Edição nº 1138 16.09 Ver ediçõs anteriores

As lições de degustar com Jancis Robinson

As impressões de uma brasileira que avaliou 225 vinhos argentinos ao lado da mulher mais influente do mundo de Baco

As lições de degustar com Jancis Robinson

A inglesa Jancis Robinson tem uma vasta obra publicada sobre o vinho (foto: Suzana Barelli)

Encontrei Jancis Robinson no aeroporto de Mendoza. Era domingo final da tarde e tínhamos acabado de desembarcar do mesmo vôo de Santiago do Chile para a capital do vinho argentino. No saguão, conversamos sobre o concurso de vinho que participaríamos a partir do dia seguinte. Jancis tinha sido jurada da primeira edição, em 2007, e eu da última, em 2014. Ela, animada, contou: no primeiro dia serão 83 vinhos; no segundo, 87 e no terceiro, mais de 50. Lembro que eu comentei: estes são os vinhos do seu grupo, não sei quantos serão no meu. Na organização do Argentina Wine Awards (AWA), o concurso que na sua 9.ª edição teria apenas mulheres entre as juradas, são seis grupos de degustadores, cada um formado por dois convidados internacionais e um argentino. Cada grupo prova um número mais ou menos equivalente de vinhos e todos os rótulos são degustados por dois grupos diferentes.

Poucas horas depois, no coquetel de apresentação das juradas, eu soube que a mim também caberiam os mesmos 83 vinhos no primeiro dia, 87 no segundo e exatos 55 vinhos no terceiro. Com uma tabela impressa em um papel sulfite, a inglesa Jane Hunt, que organiza o concurso, me avisou que eu e a sommelier argentina Marina Beltrame estaríamos no mesmo time de Jancis, o grupo E. “Não foi fácil dividir os grupos e achamos que será um júri equilibrado”, afirmou Jane.

UAH! Foi minha primeira reação. Depois veio um nervosismo, daquele em que as pernas tremem, o sorriso forma em sua boca e você não sabe se está contente ou não. Foi difícil dormir naquela noite. Tinha levado na mala o livro “Como degustar vinhos”, escrito pela própria Jancis, pensando em pedir um autógrafo. E agora a autora dos meus melhores ensinamentos de degustação iria degustar comigo. Naquela noite, até tentei folear o livro, mas não passei da segunda página.

O concurso começou às 9 horas da manhã do dia seguinte. Quando cheguei, cinco minutos antes, Jancis já estava lá, assim, como todas as juradas internacionais. A pontualidade parece ser uma marca das europeias e asiáticas, em contraste com as latinas. Jane Hunt deu as instruções gerais da prova – provaríamos às cegas, em grupos de três, e as únicas informações para os jurados são o estilo dos vinhos (espumantes, chardonnay, malbec etc), as safras e as faixas de preço (as amostras são classificados em cinco faixas de preço pelos seus valores de venda). E logo me vi sentada com sete espumantes à minha frente, e Marina e Jancis ao meu lado. Que bom que eram espumantes argentinos, estilo que para mim, talvez pela vocação do Brasil para as borbulhas, é mais fácil de avaliar.


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