Coluna

Por que a Apple chinesa não decola no Brasil?

A fabricante de smartphones Xiaomi perde terreno no mercado global e não consegue avançar no País  

Por que a Apple chinesa não decola no Brasil?

Hugo Barra, da Xiaomi: brasileiro responsável pela expansão global da fabricante chinesa de smartphones (foto: Mariana Neaime)

A fabricante chinesa Xiaomi era considerada a sensação do mercado global de smartphones, com um valor de mercado estimado em US$ 46 bilhões.

Chamada de a Apple chinesa, a companhia avançava rapidamente em seu país de origem e dava os primeiros passos nos mercados internacionais, sob o comando do brasileiro Hugo Barra.

Quando chegou ao Brasil, no fim de junho de 2015, filas de fãs se formaram para acompanhar o evento de estreia, semelhante ao que acontece com a Apple em diversos locais do globo. Quase um ano depois, a empresa não está conseguindo decolar no Brasil.

O blog BASTIDORES DAS EMPRESAS apurou a Xiaomi vendeu quase 40 mil smarthones em 2015, número que a deixa bem atrás dos principais rivais locais. No primeiro trimestre de 2016, estima-se que nem 10 mil celulares inteligentes foram vendidos pela fabricante chinesa.

No Brasil, o mercado de smartphones é liderado pela coreana Samsung, seguida de Motorola e da coreana LG.

Procurada, a Xiaomi, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que o número de vendas é superior a 40 mil unidades em 2015 e que sua evolução de vendas está dentro do planejado. A fabricante acrescentou que não pode abrir as informações por países.

O modelo preferencial da Xiaomi é a venda direta por seu site. Mas, desde o ano passado, ela atua também por meio das lojas físicas da operadora Vivo, do grupo espanhol Telefônica.

No começo deste ano, os principais sites de comércio eletrônico brasileiros, como Casas Bahia, Ponto Frio, Submarino e Americanas.com, também passaram a comercializar o Redmi 2, o único aparelho  vendido no Brasil.

“Ela precisa aumentar sua rede de distribuição, caso tenha pretensões de ficar entre as líderes no Brasil”, diz uma fonte que acompanha o mercado de smartphones brasileiro.

Globalmente, a Xiaomi começa também a enfrentar problemas. Pesquisa da consultoria americana IDC, com dados globais sobre o primeiro trimestre de 2016, mostra que a Xiaomi está perdendo espaço para seus compatriotas.

Nos três primeiros meses deste ano, a empresa fundada por Lei Jun, cuja fortuna é estimada em US$ 9,9 bilhões, deixou de figurar entre as cinco maiores fabricantes de smartphones do mundo, assim como a Lenovo (que é dona da marca Motorola).

As duas empresas perderam seus postos para as desconhecidas marcas OPPO e vivo (assim mesmo, tudo em maiúscula e em minúscula). Ambas surgiram em 2011 e tinham relativo sucesso na China. Mas começaram a se expandir internacionalmente.

A OPPO, por exemplo, está em diversos países da Ásia e, recentemente, chegou ao Oriente Médio e África. A vivo está testando os países do sudeste da Ásia e Índia.