Finanças

Bolsas da Europa caem com delonga sobre estímulo fiscal nos EUA e avanço da covid

Crédito: Reprodução/ Site LSE

Bolsa de Londres: na Europa, bolsas operam novamente no vermelho na manhã desta quinta-feira, com o nervosismo dando o tom diante do imbróglio fiscal nos Estados Unidos (Crédito: Reprodução/ Site LSE)

As bolsas da Europa operam novamente no vermelho na manhã desta quinta-feira, com o nervosismo dando o tom diante do imbróglio fiscal nos Estados Unidos, com o temor de que a ajuda não saia antes das eleições, em 3 de novembro. Alinhados com a queda vista na Ásia e no Pacífico, os mercados não conseguem abandonar o território negativo, pressionados ainda pelo avanço da segunda onda pandêmica no Velho Continente e expectativas quanto ao divórcio de britânicos e europeus, o chamado Brexit.

Bolsas da Ásia fecham majoritariamente em baixa, com dúvidas sobre acordo nos EUA

Às 6h56 (de Brasília), o Stoxx 600, que representa 90% das ações europeias, recuava 0,44%, a 359,24 pontos. A queda acumulada na última semana levou o índice para o menor patamar em um mês.

As negociações sobre uma nova ajuda fiscal nos Estados Unidos se arrastam e contribuem para o nervosismo dos investidores. Depois de um sinal positivo em torno de um possível acordo, o presidente americano Donald Trump jogou um balde de água fria nos mercados, culpando a oposição pelo impasse. Além do “vai e vem fiscal”, as expectativas estão voltadas para o segundo debate nos EUA entre o republicano e democrata Joe Biden, na noite de hoje.

O avanço da segunda onda de covid-19 no Velho Continente e as medidas para contê-la seguem no centro das preocupações. Enquanto a Espanha superou a marca de um milhão de novas infecções, primeiro país europeu a atingir esse feito, o toque de recolher em cidades francesas e na capital Paris pode ser estendido.

Para além de investidores e economistas, a nova onda do coronavírus também pesa no sentimento dos cidadãos comuns. O índice de confiança do consumidor da Alemanha caiu de -1,7 ponto em outubro para -3,1 pontos em novembro, segundo o instituto alemão GfK. Indicadores de outros países europeus que serão divulgados hoje estão no radar.

De acordo com o diretor global de macroeconomia do holandês ING, Carsten Brzeski, o aumento de incertezas e restrições já afeta o sentimento dos consumidores alemães. “Dado que parece que as coisas vão piorar antes de melhorar, tanto em termos de infecções quanto de restrições, o risco de um duplo mergulho na Alemanha também está aumentando”, avalia, em comentário a clientes.

Na novela do Brexit, o destaque é a retomada das conversas entre Reino Unido e União Europeia, prevista para hoje, em Londres. Dentre os temas controversos, está o interesse dos europeus no mar britânico e, na outra ponta, ao mercado dos países da UE. Ontem, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, alfinetou: “queremos manter acesso às águas do Reino Unido para nossos pescadores. Exatamente como o Reino Unido quer manter acesso ao nosso mercado para suas empresas”.

O austríaco Erste Group Research está cético quanto ao desfecho do Brexit, embora parte do mercado ainda acredite em um acordo até meados de novembro. “Esperamos que nada nesta situação mude antes do final do ano e que as negociações sejam consideradas como fracassadas”, avaliam analistas de crédito da instituição.

Por outro lado, a retomada das conversas impulsiona a libra, que é capa do jornal britânico Financial Times na edição para o Reino Unido. No pregão de hoje, porém, a divisa opera em queda frente ao dólar. Há pouco, era cotada em US$ 1,3093 ante US$ 1,3147 no fim da tarde de ontem.

Nas bolsas europeias, também às 6h56, em Londres, o FTSE-100 tinha queda de 0,30%, e o DAX-30, de Frankfurt, recuava 0,48%. Em Paris, o CAC-40 também baixava 0,48%, o FTSE-MIB, de Milão, apontava desvalorização de 0,36%, e o IBEX-35, de Madri, de 0,35%. Já na bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 apresentava recuo de 0,18%.

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