Coluna

Liguem seus celulares!

1º Fórum Belas Artes de Economia Criativa traz casos de sucesso e expõe os princípios da nova economia em que a palavra chave é  compartilhamento 

Liguem seus celulares!

John Howkins:“O erro não é legal. Mas é necessário. A Economia Criativa é a economia do erro”

Antes de dar início à terceira mesa da tarde do 1º Forum Belas Artes de Economia Criativa, a professora de mídias sociais digitais da instituição, que faria a mediação das palestras de estrategistas do Twitter e do Linkedin, fez um apelo à plateia: “Liguem seus telefones. Vivemos uma economia de compartilhamento. O que ouvirem aqui, coloquem no mundo, dividam com todos que conhecem”.

Explica-se. As mídias sociais digitais são ferramenta de comunicação e co-produção imprescindível aos agentes da Economia Criativa. Este é um termo que foi conceituado em 2001 pelo britânico John Howkins – palestrante de honra no encerramento do evento–, mas o Centro Universitário Belas Artes se reconhece nele desde sua criação, muito antes disso. Com o slogan “Desde 1925 promovendo a Economia Criativa”, a escola promoveu nesta terça feira 22 uma primeira rodada de encontros para expor e debater as ideias que norteiam a economia da criatividade e da inovação.

Antes que John Howkin pudesse afirmar em sua palestra que a linguagem das redes móveis deixará de ser baseada em textos e passará a ser radicalmente baseada em imagens, a “brand strategist” do Twitter no Brasil, Dani Bogoricin, começou sua fala com duas imagens bastante significativas. A primeira delas, tornou-se um viral recentemente e mostra todos os usuários do metrô em uma plataforma olhando para as telas de seus celulares. a segunda é de 1946, e mostra todas as pessoas dentro de um vagão de trem consumidas pela leitura de jornais.

Outro momento alto da tarde foi a exposição de Rodrigo Teixeira, que se auto-apresenta como um empreendedor do mundo criativo. Produtor de obras para televisão e filmes de grande sucesso como “O Cheiro do Ralo” (2007), “Frances Ha” (2012), além de curador do Sundance Film Festival, Teixeira falou da transformação pelo qual o cinema passa hoje no Brasil e no mundo. “Se eu dependesse de subsídio do Estado, minha carreira simplesmente não teria acontecido. Enquanto depender do Estado, a indústria de cinema será inexistente no Brasil”, disse, defendendo o empreendedorismo como única estratégia para as produções independentes. Teixeira encerrou sua participação falando do fator risco implícito nessa forma de pensar e agir. “Já fiz muita coisa que deu errado”, garante.

Já Hawkins, o grande mentor, tranquilizou: “O erro não é legal. Mas é necessário. A Economia Criativa é a economia do erro”. Trocando em miúdos, só inova quem erra e bate muita cabeça. Só assim é possível tomar as rédeas da própria vida e inventar o futuro.

Por mais que tenha virado uma secretaria do Ministério da Cultura, em 2011, a economia criativa é um território ainda desconhecido e inexplorado no Brasil. Na Grã-Bretanha, entre 2010 e 2014, a economia critica cresceu duas vezes mais que a economia convencional.

Ouvindo o britânico Hawkins falar, do alto de uma cultura que pratica com maestria e dá exemplos ao mundo de como fazer dinheiro e sucesso de forma independente, com arte, cultura, design e mídias digitais – sem se vender às grandes corporações – chega-se a pensar o quanto a Economia Criativa partilha dos princípios da auto-ajuda.

Uma coisa é certa e comprovada pela a história: tempos de crise é quando criatividade e inovação são mais necessitadas. Com isso, as platéias dão sempre as boas vindas às listas dos “top trends”.