sorrisos amarelos.



Em vez de se encontrar com o líder da maior economia mundial, Bolsonaro reuniu-se com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, famoso por tentar limitar a atuação do Poder Judiciário em seu país – novamente a proximidade protofascista ditando os rumos da diplomacia brasileira, que rechaça de vez seu prestígio internacional outrora conquistado.

Bolsonaro também julga-se apto a falar em nome dos povos originários, chamado por ele pejorativamente de “índios”, que estariam felizes com a violência do garimpo ilegal incentivada pelo governo federal a partir da completa inação e desmobilização dos órgãos de proteção – exatamente o oposto do que disse na ONU. Esqueceu-se de mencionar apenas a violência que marca as disputas de terra e as diversas manifestações contra o jugamento do Marco Temporal pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Se Bolsonaro sente-se confortável em mentir sob o maior palanque político do planeta, certamente seguirá com a cartilha no Brasil. O discurso de Bolsonaro na ONU antecipa e dita os rumos de sua campanha eleitoral para 2022: mais fake news.

Leia aqui o discurso de Bolsonaro na íntegra.


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