Edição nº 1142 14.10 Ver ediçõs anteriores

Primeiras impressões sobre o vinho da África do Sul

Primeiras impressões sobre o vinho da África do Sul

Natasha Bozs é a enóloga responsável pela linha de vinhos brancos da Nederburg

Cidade do Cabo – A enóloga Natasha Bozs foi o que mais me chamou atenção na minha segunda visita à África do Sul, realizada em meados de setembro. Na primeira viagem, em 2004, com o país recém-saído do regime do apartheid e temeroso de não conseguir terminar as obras para a Copa do Mundo, o universo do vinho era um campo para os brancos. Não apenas nos vinhos – por mais que os brancos, com variedades como sauvignon blanc, chardonnay, semillon e chenin blanc, eram e continuam a ser boas pedidas sul-africanas. Na época, minha principal observação era que tinha viajado para a África, provado bons vinhos, mas não tinha visto nem negros, nem leões ou elefantes.

Dessa vez, vi leões, elefantes e zebras em um safari bem turístico próximo à Cidade do Cabo. E a primeira enóloga a apresentar seus vinhos foi a Natasha, no programa de visitas da Distell para preparar o espírito para a 42ª edição do leilão da Nederburg, realizado nos dias 17 e 18 de setembro e com arrecadação recorde de 7.593.200 rands (pouco mais de R$ 1,8 milhão). Natasha é simpática, sorridente, competente e negra. Ela chegou como estagiária na Nederburg em 2008 e desde 2013 é a enóloga responsável pela linha de brancos dessa enorme vinícola.

A jovem Natasha fala com propriedade e sinceridade dos seus vinhos. Primeiro, nem hesitou em criticar a pinotage, a variedade, teoricamente, emblemática do país, mas que não é uma unanimidade entre os enólogos locais. Ela nunca provou um pinotage que a emocionasse, confessou. E na relação de rótulos escolhidos para a degustação com o grupo de jornalistas, a pinotage não estava nas escolhidas entre as diversas variedades cultivadas pela Nederburg.

Nos brancos, ela se encanta com a chenin blanc, uma das variedades mais plantadas da África do Sul. “É uma uva muito diversa”, conta ela. Natasha defende tanto os chenin elaborados apenas em aço inox como aqueles que passam por barricas de carvalho, como os vinhos de sobremesa. Vale confiar na enóloga.


Mais posts

Feira Naturebas reúne vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais em SP

A feira de vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais traz a sustentabilidade emtodas as suas etapas. Evento inicia neste fim de semana [...]

Por que o vinho entrou na pauta econômica?

Além das discussões sobre a substituição tributária, a bebida é tema do acordo bilateral entre Mercosul e União Europeia

Um vinho brasileiro natural em Nova York

Luiz Henrique Zanini apresenta o seu vinho “laranja” Era dos Ventos Peverella

Uma semana para provar vinhos

A Pró-Vinho promove a primeira edição da Semana do Vinho, quando haverá diversas promoções da bebida em todo o Brasil

A importância crescente do enoturismo

A francesa Alice Tourbier, do Les Sources de Caudalie, é o principal destaque do Invino Wine Travel Summit, que acontece nesta [...]
Ver mais