Finanças

Bolsas de NY fecham mistas com ação da China contra coronavírus e balanços

As bolsas de Nova York fecharam sem direção única o pregão desta quarta-feira, 22, à medida que investidores acompanharam com algum alívio as medidas da China para conter a disseminação de um novo tipo de coronavírus, enquanto a divulgação de resultados de empresas americanas em meio à temporada de balanços também foi destaque. A queda na ação da Boeing – um dos papéis com maior peso no Dow Jones – após novo adiamento da retomada de atividades do 737 Max e o forte recuo do petróleo também pressionaram os índices.

O Dow Jones fechou em leve queda de 0,03%, a 29.186,27 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,03%, para 3.321,75 pontos. O Nasdaq, que chegou a renovar máxima intraday logo após a abertura dos negócios, terminou o dia com avanço de 0,14%, a 9.383,77 pontos.

Uma série de medidas anunciadas pela China hoje para conter a disseminação de um novo tipo de coronavírus reduziu pelo menos em parte a cautela entre investidores com o problema, que já deixou pelo menos 17 mortos e cerca de 400 infectados até o momento. Para analistas, como do Wells Fargo e da Capital Economics, além disso, que comparam o caso com a epidemia de SARS que afetou países asiáticos em 2003, o impacto econômico do coronavírus deve ser contido.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu transferir para amanhã a decisão sobre declarar ou não estado de emergência de saúde pública e ressaltou que precisa de mais informações. A entidade elogiou, contudo, as medidas chinesas até o momento, como o cancelamento temporário de voos na cidade de Wuhan, onde se acredita ter surgido o vírus, e a suspensão do transporte público local.

Em meio ao cenário, investidores também acompanharam a divulgação de balanços. O subíndice de tecnologia do S&P 500 liderou os ganhos, impulsionado pela alta da ação da IBM (3,39%), após a divulgação de resultados que agradaram investidores. Amanhã, são esperados os resultados da Intel (+0,10%).

A Netflix, por outro lado, cedeu 3,58% com a frustração pelo crescimento da base de clientes da companhia nos Estados Unidos, onde concorrentes, como a Disney (+0,31%), buscam se consolidar. Além disso, a ação da Netflix teve o preço-alvo cortado pelo UBS, de US$ 405 a US$ 400, mas recomendação mantida em compra. O Wedbush também reduziu o preço-alvo, de US$ 188 a US$ 173, embora tenha sustentado a recomendação em manter. O subíndice de serviços de comunicação do S&P 500, que agrega a Netflix, registrou alta mais modesta, de 0,06%.

O subíndice de energia do S&P 500, por sua vez, liderou as perdas (-0,89%), pressionado pela forte queda, acima de 2%, do petróleo. Naquele mercado, investidores ainda temem os impactos de uma disseminação maior do coronavírus.

Outro fator de pressão aos índices foi a queda no papel da Boeing (-1,39%), uma das ações com maior peso no índice Dow Jones, após a companhia ter adiado mais uma vez a retomada às atividades do 737 Max, modelo que está paralisado após ter se envolvido em dois acidentes fatais.