Edição nº 1057 16.02 Ver ediçõs anteriores

Lava Jato turbina o compliance

Lava Jato turbina o compliance

Para Jonas Moriki, diretor financeiro da Murah Technologies, buscar a transparência é um meio de assegurar mais confiabilidade ao negócio  (foto: Divulgação)

As restrições impostas pelo mercado interno em recessão, que levam muitas empresas a cogitar seriamente em expandir suas operações, somadas às repercussões da operação Lava Jato, estão colocando na ordem do dia a implementação de programas de compliance no mundo corporativo brasileiro, fazendo a festa para as consultorias especializadas.

“Num tempo em que o País tem sua credibilidade afetada pelos escândalos de corrupção, buscar a transparência é um meio de assegurar mais confiabilidade ao negócio perante os investidores”, afirma Jonas Moriki, diretor financeiro da Murah Technologies, de São Paulo.

Segundo Moriki, a Murah, que trabalha com soluções customizadas de compliance, gestão de riscos, controles internos e auditoria, com clientes como Caixa Econômica Federal, Embraer, Sul América, Lojas Marisa e Banco Pan em seu portfólio, projeta para este ano um crescimento de 45% sobre o faturamento de R$ 15 milhões, obtido em 2015. 

Para ele, o grande desafio para as companhias é reduzir eventuais perdas e elevar os ganhos. No varejo, por exemplo, são comuns os prejuízos causados por fraudes na gestão de estoques. Um caso recente, foi o anúncio, em 18 dezembro do ano passado, da Cnova, empresa de comércio eletrônico do grupo francês Casino, que reúne os sites de redes como Casas Bahia, Ponto Frio e Extra, de que abrira investigação sobre o envolvimento de funcionários suspeitos de desviar produtos de seus  centros de distribuição no Brasil. Estimativas preliminares dão conta de que as irregularidades, praticadas nos últimos, teriam chegado a R$ 60 milhões. No primeiro pregão após a revelação das fraudes as ações da Cnova caíram18% na bolsa americana Nasdaq.

Lá fora, o esforço pela transparência deve ser mais do redobrado, alerta Moriki. Principalmente em países como os Estados Unidos e Inglatera. Na terra do presidente Obama, a Foreign Corrupt Practices Act, mais conhecida pela sigla FCPA, que inspirou a lei anticorrupção brasileira, pune severamente as empresas, locais e estrangeiras, envolvidas em no pagamento de propinas a funcionários públicos americanos. “Com a imagem atual do Brasil, nossas empresas têm de provar mais do que as de outros países de que atuam dentro da lei”, afirma.  

Para ele, a Lava Jato representa um divisor de águas, obrigando as empresas brasileiras a adotar uma postura pró-ativa. “Todo mundo sabia que o compliance era importante, uma necessidade, mas poucos passavam à prática”, diz. “Com o escândalo envolvendo a Petrobras e seus fornecedores, muita gente começou a investir mais seriamente, pois se deram conta de que eventuais deslizes podem comprometer até a continuidade dos seus negócios.”


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