Finanças

Bolsas de NY recuam com maior cautela e aguardo por sinais do Fed em Jackson Hole

As principais bolsas de Nova York fecharam no vermelho, revertendo parcialmente as altas registradas nas duas últimas sessões. Em meio à falta de perspectiva clara para o cenário comercial, investidores operam com maior cautela enquanto aguardam pelo simpósio de Jackson Hole, que ocorre entre quinta-feira e sábado.

O índice Dow Jones registrou sua primeira queda após quatro sessões, caindo 0,66% para 25.962,44 pontos. Por sua vez, o S&P 500 recuou 0,79% para 2.900,51 pontos e o Nasdaq teve baixa de 0,68%, para 7.948,56 pontos. Dow Jones e Nasdaq voltaram a se firmar abaixo das barreiras psicológicas de 26 mil e 8 mil pontos, respectivamente, enquanto o S&P 500 opera abaixo dos 3 mil pontos desde o final de julho.

Todos os subíndices do S&P 500 fecharam no negativo. O maior baque foi sentido pelos serviços financeiros, com baixas do Citi (-1,38%), JPMorgan (-1,27%) e Bank of America (-2,02%) em meio à queda dos rendimentos dos Treasuries. O clima de cautela também pesou sobre os bens de primeira necessidade, pressionando Walmart (-1,55%), Procter & Gamble (-1,11%) e Coca-Cola (-1,48%).

O noticiário econômico desta terça-feira não contou com grandes eventos ou indicadores econômicos. Na tarde de hoje, o presidente americano, Donald Trump, voltou a dizer que “não está pronto” para fazer um acordo com a China. A falta de sinais claros ou datas marcadas para novas negociações intensifica as incertezas globais e o clima de cautela no pregão.

“A sessão de hoje patinou enquanto os mercados parecem estar em suspenso enquanto aguardam a fala de Jerome Powell em Jackson Hole”, sugerem analistas do NatWest. Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), deve discursar na sexta-feira no simpósio anual de política econômica realizado em Jackson Hole, Wyoming.

Apesar das expectativas, o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, acredita que Powell tem “pouco a dizer” no simpósio. Em entrevista ao Broadcast, Silveira afirmou que a fala de Powell em julho, quando chamou o corte da taxa de juros de “ajuste de meio de ciclo”, já sinalizou o que era necessário aos mercados.

As atenções se voltaram também para eventos na Europa, onde a crise política na Itália ganhou outro episódio com a notícia da renúncia do primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte. O analista sênior do Eurasia Federico Santi prevê que os cenários mais prováveis são uma nova coalizão governamental ou eleições antecipadas, e argumenta que “qualquer acordo para evitar novas eleições seria positivo para o mercado no curto prazo”.