Edição nº 1057 16.02 Ver ediçõs anteriores

Ou o Brasil acaba com os juros, ou os juros acabam com o Brasil

Ou o Brasil acaba com os juros, ou os juros acabam com o Brasil

Duas notícias: uma ruim e uma boa. A ruim é que, pelo quarto ano consecutivo, as vendas de automóveis no País caíram em 2016. Pelos cálculos da Fenabrave, a associação que representa as concessionárias de veículos, foram emplacados 2.050.327 carros, caminhões e ônibus no Brasil, no ano passado, uma queda de 20,19% na comparação com 2015. Para se ter ideia do tamanho da encrenca, esse resultado é semelhante ao que foi registrado dez anos atrás. Para o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr., essa situação é resultado de uma tempestade perfeita, em que se destacam os juros altos, o desemprego e a falta de confiança do consumidor. A boa notícia é que, ao que tudo indica, a situação vai parar de piorar.

As vendas de veículos caíram 20,19% em 2016. O que explica uma nova queda tão forte do mercado?
A economia. O ano foi conturbado e a questão política deteriorou ainda mais o combalido ambiente econômico. Os juros altíssimos, o desemprego e a falta de confiança do consumidor. Tudo isso resultou nesse resultado tão baixo.

A Fenabrave prevê um crescimento de 2,32% em 2017. Isso significa que o setor já bateu no fundo do poço?
Nós temos uma crença muito grande de que já batemos no fundo do poço. Essa previsão é baseada em alguns pontos positivos da economia. Estamos saindo de uma queda do PIB de 3,5%, em 2016, para a projeção de expansão de 1% neste ano. Trata-se de um ritmo lento de reação, mas é um start para a volta dos indicadores positivos. Além disso, a frota brasileira é muito velha e precisará ser renovada, independentemente de aquisição para aumento de frota. Muitas aquisições foram postergadas nos últimos dois ou três anos. Acredito que, agora, elas terão de ocorrer.

Com a crise, o consumidor está mais receoso em tomar crédito, ou os bancos estão evitando conceder financiamentos? 
O banco está no seu direito de ter um maior rigor. O alto nível de desemprego e a desconfiança na capacidade de pagamento geram isso. Até mesmo quem está empregado corre o risco de perder o emprego, o que gera riscos aos bancos. Então, tanto o consumidor não está tomando empréstimo, quanto o banco não empresta.

Todas as categorias de veículos estão sofrendo o mesmo problema?
Os carros de menor valor estão sofrendo mais com a dificuldade de aprovação dos financiamentos, infelizmente.

Qual a sua expectativa para a taxa de juros neste ano?
Ou o Brasil acaba com os juros, ou os juros acabam com o Brasil. Como a inflação está sob controle, voltando para dentro dos limites do teto da meta, conseqüentemente há espaço para redução dos juros. Nossa crença é que, até o final deste ano, esteja na casa de um dígito.

(Nota publicada na Edição 1000 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Luís Artur Nogueira e André Jankavski)


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