Finanças

Bolsas europeias sobem com esperança para EUA-China e política na Itália

As bolsas europeias operam em alta significativa na manhã desta quinta-feira, em meio a esperanças de que Estados Unidos e China voltem a negociar um acordo comercial e a melhora do ambiente político na Itália, que caminha no sentido de formar um novo governo de coalizão.

Durante a madrugada, o Ministério de Comércio da China disse que Pequim e Washington continuam “em comunicação efetiva” e que ambos os lados estão discutindo se seguirão adiante com negociações marcadas para setembro. Segundo o porta-voz do ministério, Gao Feng, os EUA precisam criar as condições necessárias para que as conversas bilaterais sejam retomadas.

Os comentários de Gao ajudaram os mercados acionários da Europa a ampliar ganhos e levaram os índices futuros das bolsas de Nova York a reverter perdas de mais cedo.

O tom na Europa já era positivo antes disso, uma vez que, na Itália, o populista Movimento 5 Estrelas (M5S) e o Partido Democrático, de centro-esquerda, decidiram ontem se aliar para formar uma nova coalizão governista, diante do recente colapso do pacto anterior, entre o M5S e o Liga. Hoje, o presidente italiano, Sergio Mattarella, concedeu a Giuseppe Conte um novo mandato para tentar formar um governo, o que significa que ele poderá ser reconduzido ao cargo de primeiro-ministro, ao qual renunciou com o fim da aliança anterior.

Na esteira da decisão de Mattarella, o juro do bônus italiano (BTP) de dez anos renovou mínima histórica mais cedo, a 0,929%.

Já no Reino Unido, o clima continua turbulento, um dia após o primeiro-ministro Boris Johnson conseguir suspender o Parlamento britânico por cerca de um mês, até 14 de outubro, enfraquecendo as chances de que sejam aprovadas leis que impeçam um Brexit sem acordo. A data final para o Brexit – como é conhecido o processo para retirar o Reino Unido da União Europeia – é 31 de outubro.

Investidores na Europa continuam atentos também à curva de juros dos Treasuries de 2 e 10 anos, que permanece invertida, sinalizando uma possível recessão mais adiante nos EUA. Os rendimentos dos Treasuries, porém, sobem nesta manhã com o aumento do apetite por ativos considerados mais arriscados, como ações.

A agenda europeia de indicadores de hoje trouxe o índice de sentimento econômico da zona do euro, que subiu de 102,7 em julho para 103,1 em agosto, surpreendendo analistas que previam queda do indicador. Além disso, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) da França no segundo trimestre ante os três meses anteriores foi revisado para cima, de 0,2% para 0,3%, e a taxa de desemprego da Alemanha ficou inalterada em agosto ante julho, em 5%, mas houve aumento acima do esperado no número de pedidos de auxílio-desemprego.

Às 8h05 (de Brasília), a Bolsa de Milão liderava a valorização generalizada, com alta de 1,91%, enquanto a de Londres subia 1,14%, a de Frankfurt avançava 1,12% e a de Paris, 1,45%. Em Madri e Lisboa, os ganhos eram de 0,75% e 0,45%, respectivamente. No câmbio, o euro recuava a US$ 1,1072, de US$ 1,1080 no fim da tarde de ontem, e a libra seguia a mesma direção, cotada a US$ 1,2196, ante US$ 1,2213 ontem, ainda pressionada pelo gesto de Johnson.

Na bolsa italiana, o setor bancário era destaque positivo, com altas do Monte dei Paschi (7,5%), do UniCredit (3,5%) e do Intesa Sanpaolo (2,9%). Com informações da Dow Jones Newswires.

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