Edição nº 1134 19.08 Ver ediçõs anteriores

Aposta no voluntariado com método e gestão de qualidade

Aposta no voluntariado com método e gestão de qualidade

Desde 2003, o projeto Tribos já mobilizou mais de 100 mil estudantes de 3.527 escolas públicas e privadas

Em meados de 2015, eu passei um dia em Porto Alegre para mais uma rodada de entrevistas com Maria Elena Pereira Johannpeter, fundadora da ONG Parceiros Voluntários e uma das personagens de meu livro Histórias Inspiradoras (BATE PAPO livros e Editora Universidade Zumbi dos Palmares). 

Muito atenciosa, Maria Elena me recebeu para uma longa conversa, na qual passamos e repassamos histórias dos 18 anos de existência da ONG e de sua trajetória como empreendedora social. Ao longo do encontro, ela fez questão de destacar, mais de uma vez, a importância do Tribos nas Trilhas da Cidadania. Trata-se de um programa da Parceiros focado na mobilização de estudantes da rede pública e privada. “Essa é a nossa poupança para o futuro do Brasil”, disse ela. 

Somente no final da tarde, ao fazer uma visita guiada a um jardim de infância da prefeitura, situado na praça do Alto da Bronze, é que eu fui me dar conta da magnitude daquela afirmação. Foi reconfortante ouvir de educadores e voluntários que os piás (como as crianças são chamadas na gíria gaúcha) de 5, 6 anos já estavam sendo treinados para atuar em programas de voluntariado junto à comunidade. 

Nesta semana, voltei a conversar com Maria Elena. Desta vez por telefone. E o assunto foi, mais uma vez, a mobilização de jovens em prol do trabalho comunitário. E, novamente, falamos muito de futuro. Afinal, a ONG acaba de receber um estudo crítico indicando correções de rotas e aprimoramentos nesta vertente de sua atuação. “Descobrimos novas oportunidades para ampliar esse trabalho nas faixas mais jovens”, conta Maria Elena. “Isso será feito por meio da atualização da metodologia.”

Em linhas gerais, o estudo mostrou que no período 2003-2015, os estudantes e professores que passaram pelo programa acabaram replicando essas ações por conta própria, no bairro onde moram ou em outras escolas que não faziam parte do roteiro do Tribos. A faixa etária, pensada inicialmente entre 15 a 18 anos, para abarcar os integrantes do ensino secundário, acabou sendo expandida de forma orgânica entre 13 e 15 anos.

“Os jovens hackearam o projeto”, diz Maria Elena. Essa realidade, aliás, é um dos destaques do relatório elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). O trabalho foi encomendado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), parceiro de longa data da ONG. 

Mais que um desafio, Maria Elena enxerga aí uma oportunidade de ouro para arregimentar muitos mais soldados da causa do voluntariado. Desde 2003, o Tribos já mobilizou mais de 100 mil estudantes de 3.527 escolas públicas e privadas. Nesta conta também estão incluídos os piás da escolinha situada na Praça da Bronze. “Estamos diante de uma geração de crianças e jovens que se preocupam mais com as pessoas, gostam de iniciativas colaborativas e estão ávidos por serem agentes de mudanças sociais.” 


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