Finanças

Bolsas de NY caem com temor de desaceleração global e com tensões comerciais

As bolsas de Nova York voltaram a fechar em queda nesta quarta-feira, ainda diante de temores com uma desaceleração da economia americana após indicadores da indústria. No radar, seguem ainda tensões comerciais, após a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizar os Estados Unidos a retaliarem a União Europeia (UE) por subsídios à Airbus.

O Dow Jones fechou em queda de 1,86%, a 26.078,62 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 1,79%, a 2.887,61 pontos. O Nasdaq, por sua vez, cedeu 1,56%, para 7.785,25 pontos.

A queda expressiva do índice de atividade industrial americano medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) terça-feira elevou os temores de desaceleração. “Embora a fraqueza na indústria não seja novidade, e o ISM não pareça muito diferente entre 2015 e 2016, dados de pesquisas ainda suaves reforçam ainda mais que as preocupações com o crescimento global estão pesando na perspectiva dos EUA”, afirmou.

Nesta quarta, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, John Williams, destacou que, apesar da economia forte, as perspectivas são mistas, e lembrou que “está claro” que as tarifas comerciais têm afetado a atividade americana. Embora EUA e China tenham mostrado maior disposição a negociar recentemente, uma decisão da OMC em favor de Washington criou a expectativa de que os EUA imponham tarifas à União Europeia (UE) sobre US$ 7,5 bilhões em bens importados.

A decisão da OMC foi tomada em uma disputa que analisou os subsídios dados à Airbus pela UE, em uma batalha que envolve também a Boeing. O caso do apoio dado pelo governo americano à Boeing será julgado separadamente pela OMC no início de 2020. A ação da fabricante americana, ainda assim, fechou o dia em queda de 2,02%, também em meio a uma reportagem do New York Times afirmar que um engenheiro sênior da companhia apresentou uma queixa interna de ética neste ano sob alegação de que a empresa rejeitou um sistema de segurança durante o desenvolvimento do modelo 737 Max, envolvido em acidentes recentes, para minimizar custos.

O subíndice do setor industrial do S&P, em meio às notícias, apresentou queda de 1,97%, mas o recuo foi liderado pelo de energia (-2,61%), financeiro (-2,10%) e de tecnologia (-1,98%).