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Energia: quando menos é sempre mais

Energia: quando menos é sempre mais

Heider Berlink é sócio-diretor da empresa que tem como base o aplicativo Pague Verde

Quando se fala em desperdício de recursos o Brasil ocupa os lugares mais elevados do pódium, em boa parte das estatísticas globais. Começa com os cerca de 40 mil toneladas de alimentos jogados no lixo todos os dias, e vai até a energia elétrica e a água que chega as torneiras das nossas casas. Mesmo quando o valor cobrado por cada quilowatt ou m³, respectivamente, atinge um patamar impressionante. Resultado: desperdício de dinheiro e de insumos vitais para o nosso dia a dia. 

O que acontece no campo energético chamou a atenção de um grupo de empreendedores radicados em São Paulo e em Santa Catarina. Por meio do aplicativo Pague Verde eles prometem recompensas para quem se comprometer a usar a energia de forma mais eficiente: reduzindo o consumo a partir de mudança de hábitos ou por meio da incorporação de tecnologia (aquisição de lâmpadas PL ou LED, por exemplo). 

Em troca, o consumidor ganha pontos para trocar por ingressos de cinema e teatro, além de descontos em cursos de qualificação profissional. “Nosso objetivo é promover atitudes racionais, sem que as pessoas abram mão do conforto”, explica o empreendedor Heider Berlink, sócio-diretor da empresa que tem como base o aplicativo.

O negócio nasceu a partir de uma pesquisa sobre smart grid (redes inteligentes de energia) na época em que Berlink cursava mestrado em engenharia elétrica na Faculdade Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Apesar de ter sido lançada há menos de um ano, a empresa já conta com reconhecimento mundial.

O Pague Verde foi uma das iniciativas inovadoras premiadas na categoria Eco-Desafio da sétima edição do prêmio Competência de Talento e Inovação das Américas (TIC Americas), promovido pela Organização dos Estados Americanos (OEA), a Young Americas Business Trust e a PepsiCo América Latina. O evento aconteceu durante a 46ª Assembleia Geral da OEA, realizada em meados de junho, na República Dominicana. A disputa envolveu 1.693 projetos do Caribe e da América Latina. 

Mais que trazer para casa um cheque no valor de US$ 5 mil, o soteropolitano Heider Berlink, radicado na cidade de São Paulo, e seus três sócios (Marcelo Andriolli, Alexandre Vieira e Diogo Ferreira Alvos) acreditam que a visibilidade poderá dar um novo impulso à startup. Atualmente, a Pague Verde opera nos Estados de São Paulo e de Santa Catarina nas áreas de influência das concessionárias Eletropaulo, CPFL e Celesc. 

Em cinco meses de operação eles já contam com a adesão de 1,7 mil assinantes residenciais, cuja mudança de hábitos já permitiu uma economia de 3 mil quilowatts. Trata-se do consumo equivalente a 20 residências de famílias de classe média. “Parece pouco, mas o número é expressivo porque estamos mexendo com mudanças de atitudes.”

Berlink e seus sócios acreditam que o potencial do negócio vai muito, mas muito, além disso. Tanto na captura de clientes, quanto na possibilidade de redução do desperdício. A meta é fechar o ano com 12 distribuidoras parceiras, representando 60% de cobertura do mercado nacional de energia elétrica. O empreendedor explica que os investimentos realizados até agora (R$ 50 mil, bancados integralmente por um investidor-anjo pessoa-física, cujo nome não revela) são suficientes para garantir essa nova fase da empresa. 

Na verdade, hoje são os próprios sócios que cuidam da gestão do software e fazem o atendimento aos parceiros. “Como todas as etapas de interlocução com os usuários da plataforma acontecem por via eletrônica, não precisamos de um contingente expressivo de funcionários”, explica. O modelo de negócio é baseado em duas vertentes de remuneração: a comissão paga pela empresa parceira no resgate do produto pelo cliente e a utilização do cadastro de usuários para pesquisas e outras iniciativas de marketing digital. 


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