Edição nº 1150 09.12 Ver ediçõs anteriores

Exame de consciência

Exame de consciência

Eliezer e Carolina (foto: Divulgação)

Às vezes, as oportunidades de negócios surgem a partir da observação da realidade que nos cerca. Especialmente quando nos deparamos com a necessidade de lidar com um problema que não é visto como prioritário pelo mercado. Foi motivado por este sentimento que o casal de paulistanos Carolina Fagundes e Eliézer Dias decidiu se tornar empreendedor. 

Tudo começou em 2005, quando Carolina, que atuava como instrumentadora cirúrgica, resolveu improvisar um método mais ergonômico para que sua mãe, em tratamento de câncer, fizesse a coleta de material para exame clínico. O recipiente, feito de forma artesanal, acabou chamando a atenção do setor médico e depois de incubadoras de negócios, dando origem à ColOff Industrial. 

Agora, a empresa está prestes a dar seu maior salto. A expectativa é fechar 2016 com receita de R$ 2,6 milhões, resultante da venda de dois milhões de unidades (entre kits e sachês de revestimento de assento sanitário). Em 2015, a empresa obteve faturamento de R$ 250 mil. O crescimento exponencial, de acordo com Eliézer, CEO da ColOff, é resultado de um investimento constante na abertura de novos mercados, em inovação e no fortalecimento da vertente sustentável do produto.

Um bom exemplo disso foi a substituição do plástico convencional pela versão verde, produzida de resina obtida a partir do etanol. Com isso, o ColOff – que já ostentava o selo verde na embalagem (certificada pelo Forest Stewardship Council, mais conhecido pela sigla FSC) – estendeu o benefício para o produto. Hoje, ele conta também com o selo I´m Green, criado pela petroquímica Braskem, pioneira nesta resina. Para Eliézer, que fez carreira no mundo publicitário, este tipo de certificação tem uma importância vital na estratégia de qualquer negócio que pretendab se perenizar e crescer. “É uma forma de explicitar seus valores e compromissos”, diz.

Contudo, alerta que tão importante quanto selos é o empreendedor ter ambições globais. “Pensar local é muito pouco.” Aliás, o salto da ColOff se deve a esta característica de seus criadores. Antes mesmo de se firmar no Brasil, o produto já era vendido no Exterior. Começou pela Austrália, em maio de 2014, e hoje pode ser encontrado em farmácias da Nova Zelândia, do Canadá e, agora, está desembarcando nos Estados Unidos.  

Em sua trajetória, o casal Carolina-Eliézer também se socorreu de centros de saber e de fomento a negócios disruptivos. A começar pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), ligado à Universidade de São Paulo (USP). A partir daí, a ColOff ganhou prêmios importantes e ingressou em aceleradoras de startups, como o Desafio Brasil, em 2012, e o Braskem Labs, em 2015. 

Hoje, a ColOff figura na lista das mais atrativas empresas iniciantes, de acordo com o ranking 100 Open Startups. “Nada vai pagar a experiência que adquirimos neste ambiente de inovação”, diz. “Outro grande dividendo deste ecossistema é a possibilidade de contarmos com mentoria, além de podermos construir uma rede de relacionamentos.”

Mesmo com o sucesso obtido até aqui, o casal considera que não é hora de entrar na zona de conforto. Afinal, os desafios para quem toca uma empresa (quer seja inovadora ou convencional) continuam os mesmos. “O empreendedor brasileiro é aquele sujeito que acorda pela manhã pensando em salvar o mundo e vai dormir querendo se matar!”, brinca. Bem, pode-se notar que, neste momento, Eliézer se encontra na parte inicial deste axioma. 


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