Edição nº 1125 14.06 Ver ediçõs anteriores

Fabio Seixas, um Panda Criativo

Fabio Seixas, um Panda Criativo

O empreendedor Fabio Seixas é sócio da holding O Panda Criativo

Quando o empreendedor Fabio Seixas começa a falar dos projetos que liderou nos últimos 10 anos e de todas as iniciativas nas quais está envolvido, fica difícil acreditar que ele tenha “apenas” 33 anos. Manauara de nascimento, o empreendedor é a expressão pronta e acabada do que os teóricos da Economia Criativa classificam de maker e coolhunter. Numa definição bem resumida, trata-se daquele profissional que faz acontecer e é capaz de descobrir tendências e apontar caminhos para o futuro, em diversas áreas. 

Meu encontro com o Fabio aconteceu no final da manhã de domingo (15/5), numa cafeteria nas cercanias do Centro Cultural Tomie Ohtake, situado em Pinheiros, bairro da zona oeste de São Paulo. Naquele fim de semana, o complexo funcionava como o epicentro da 4ª edição do Festival Path – evento que contou com palestras, workshops, feira de empreendedorismo inovador, cinema e shows musicais realizados também em livrarias, museus e centros culturais situadas num raio de um quilômetro. 

A tentativa de buscar uma vinculação com o South by Shouthwest (SXSW), que acontece em Austin, a mais inovadora cidade do Texas, é imediata. Fabio garante, no entanto, que o festival texano lhe serviu de inspiração no formato, e nada mais. “O modelo de negócio e a curadoria carregam muito das minhas experiências nas áreas de cinema, da propaganda e do Terceiro Setor”, destaca Fabio. Mas o Path é antes de tudo um negócio. E lucrativo, de acordo com o empreendedor. 

Nesta edição, foram investidos R$ 10 milhões. Na conta estão computados desde os patrocínios diretos até os indiretos, representados pelo valor dos serviços prestados pelos parceiros como os de mídia e de divulgação. Sem dúvida, um dos grandes atributos do empreendedor serial e ativista é a capacidade de erguer pontes e estabelecer acordos no esquema ganha-ganha com empresas e profissionais das mais variadas áreas. 

E isso vale também para ONGs (os monitores do Festival são recrutados no Instituto Criar) e entidades sem fins lucrativos como a Associação Era Transmídia, que usou o festival para divulgar a Realidade Virtual (VR, na sigla em inglês) e o cinema 360º. “Estou muito empolgado com as possibilidades dessa tecnologia, que conheci quando trabalhava na Conspiração Filmes”, diz Fabio. “O estande da Era Transmídia foi um sucesso. Recebeu cerca de 300 pessoas no primeiro dia.” 

Crise econômica e propósito

Apesar da crise econômica, o sócio da O Panda Criativo diz que não teve problemas para conseguir patrocinadores. “Quando há uma escassez financeira, as empresas acabam se voltando para projetos que tragam propósito e inovação para suas marcas.” E foi exatamente o desejo de adicionar propósito ao ato de ganhar dinheiro que fez com que Fabio e seu sócio Rafael Vettori, 32 anos, graduado em direito e em artes dramáticas, se lançassem na seara do empreendedorismo sustentável. 

No caso de Fabio, o mergulho de cabeça neste universo foi facilitado pelo fato de contar com múltiplas experiências baseadas no apetite ao risco e no desejo de ir além do óbvio. Sua carreira acadêmica inclui o curso de produção multimídia e design no Art Institute, nas unidades de Miami e de Nova York, além do mestrado em administração na Universidade Federal da Bahia. 

No campo profissional, ele passou pela Conspiração Filmes e trabalhou no Grupo ABC, de publicidade e mídia. Mas nas horas de folga tocava projetos paralelos. Aliás, muitos: Coletivo Missa (de música), Pineapple Panda (artes plásticas), Encontros Criativos (workshops), SHIFT CineClub (cinema) e PLUS PLUS. 

No plano pessoal, o mundo sempre foi o quintal de sua casa. Além dos EUA, ele morou na China, no México, na África do Sul e em Taiwan, num total de 17 cidades entre o Brasil e o Exterior. Nos momentos de lazer, Fabio gosta de encontrar os amigos, mas não dispensa aventuras de autoconhecimento. A lista inclui a escalada de montanhas elevadas (o monte Kilimanjaro, na Tanzânia, faz parte de seu currículo) e as provas de ultramaratona. “Gosto de competir em lugares extremos e desafiantes”, diz, enquanto beberica, lentamente, seu café macchiato. 

E foi de um jeito cool que Fabio respondeu a todas as perguntas. Inclusive as mais incisivas. O Festival Path foi criado para a elite? “De jeito algum”, reage. “A lista de atrações inclui eventos gratuitos como os shows realizados em duas praças.” Mas e a diversidade, não parece se tratar de um evento feito para quem pensa de forma semelhante? “Claro que não. A curadoria tem como base a qualidade e a diversidade”, destaca. “Se o artista é bom, não importa se toca música clássica, hip hop ou brega.” 

Antes de definir as atrações, a equipe promove uma série de encontros pelo Brasil afora. Para a edição 2016 foram feitas audições em Curitiba, Salvador e Rio de Janeiro. Apesar do sucesso, financeiro e de aceitação do público, ele não pretende replicar o evento em outras capitais. “São Paulo é a cidade que abraça todos os brasileiros”, argumenta. “Eu sou um exemplo disso.”


Mais posts

Fábrica de empreendedores

Ao completar 100 anos, a Junior Achievement (JA) renova sua aposta na disseminação do espírito empreendedor como mola propulsora do [...]

Energia limpa ao alcance de (quase) todos

Conheça a Ledax, fabricante de lâmpadas LED que, agora, aposta na energia solar para o segmento PME

Brincadeira de US$ 1,5 bilhão

Startup de Salvador aposta em jogos educativos que falam da história e das conquistas da comunidade afro-brasileira

Negócios na esteira da biotecnologia

Tecnologia de purificação de água, desenvolvida na Austrália, deu origem à paulista O2Eco que deve fechar o ano com faturamento de R$ 5 [...]

Fábrica de talentos

Em menos de três anos, a Comunidade Empodera se tornou uma das mais vibrantes startups da área de RH, focada em diversidade
Ver mais

Copyright © 2019 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.