Edição nº 1058 23.02 Ver ediçõs anteriores

Fornecedores e ações afirmativas

Fornecedores e ações afirmativas

Entre as empresas que promovem a igualdade em seu quadro de funcionários, apenas 8% possuem políticas para negros

Há provas de que as ações afirmativas no Brasil, embora sejam recentes, podem acontecer na estrutura organizacional das empresas e via fornecedores, fomentando, assim, o desenvolvimento econômico de grupos mais vulneráveis e menos favorecidos.

O setor financeiro é um bom exemplo disso. Em geral, a cadeia de fornecedores ligadas a este segmento bancário ganham pontuações pela adoção de boas práticas de ações afirmativas voltadas a afrodescendentes, mulheres, negros e pessoas com necessidades especiais. 

Atentando para essa modalidade de ação afirmativa, realizou-se recentemente  a pesquisa “Perfil Social, Racial e de Gênero dos 200 Principais Fornecedores da Prefeitura de São Paulo”, lançada pela Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR) em parceria com o Instituto Ethos e com patrocínio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A pesquisa foi a primeira do gênero no País e focou sua análise em quatro grupos considerados vulneráveis no ambiente profissional – mulheres, negros, portadores de deficiências e pessoas com mais de 45 anos. O trabalho abordou a percepção dos gestores sobre a diversidade em suas organizações, as iniciativas pela equidade na distribuição de cargos e o contexto geral de desigualdades no mercado de trabalho de São Paulo. 

Os resultados revelados não foram muito animadores: atualmente, 4,9 milhões de pessoas estão alocadas nas instituições que prestam serviços ao poder público municipal. De acordo com os dados divulgados, dentro desse contingente, a população negra continua sendo a mais vulnerável às desigualdades do mundo corporativo. Por exemplo, entre as empresas que buscam promover a igualdade em seu quadro de funcionários, 28,3% possuem políticas voltadas para pessoas com deficiência, 17% para mulheres, 9,4% para pessoas com mais de 45 anos, e apenas 8% para negros. Ainda, somente 6% das organizações entrevistadas têm medidas para incentivar e ampliar a presença de afrodescendentes em seus diferentes níveis hierárquicos. 

Daqui em diante, a partir desse levantamento, podemos construir ações articuladas com outros geradores de emprego para a inclusão do negro também no setor privado. A pesquisa foi bastante inovadora na região porque representa como o setor público pode dialogar de uma forma produtiva com os seus fornecedores para promover a inclusão social e econômica de populações menos favorecidas.

As perspectivas mudaram. Para as empresas, o que se pretende é que passem a exigir de seus fornecedores terceirizados uma radiografia de sua grade de contratações do ponto de vista racial. Se houver políticas como essas nas grandes empresas será possível termos uma economia mais inclsuiva e uma melhor distribuição do trabalho. É um bom começo.


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