Edição nº 1134 19.08 Ver ediçõs anteriores

A adversidade como motor de crescimento

A adversidade como motor de crescimento

Júlio Ronchetti é fundador e presidente da EDUEXPO, a maior feira de intercâmbio da América Latina

Em sua trajetória empreendedora, o paulistano Júlio Ronchetti sempre conviveu com a adversidade e o inesperado. No final da década de 1990, ele investiu tempo e recursos na internet, com a criação de portais destinados a conectar brasileiros dispostos a estudar no Exterior. Começou com o cursosenelexterior.net, rebatizado depois de estudenoexterior.com e que evoluiu para a rede social www.edufindme.com. 

O estouro da bolha da internet, em meados de 2000, inviabilizou o modelo de negócios baseado na venda de anúncios (banners). Além disso, sumiram os investidores dispostos a arriscar no mundo virtual. Resultado, para não perder o capital intelectual aplicado neste projeto, o empreendedor decidiu se voltar para o mundo analógico. 

Foi aí que nasceu a EDUEXPO, feira de intercâmbio que coloca frente à frente dirigentes de universidades e colégios e estudantes dispostos a estudar fora de seu país. Porém, uma semana antes da data de início do evento aconteceram os fatídicos atentados de 11 de setembro, nos Estados Unidos. “Foi uma loucura”, recorda. “Todos os aeroportos americanos foram fechados, o que colocava em xeque a vinda dos representantes das universidades americanas a São Paulo.” Três dias antes da feira, no entanto, o governo americano liberou os voos. 

No próximo sábado (27), acontece mais uma edição da EDUEXPO, na capital do Estado de São Paulo. Coincidentemente, a maré atual também não está lá muito favorável. Desta vez, por conta da brutal queda do real frente o dólar – o que encarece as despesas de quem pretende viajar para o Exterior, especialmente se o destino for os EUA. Pior. Alguns dirigentes de escolas secundárias e universidades americanas cancelaram sua participação por medo da epidemia de zika. Mas Júlio não se abala. “O evento terá uma dimensão menor, mas vai cumprir seus objetivos.”

Ele tem razões para ser otimista e confiar no seu feeling. Hoje, aquela semente lançada em 2001 está em sua 30ª edição (são duas por ano) e o evento tem sido replicado em cerca de 40 cidades de países dos cinco continentes, atraindo 200 mil pessoas anualmente. A lista inclui Madrid, Roma, Londres, Hanói, Cidade do México, Bogotá, Santiago, Dubai… O foco é sempre o estudante local que deseja fazer algum curso no Exterior. No ano passado, os eventos geraram uma receita de R$ 20 milhões, 25% acima do obtido em 2014. Nada mal para quem investiu apenas US$ 15 mil para viabilizar a primeira edição do evento. 

A resiliência do empreendedor, que divide o comando do negócio com a irmã, Daniela, é digna de nota. Até porque, eles se tornaram empresários meio que por obra do acaso. De volta ao Brasil após um período de estudos de idioma no Exterior, em 2000, Júlio montou uma pequena escola de inglês, a Fast Forward Institute, situada em São Paulo e especializada em aulas de português para estrangeiros. Como tinha de captar muitos dos estudantes fora do Brasil, acabou fazendo contatos com universidades e escolas secundárias de diversos países. Daí surgiu o embrião da EDUEXPO.


Mais posts

Smart Moov: a loja que vai onde o cliente estiver

Para chegar ao modelo SmartMoov2020 foi preciso investir R$ 8 milhões, ao longo de quatro anos

Ganhos sobre duas rodas. Elétricas!

Em menos de quatro anos a E-Moving se tornou uma das principais startups do segmento de mobilidade de São Paulo

Fábrica de empreendedores

Ao completar 100 anos, a Junior Achievement (JA) renova sua aposta na disseminação do espírito empreendedor como mola propulsora do [...]

Energia limpa ao alcance de (quase) todos

Conheça a Ledax, fabricante de lâmpadas LED que, agora, aposta na energia solar para o segmento PME

Brincadeira de US$ 1,5 bilhão

Startup de Salvador aposta em jogos educativos que falam da história e das conquistas da comunidade afro-brasileira
Ver mais