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Blockchain começa a ser base de certidão de nascimento a bebês brasileiros

Crédito: Pixabay

Por Letícia Belmiro

Cada época e país têm seus hábitos, ou tradições, para os recém-nascidos. Em Portugal, por exemplo, é comum que algum parente próximo presenteie o bebê com uma garrafa de vinho do Porto acompanhada de uma carta. Ambas só devem ser abertas quando a criança fizer 18 anos (meninas) ou 21 anos (meninos). A velocidade do avanço tecnológico já começa a se encarregar de criar seus ritos. E nesse universo Álvaro de Medeiros Mendonça é um pioneiro. Trata-se de um dos primeiros bebês brasileiros com registro de nascimento feito por blockchain.

O filho de Waldyr Mendonça Junior e Monique de Medeiros Gonçalves nasceu dia 8 de julho na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, e foi convidado pelo hospital para participar do projeto desenvolvido pela empresa Growth Tech em parceria com a IBM. Waldyr, que é representante comercial, afirma que o blockchain tornou o procedimento muito mais rápido. “Levei menos de cinco minutos para fazer o registro”, diz o pai.

Em 2016, o economista Fernando Ulrich postou em seu blog que havia registrado o nascimento da filha – Alice – por meio da tecnologia. Mas o trâmite não podia ser validado. “Ainda terei de me deslocar ao cartório, mas isso vai mudar”, escreveu à época. Mudou. No ano passado, Edson Neto, entusiasta de blockchain e criptomoedas, documentou o nascimento da filha, Maria Julia, na Bahia. Uma parceria com um cartório validou o documento.

No caso do bebê carioca a diferença é que a costura hospital-blockchain-cartório estava previamente pronta, por meio da plataforma Notary Ledgers, da Growth Tech, que permite a realização de serviços de cartório em ambiente virtual. O fundador da empresa, Hugo Pierre, diz que a startup buscou uma solução de eficiência “para otimizar essa área”.

Carlos Rischioto, líder de Blockchain da IBM Brasil, explica que o método de registro do bebê teve três etapas: a primeira foi a “Declaração de Nascido Vivo”, feita pelo hospital. Depois, o responsável pela criança criou uma identidade digital na plataforma, com dados e fotos que foram validados. Por fim, todas as informações foram automaticamente enviadas ao cartório (parceiro do hospital) finalizando a certidão e a enviando de volta aos pais. Realizar os registros por blockchain ainda está em fase piloto.

Rischioto diz que o objetivo de buscar soluções usando a tecnologia é “trazer velocidade, eficiência, transparência e eliminar cada vez mais as etapas, principalmente as burocráticas, nos processos de negócios”. Em todos os segmentos econômicos.

Correção: Carlos Rischioto é líder técnico de Blockchain da IBM Brasil e não da América Latina, como publicado. Texto corrigido às 15:33 (02.set.2019)

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