Edição nº 1133 09.08 Ver ediçõs anteriores

Quando as empresas ficam grandes demais?

O começo dos anos 2000 marcou um debate profundo entre os economistas. Quando uma empresa fica grande demais e se torna inviável?

O nome técnico para isso é Lei dos Rendimentos Decrescentes. Não é um tema novo: foi enunciada pela primeira vez pelo economista inglês David Ricardo (1772 – 1823), e muito discutida desde então. Resumindo, em português de dia de semana, quanto maior for uma empresa, menos interessante é, para ela, investir em aumentar a produção.

Um exemplo torna mais fácil entender. Pense em uma pequena oficina mecânica, com dois mecânicos e apenas um jogo de ferramentas. Enquanto um trabalha, o outro fica olhando os posters de mulheres nuas nas paredes. Se a empresa (a oficina) investisse algumas centenas de reais em um segundo jogo de ferramentas, os dois mecânicos poderiam trabalhar. A produção e a produtividade dobrariam. Ou seja, investir, compensa.

Mantendo o mesmo exemplo, a compra de um terceiro jogo de ferramentas traz menos ganhos. São só dois mecânicos, e um dos três conjuntos de ferramentas seria menos usado. Investimento pouco rentável, portanto. Amplie isso para uma montadora de veículos, e o raciocínio é que, de um ponto de vista financeiro, investir compensa cada vez menos. ´

Isso foi princípio sagrado para os economistas até o início dos anos 90, quando a internet mudou tudo. A possibilidade de processar rapidamente enormes quantidades de informação revolucionou a gestão. Tamanho, então, passou a representar vantagem. Só que, aí, o problema foi a regulação. Se houvesse apenas uma gigantesca empresa telefônica, um banco gigantesco ou uma única montadora de veículos, o cliente estaria totalmente indefeso.

Entra aí a importância da regulação dos mercados e do estabelecimento de limites ao que se convencionou chamar de práticas anti-concorrenciais. Por exemplo, todos os bancos “coincidentemente” elevarem as tarifas de prestação de serviços no mesmo percentual e na mesma semana. Esse assunto será cada vez mais importante, pois a tendência das empresas é, crescentemente, concentração.

Explica-se aí a importância de o Prêmio Nobel de Economia deste ano ter ido para Jean Tirole, economista francês de 61 anos pouco conhecido fora do circuito acadêmico. Professor-visitante do Massachusetts Insitute of Technology (MIT), Tirole dedicou-se a quantificar a influência da regulação e da competição sobre os grandes conglomerados e os principais setores da economia.

Sua premiação é uma indicação do que preocupa as cabeças pensantes fora do mercado financeiro: teria o crescimento dos bancos e das empresas ido longe demais? Essa será uma questão cada vez mais ouvida no debate econômico, em um momento no qual os limites da intervenção estatal sobre as empresas estão sendo discutidos.


Mais posts

Por que a Lush vai fechar as portas no Brasil de novo

Quatro anos após ter reiniciado suas atividades no Brasil, a empresa britânica de cosméticos de luxo Lush está fechando as portas de [...]

Bradesco venderá previdência pelo celular

A Bradesco Vida e Previdência vai aproveitar uma mudança na regulamentação do mercado e, a partir do dia 29 de janeiro, começa a distribuir planos de previdência privada pelo celular. No dia 26 de janeiro entra em vigor uma resolução do Conselho Nacional dos Seguros, que dispensa as empresas de registrar os contratos por meio […]

Bradesco vende mais previdência usando a tradicional promoção

Isenção da taxa de carregamento em novos aportes elevou vendas de novembro em 38%

Gestor de fundos imobiliários questiona taxas cobradas pelo Credit Suisse

André Freitas, da Hedge Investments, solicita convocação de assembleia para reduzir taxas de 1,5% para 0,6%

Saída de Maria Silvia do BNDES já era esperada, diz analista

Já era esperado o pedido de demissão de Maria Sílvia Bastos Marques da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e [...]
Ver mais