Edição nº 1150 09.12 Ver ediçõs anteriores

O jornal de amanhã

A terça-feira 16 foi um dia marcado por forte volatilidade na bolsa. O Índice Bovespa está encerrandoa sessão com alta de 2%, após valorizar-se quase 4% e chegar a 60.242 pontos no melhor momento do dia.

Boa parte da alta foi sustentada por um movimento fortemente especulativo em ações da Petrobras, que estão fechando a R$ 21,55, com ganho de 4,87%. Em seu máximo do dia, os papéis PN da estatal subiram 8,91%.

Essa alta dificilmente se justifica. Além de os indicadores da economia brasileira não proporcionarem fortes razões para otimismo, o cenário internacional também não é bom.

O Ministério do Comércio da China anunciou na manhã desta terça-feira que os investimentos estrangeiros diretos caíram ao menor nível desde 2009, e que a economia deverá crescer menos que a meta de 7,5% em 2014. A China é o principal parceiro comercial brasileiro, e qualquer sinal de desaceleração chinesa repercute fortemente no setor exportador do Brasil.

Como explicar, então, a alta? Os rumores são de que o instituto de pesquisa Ibope deverá divulgar, na noite desta terça-feira, uma pesquisa de intenções de voto mostrando uma queda nas intenções de voto de Dilma Rousseff.

Como de costume, não há nada confirmado, e, como em boa parte dos movimentos recentes, os preços das ações estão oscilando com base apenas em rumores.

É possível antecipar as pesquisas sem recorrer à informação privilegiada? Sim, e aqui mais uma vez se comprova a relevância do poder econômico nos mercados.

Funciona assim: bancos e gestoras de recursos de maior porte e com mais recursos à disposição montam estruturas paralelas de levantamento de intenções de voto, e acompanham muito de perto o calendário das pesquisas oficiais, que têm de ser registradas nos tribunais eleitorais antes de ser realizadas.

De posse dessas datas, os bancos fazem suas próprias pesquisas, reproduzindo em menor escala o trabalho dos institutos mas, convenientemente, obtendo os resultados antecipadamente.

Não há nada incorreto nem antiético nessa prática de procurar obter informações antes da concorrência por meios legais. Quando os índices de inflação determinavam a taxa de câmbio, vários bancos reproduziram mecanismos de coleta de preços que imitavam os principais índices. Mas mostra o tamanho da assimetria de informação no mercado.

Por isso, a velha piada na bolsa é que gente bem informada MESMO é quem compra o jornal de amanhã.


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