Coluna

O cavalo de pau do Fed

Entrelinhas das declarações do Banco Central americano fazem mercado prever uma liquidez mais apertada, o que faz o dólar disparar


Manter os juros baixos por “um período considerável” não saiu da ata, mas tornou-se algo “altamente condicional”. Isoladamente, essas frases passariam por mais um acesso de burocratês. No contexto, porém, elas tiveram a capacidade de cancelar uma alta vigorosa da Bolsa e fazer o dólar fechar no maior nível em seis meses.

No volátil mercado financeiro, tudo se move em função das expectativas. E elas eram de que o Banco Central americano manteria os juros baixos. O Fed, à primeira vista, confirmou essa expectativa (o que é positivo para o Brasil), mas indicou que a atual temporada de juros perto de zero e liquidez frouxa tem hora para acabar (o que é ruim).

A reação foi imediata. As ações derreteram. A Petrobras, que chegou a subir mais de 4,5%, encerrou com uma alta de 1,8%. Vale, que chegou a subir 1%, fechou em queda de 0,8%. E o Índice Bovespa encerrou a sessão marginalmente negativo, depois de avançar 1,5% no melhor momento do dia.

O maior impacto, porém, foi no dólar. As cotações encerraram o dia a R$ 2,3577, alta de 1,28%, e no maior nível desde 13 de março. Além de subir em relação à véspera, a cotação da moeda americana fechou no nível máximo do dia.

Apesar de os investidores estrangeiros permanecerem fora do mercado, a mera expectativa de um aperto na liquidez e de uma elevação dos juros lá fora foi suficiente para turvar o humor do mercado por aqui.