Finanças

Bolsa fecha em alta de 2,23% e acumula ganho de 4,70% na semana

Crédito: Divulgação - B3

Índice interrompe série de três perdas semanais; nesta sexta-feira, o giro ficou em R$ 46,6 bilhões e, no ano, o Ibovespa limita as perdas a 3,21% (Crédito: Divulgação - B3)

O Ibovespa conseguiu nesta sexta-feira, 5, se reaproximar do nível de fechamento do último dia 24, então aos 115,6 mil pontos, após ter iniciado no dia seguinte correção que o levaria aos 110 mil, com mínimas intradia a 107 mil pontos no intervalo. Hoje, oscilou entre 112.503,93 e 115.503,58, para fechar aos 115.202,23 pontos, em alta de 2,23%, acumulando ganho de 4,70% nesta primeira semana de março. Assim, o índice interrompe série de três perdas semanais, com destaque para a anterior, quando mergulhou 7,09%. Nesta sexta-feira, o giro ficou em R$ 46,6 bilhões e, no ano, o Ibovespa limita as perdas a 3,21%.

Após retração observada entre investidores institucionais e estrangeiros, o desconto nos preços poderia favorecer algum reingresso de fluxo na B3, em semana que chega ao fim com a superação do impasse sobre o formato da PEC Emergencial, aprovada em dois turnos no Senado com o Bolsa Família dentro do teto de gastos – há outras incertezas, no entanto, que podem frear o otimismo, como o rápido avanço dos yields nos EUA e o descontrole da pandemia no Brasil.

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“Na Câmara, a expectativa é de que o ‘core’ da PEC seja preservado e que havendo mudança, seja algo marginal. Isso ajuda a entender a melhora do sentimento desde a aprovação no Senado, assim como o dia positivo em Nova York, com o bom relatório sobre o emprego e a geração de vagas nos Estados Unidos, divulgado pela manhã”, aponta Mauro Orefice, diretor de investimentos da BS2 Asset. “Tivemos uma vitória da equipe econômica na semana, após muito ruído.”

“Evitou-se o pior nesta semana, prevalecendo responsabilidade fiscal com a manutenção do Bolsa Família dentro do teto. O Ibovespa reagiu a isso, porque se temia o pior. Mas o médio prazo ainda é difícil, o viés é negativo para os ativos. Estamos muito atrasados na vacinação, e com retomada de lockdown para conter a pandemia, o primeiro trimestre está perdido. Muitas instituições estão recalculando a expectativa de crescimento para o ano”, observa Erminio Lucci, CEO da BGC Liquidez.

Graficamente, “a correção do mercado foi correta e respeitou o suporte”, diz Fernando Góes, analista da Clear Corretora, enfatizando as linhas de 111 mil e 108 mil pontos como referências significativas. “Acredito que teremos um período de volatilidade até o Ibovespa conseguir alcançar nova máxima, considerando que os 118 mil pontos representam uma posição importante de resistência”, acrescenta.

O otimismo sobre o desempenho do Ibovespa no curtíssimo prazo disparou no Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. Entre 12 participantes, a expectativa de que a semana entre 8 e 12 de março será de alta para as ações atingiu a máxima histórica de 91,67%, contra 57,14% na edição anterior. Outro sinal da animação do mercado é o fato de que não há desta vez projeções de queda. Na pesquisa passada, eram 7,14% do total. Por fim, a perspectiva de variação neutra despencou de 35,71% para 8,33%.

Na última sessão da semana, os ganhos voltaram a se distribuir por empresas e setores, com destaque para alta de 5,80% em Vale ON, na marca de R$ 100,21 no fechamento, ao lado de Usiminas (+5,83%) e de CSN (+5,08%) entre as campeãs de mineração e siderurgia nesta sexta-feira. Bons ganhos também foram vistos no setor de bancos, com Bradesco ON em alta de 5,48%, Bradesco PN, de 4,73%, Santander, de 4,44%, e Itaú PN, de 3,72%. Na ponta do Ibovespa, Cogna subiu 10,00%, à frente de PetroRio (+7,60%) e de Natura (+6,52%). No lado oposto, B2W caiu 4,27%, Copel, 2,77%, e Lojas Americanas, 2,61%.

Os fundamentos, contudo, não têm contribuído recentemente para progressão duradoura do índice da B3, que logo no início do ano, em 8 de janeiro, renovou máxima histórica aos 125 mil pontos, com os estrangeiros acumulando compras desde novembro, o que se estenderia a meados de fevereiro. Desde então, ruídos sobre a gestão das contas públicas, interferência política na Petrobras e falta de controle da pandemia no Brasil passaram a chamar atenção dos investidores – no último caso, também das autoridades sanitárias. Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a situação no País, considerada pelo diretor-geral, Tedros Adhanom, como “muito, muito preocupante”.

Vice-diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o brasileiro Jarbas Barbosa avalia que o colapso na rede de saúde de Manaus (AM), no início do ano, pode se repetir no resto do Brasil, caso não sejam tomadas medidas “enérgicas”, como um lockdown – iniciativa que tem sofrido oposição aberta do presidente Jair Bolsonaro, e de forma velada por parcela dos governadores e prefeitos, entre idas e vindas em suspensões parciais das atividades. Barbosa observa que, mesmo os locais mais preparados do mundo, podem não suportar a demanda de pacientes sem medidas para controlar a transmissão do vírus.

A situação também não está livre de risco em países onde a vacinação tem avançado em ritmo mais intenso, como os EUA. Infectologista e consultor do governo Joe Biden, Anthony Fauci disse que o atual nível de contágios por lá, entre 60 mil e 70 mil casos diários, sugere risco de que o país possa sofrer novo pico da doença. Segundo ele, os EUA registraram queda acentuada nas infecções, e agora a curva de americanos infectados passa por um platô. Contudo, caso as medidas restritivas sejam suspensas, a tendência é de que a curva suba novamente, afirmou Fauci.

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