Bodega Norton: 125 anos de história em rótulos de R$ 43 a R$ 1.000

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Michael Halstrick, filho do proprietário dos cristais Swarovski, é o CEO da Bodega Norton, umas das cinco maiores exportadoras de vinhos da Argentina, com presença em mas de 70 países (Crédito: Divulgação)



Compreender a evolução do vinho argentino exige conhecer a história de seus pioneiros. Um deles é Edmund James Palmer Norton (1865-1944). Filho de ingleses nascido na fronteira da Alemanha com a Dinamarca, ele chegou como engenheiro civil à Argentina no fim do século 19 para trabalhar na construção de uma ferrovia na Cordilheira dos Andes. Fascinado com a beleza da região, fez uma mudança radical em sua vida: decidiu plantar vinhedos com uvas francesas em Luján de Cuyo, na região de Mendoza. Criou a Bodega Norton e se tornou um dos primeiros nomes célebres da viticultura argentina.

Mais de meio século após a morte de Norton, um sobrenome conhecido por sua forte presença no mundo da joalheria deu continuidade ao seu legado. Em 1989, durante uma visita a Mendoza, o empresário austríaco Gernot Langes-Swarovski notou o potencial para o desenvolvimento dos vinhos argentinos e decidiu comprar a Bodega Norton. Seu filho Michael Halstrick assumiu a direção da empresa em 1991 e iniciou um nova era na gestão, com investimentos na expansão do portfólio e no mercado internacional. Hoje, a marca chega a mais de 70 países. No Brasil, a importação dos rótulos está agora a cargo da Casa Flora. “Completamos um mês de distribuição e estamos muito empolgados”, afirmou o diretor de vendas e marketing da importadora, Antonio Carvalhal Neto.

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Com Halstrick no cargo de CEO, a Bodega Norton passou a buscar um posicionamento premium. Já em 1994, com o enólogo Jorge Riccitelli à frente da produção, foi lançado o Malbec Norton DOC, que abriu caminho para os rótulos de alta gama da vinícola. Vieram em seguida os premiados Malbec Reserva (mais de 90 pontos em sete safras consecutivas e três delas entre os top 10 da Wine Spectator), Privado e Altura, ambos com 94 pontos em avaliações internacionais.




Em 2012, Riccitelli foi o primeiro sul-americano eleito Enólogo do Ano pela revista americana Wine Enthusiast. Ao se aposentar, cinco anos depois, ele foi sucedido pelo talentoso David Bonomi, que de cara conquistou da revista inglesa Decanter a distinção como um dos dez enólogos top da América do Sul. Em 2019, foi apontado pela mesma revista e também pelo influente crítico Tim Atkin Enólogo do Ano.

Tanto reconhecimento se traduz na qualidade dos vinhos que fazem da Bodega Norton uma das marcas mais sólidas do vinho argentino. Sua grande variedade de produtos vai desde rótulos voltados para quem busca boa relação preço-performance (caso do Porteño Malbec, com 90 pontos do Guia Descorchados e vendido a R$ 43,50 no e-commerce da Casa Flora), até o espetacular Gernot Langes, homenagem ao proprietário da empresa e dos cristais Swarovkski. Elaborado com uvas dos vinhedos mais antigos da Norton, ele permanece 16 meses em barrica de carvalho francês e mais 12 meses na adega. Mereceu 95 pontos da Decanter. E custa R$ 1.009,90.

Sempre inovando, a Norton acaba de lançar o Sexy Fish Cabernet Franc 2021, um vinho jovem e descomplicado, fresco, com taninos macios e boa acidez. Chega ao consumidor final na faixa de R$ 56. Mais uma prova de que a Argentina pode oferecer muito mais que apenas Malbec.








Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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